Storytelling: Histórias que deixam marcas

Adilson Xavier · Capítulo 31 de 85

Páginas do PDF

Storytelling: Histórias que deixam marcas

Fórmulas

Terceiro ato: clímax da história, algo inesperado acontece, a situação se resolve.

 

Os atos se subdividem em “capítulos” (na literatura) ou “sequências” (no cinema), que seguem a lógica dos núcleos-chave de ação dentro de cada ato. E os capítulos e sequências se subdividem em cenas, elementos fundamentais na evolução da história, que são formadas por células de ação chamadas “beats”. Não mergulharemos até os beats, chegar às cenas é o suficiente para nossa análise.

Toda cena tem um papel a cumprir no avanço da narrativa. Se for apenas cosmética, transforma-se no que chamamos de “cena gratuita”, ou seja, deve ser jogada no lixo.

Esse é o arcabouço de uma trama. Nas histórias multitramas, tudo isso ocorre simultaneamente com vários eixos de ação, que podem progredir em paralelo, cruzando-se ou não em determinados pontos. Filmes como Crash, Amores Perros e Pulp Fiction exemplificam bem a complexidade e a riqueza das multitramas.

O storytelling aplicado a marcas fica mais claro quando o enxergamos pelo viés multitramático, e entendemos as ações de comunicação como cenas, que podem fazer parte de sequências, que podem se somar em atos de maior envergadura.

 

Fórmulas

 

Há várias. Não há nenhuma.

Guy de Maupassant é implacável ao afirmar que

 

os artistas de primeira linha, sem dúvida, não são aqueles cujas ideias gerais sobre arte

estejam constantemente na ponta da língua — aqueles cujos preceitos, apologias e

fórmulas sejam abundantes e que melhor possam dizer as razões e filosofia das coisas.

Habitualmente conhecemos os maiores artistas por sua prática vigorosa, pela constância

com que aplicam seus princípios, e pela serenidade com que nos deixam procurando

seu segredo na ilustração, no exemplo concreto.

 

Vacinados que estamos, desde a primeira página, contra ambições teórico-didáticas, aqui vão alguns exemplos que se propõem a nos auxiliar na estruturação de uma história.

Começando pelo básico do básico, toda história pressupõe a existência de três fases: introdução, desenvolvimento e desfecho. O que, aplicado ao storyline (maneira mais sintética de se apresentar uma história), na análise do dramaturgo Ben Brady, nos leva a três momentos fundamentais:

• Alguma coisa acontece;

• Alguma coisa precisa ser feita;

• Alguma coisa é feita.