Storytelling: Histórias que deixam marcas
Amigos ursos
O Natal, com sua carga simbólica de união familiar, manteve espaço privilegiado no calendário da Coca-Cola. Mas isso não fez com que a empresa abrisse mão de buscar outros personagens associados à data, além do consagrado Papai Noel. Foi assim que surgiu a simpática família de ursos-polares.
Apesar de já ter aparecido esporadicamente em sua comunicação desde 1922, o urso-polar só ganhou forma, família e ocupou posição de destaque com a campanha da Creative Artists Agency, de Los Angeles, em 1993.
Dezoito anos depois, em 2011, a empresa decidiu unir seus personagens fictícios a uma ação no mundo real, abraçando a causa da preservação dos ursos-polares. E em 2013 eles foram trazidos de volta à mídia, dessa vez em comemoração ao Dia das Mães.
Estado da arte
Como se não bastasse uma tipologia tão forte, que, independentemente do que está escrito, sempre nos remete à marca (camisetas com “cachaça” estampada nas letras da Coca-Cola são um exemplo bem-humorado desse efeito), a empresa se deu o luxo de adotar uma garrafa com design exclusivo.
Mais um acaso na longa lista da marca. Começou em 1894, com a bebida sendo vendida em uma loja de doces, em garrafas de vidro que tinham o nome da engarrafadora em autorrelevo: Biendenharn Candy Company. Apesar do sucesso da iniciativa, vários anos se passaram até que a oportunidade saltasse aos olhos. O processo de engarrafamento se espalhou gradativamente por várias empresas e cidades, despertando a Coca-Cola para a necessidade de uma padronização. Realizado em 1916 um concurso para a escolha de sua garrafa oficial, Raymond Louise, inspirado na fruta do cacau, sagrou-se vencedor.
A marca manuscrita aplicada a um exclusivo design de garrafa deu ao produto altamente industrializado um caráter artesanal, como que realçando origens fictícias. A evolução do artesanal para o artístico deu-se pelas mãos do grande Andy Warhol. Notabilizado pela reprodução mecânica de figuras icônicas como Marilyn Monroe, Elvis Presley, Che Guevara, Pelé e Mona Lisa, entre outros, dois produtos muito presentes na cultura americana integraram-se à sua lista de celebridades: Sopas Campbell’s e Coca-Cola. Quadros com uma, três, cinco, até 210 garrafas de Coca-Cola, ou a mera tampinha do refrigerante, assinados por Warhol, deram à marca uma inestimável aura de sofisticação pop. Aderindo a esse primeiro movimento, muitos outros artistas desenvolveram obras baseadas nas latas do refrigerante, na estilização de garrafas, copos ou borbulhas, fazendo da Coca-Cola, com o acréscimo do farto material produzido por Norman Rockwell, a marca líder de representações nas artes plásticas.