Storytelling: Histórias que deixam marcas

Adilson Xavier · Capítulo 13 de 85

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Storytelling: Histórias que deixam marcas

Duas histórias fictícias, duas guerras de verdade

Toda vez que um profissional ou uma empresa começa de baixo, sem grandes recursos financeiros, mas acreditando no potencial de sua ideia para superar os gigantes já estabelecidos no mercado, podemos creditar ao menos uma fração disso ao duelo de Davi com Golias, e outras frações a “n” histórias que guardamos no coração. De Tarzan a Karatê Kid, passando por Robinson Crusoé, Forrest Gump, Rocky Balboa, James Bond, Indiana Jones... um interminável elenco de personagens, todos sussurram em nossos ouvidos que sempre há uma saída e que nossos sonhos podem se tornar realidade, apesar dos adversários, obstáculos e intempéries que tenhamos de enfrentar.

 

Duas histórias fictícias, duas guerras de verdade

 

August Kubizek, amigo de infância de Adolph Hitler, descreve uma ida à ópera, quando o pesadelo aparentemente teria começado. O jovem Adolph tinha apenas 16 anos e foi com August assistir a Rienzi, obra de Richard Wagner com cinco horas de duração sobre um heroico tribuno romano. Terminado o espetáculo, Hitler parecia ter tido uma revelação e, com ar profético, falou ao amigo sobre um mandato que haveria de receber do povo alemão para guiá-lo rumo à liberdade.

Poderia ter sido uma bela inspiração juvenil não fossem as frustrações que se sucederam, sua rejeição na escola de artes e tudo que se somou para a formação de uma personalidade doentia e contagiosamente cruel. Mas tudo indica que o estopim que resultou em um dos maiores vilões da humanidade foi um herói fictício embalado pelos acordes de Richard Wagner. Vale lembrar que, além de brilhante compositor, Wagner era um nacionalista exacerbado e antissemita declarado. E que há outros relatos dando conta de que Hitler se considerava um herói wagneriano, com especial predileção por Parsifal, enxergando a si próprio como uma espécie de cavaleiro moderno engajado na luta contra o mal.

Culpa de Wagner? Talvez de Edward Bulwer-Lytton, o escritor que criou Rienzi, cujo livro publicado em 1835 inspirou o jovem compositor a transformá-lo em ópera. Pobre Edward, morreu sem saber que pode ter provocado o surgimento de um personagem sanguinário que manchou a história do século XX.

 

Enquanto Rienzi aguardava nas páginas o estrelato que viria mais tarde através da música, outros personagens fictícios tramavam uma grande virada na América do Norte. Não tinham nada parecido com cavaleiros de espada em punho, eram apenas escravos. Mas com seu sofrimento e sonho de liberdade saltaram diretamente da literatura para a vida real. O livro de onde vieram transformou-se em um fenômeno de vendas, de comoção popular e repercussão política. Seu título: A cabana do Pai Tomás.