Storytelling: Histórias que deixam marcas

Adilson Xavier · Capítulo 16 de 85

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Storytelling: Histórias que deixam marcas

Imaginação e fantasia

raça distinta. Cada um de nós, portanto, forma para si mesmo uma ilusão do mundo,

que é uma ilusão poética, ou sentimental, ou alegre, ou melancólica, ou turva, ou

desanimadora, de acordo com nossa natureza. E o escritor não tem outra missão senão a

de reproduzir fielmente essa ilusão, com todos os dispositivos da arte que aprendeu e

comanda. A ilusão da beleza, que é uma convenção humana! A ilusão da feiura, que é

uma opinião mutável! A ilusão da verdade, que nunca muda! A ilusão do ignóbil, que a

tantos atrai! Os grandes artistas são aqueles que fazem a humanidade aceitar sua ilusão

particular.

 

Tudo altamente subjetivo e abstrato, mas atingindo em cheio o mundo concreto. Para eliminar dúvidas teimosas sobre o papel da ficção em nossas vidas, sugiro duas viagens. A primeira, a Madri, onde a imagem de Dom Quixote é a mais procurada pelos visitantes, e obviamente a mais presente nas lojas de suvenires. Trata-se do personagem mais famoso da Espanha, um país onde, diga-se de passagem, a concorrência de personagens históricos reais é fortíssima. A segunda viagem seria a Verona, cidade italiana que jamais constaria de roteiros turísticos não tivesse sido escolhida por Shakespeare para hospedar Romeu e Julieta. E já que falamos de duas cidades europeias, não custa nada passar por Paris, visitar a catedral de Notre Dame, e tentar não lembrar do Quasímodo criado por Victor Hugo, que segue tocando seus sinos em nosso imaginário.

 

Imaginação e fantasia

 

Duas palavras arrastadas ao longo do tempo para significados bem distantes de suas origens.

Imaginação vem do latim “imago” (imagem). No sentido original, é nossa capacidade de dar forma ao mundo interior. Sem a imaginação, nosso inconsciente não teria como se expressar.

Fantasia vem do grego “phantasía”. Significava “tornar visível, revelar”.

Originalmente, imaginação e fantasia estão associadas a trazer à tona a realidade do mundo interior, dar formas visíveis ao nosso reino invisível.

Nos domínios da religião, o canal da inspiração divina era a imaginação, às vezes o sonho. Desqualificar esses produtos de nossa mente foi um equívoco provocado pelo materialismo crescente, que a psicanálise começou a corrigir, auxiliando a subjetividade contemporânea a reincorporá-los ao nosso elenco premium de capacidades.

Ninguém duvida, nos dias de hoje, que é praticamente impossível suportar a existência humana sem imaginação e fantasia. Todos sabem que esses dois elementos, tão destacados durante a infância e negligenciados na idade adulta, são os principais responsáveis pela criatividade e, consequentemente, pela geração de histórias.

Basta folhear alguns jornais ou revistas dedicados ao mundo dos negócios para ver que um dos bens mais valorizados atualmente é a ideia criativa. Quando a expressão “economia criativa” passa a ser tema recorrente das discussões econômicas, e grandes capitais passam a exaltar a necessidade de grandes ideias, é sinal de que algo muito relevante está acontecendo.