Um Curso de Cálculo, Volume 3
2.5 Propriedades da integral
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EXEMPLO 6. Seja B o quadrado − 1 ≤ x ≤ 1, − 1 ≤ y ≤ 1. Seja f : B → ℝ dada por
f é integrável em B? Por quê?
Solução
A fronteira de B tem conteúdo nulo (verifique). f é limitada em B, pois, para todo (x, y) ∈ B, 0 ≤ f (x, y) ≤ 1. A f só é descontínua em (0, 0); logo, o conjunto dos pontos de descontinuidade tem conteúdo nulo. Segue que f é integrável em B.
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2.5. P ROPRIEDADES DA INTEGRAL
A seguir, vamos enunciar sem demonstração algumas das principais propriedades da integral.
Sejam f e g integráveis em B e seja k uma constante. Nestas condições, tem-se:
Antes de enunciarmos e provarmos a propriedade do valor médio para integrais, vamos relembrar as definições de conjunto fechado e de conjunto compacto apresentadas no Vol. 2.
Seja 2 B ⊂ ℝ. Dizemos que B é um conjunto fechado se o seu complementar {(x, y) ∈ 2 ℝ | (x, y) ∉ B} for aberto. Deixamos a seu cargo verificar que B é fechado se e somente se B contiver todos os seus pontos de fronteira.
Seja 2 B ⊂ ℝ. Dizemos que B é um conjunto compacto se B for fechado e limitado.
VII) (Propriedade do valor médio para integrais.)
Suponhamos 2 f contínua em B ⊂ ℝ, onde B é um conjunto compacto com fronteira de conteúdo nulo. Suponhamos, ainda, que dois pontos quaisquer de B podem ser ligados por uma curva contínua, com imagem contida em B. Nestas condições, existe pelo menos um ponto (r, s) ∈ B tal que
onde α é a área de B. (Interprete, geometricamente, supondo f (x, y) ≥ 0.)
Demonstração
Como f é contínua e B compacto, pelo teorema de Weierstrass existem (x0, y0) e (x1, y 1) em B tais que
f (x0, y0) ≤ f (x, y) f ≤ (x1, y1)
para todo (x, y) em B. Daí,
e, portanto,
onde α é a área de B. Se α = 0, então teremos, também, f (x, y) dx dy = 0; logo,
para todo (r, s) em B
Suponhamos, então, α ≠ 0. Segue de ① que
Segue da hipótese que existe uma curva contínua γ : [a, b] → B tal que
γ (a) = (x0, y0) e γ (b) = (x1, y1).
Seja g : [a, b] → ℝ dada por
g (t) = f (γ (t)).
Como f e γ são contínuas, g será, também, contínua. Como
g (a) = f (γ (a)) = f (x0, y0) e g (b) = f (γ (b)) = f (x1, y1)
resulta
g (a) ≤ S ≤ g (b)
onde
Como g é contínua em [a, b], pelo teorema do valor intermediário existe t 0 em [a, b] tal que
g (t 0) = S.
Fazendo (r, s) = γ (t0) e lembrando que
g (t ) = f (γ (t )) = f (r, s) 0 0
resulta
f (r, s) = S
ou seja
Para finalizar a seção, vamos definir integral de uma função f sobre um conjunto B quando f estiver definida em todos os pontos de B, exceto nos pontos de um conjunto de conteúdo nulo contido em B.
Seja B um conjunto compacto com fronteira de conteúdo nulo. Seja f (x, y) uma função definida em todos os pontos de B, exceto nos pontos de um conjunto D de conteúdo nulo, com D contido em B. Seja g : B → ℝ tal que f (x, y) = g (x, y), para todo (x, y) y ∉ D. Definimos
desde que a integral do segundo membro exista.
Observe que a integral acima está bem definida, pois se h for outra função de B em ℝ tal que h (x, y) = f (x, y) em todo (x, y) ∉ D, com h integrável em B, então
Por quê?
2 2
EXEMPLO 1. Seja B o círculo x + y ≤ 1. Sejam f (x, y) e
seja g : B → ℝ dada por
Como g é integrável em B (verifique), segue que dx dy existe e
EXEMPLO 2. 2 2 Seja B o círculo x + y ≤ 1 e seja D a fronteira de B, isto é, D = {(x, y) ∈ 2 2 2 ℝ | x + y = 1}. Sejam
A função g é limitada em B, pois para todo (x, y) ∈ B, |g (x, y)| ≤ 1 (verifique) e é contínua em todo ( 2 2 x , y ), com x + y < 1. Como D tem conteúdo nulo, segue que g é integrável em B. Assim,
(Deixamos a seu cargo verificar que g é contínua em todos os pontos de B.)
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