Um Curso de Cálculo, Volume 3
6.5 Integral de linha relativa ao comprimento de arco
6.5. INTEGRAL DE LINHA RELATIVA AO COMPRIMENTO
DE ARCO
Seja 1 γ : [ a, b ] → ℝ uma curva de classe C e seja f uma função a valores reais, n
contínua, definida na imagem de γ. Definimos a integral de linha de f sobre γ, com relação ao comprimento de arco, por
Observação:
O comprimento Δs i i do arco de extremidades γ ( t − 1) e γ(ti) é:
para algum em [ti − 1, ti]. Temos:
Pode ser provado que
ou seja,
Observe que não é soma de Riemann da função f (γ(t)) || γ' (t)
||, pois, e podem não ser iguais. Observe, ainda, que ds = ||γ' (t) || dt é a diferencial
da função comprimento de arco
EXEMPLO 1. 2 2 Calcule ( x + 2 y) ds, onde γ é dada por x = cos t, y = sen t, com 0 ≤
t ≤ 2π.
Solução
A integral de linha, relativa a comprimento de arco, pode ser aplicada no cálculo da massa de um fio delgado cuja densidade linear (massa por unidade de comprimento) seja conhecida. Um fio delgado no espaço pode ser olhado como a imagem de uma curva 3 γ : [ a, b ] → ℝ; a massa M do fio é, então,
onde δ (x, y, z) é a densidade linear no ponto (x, y, z).
■
EXEMPLO 2. Calcule a massa do fio γ (t) = (t, t, t), 0 ≤ t ≤ 2, sendo δ (x, y, z) = xyz a densidade linear.
Solução
Portanto, a massa do fio é 4 unidades de massa.
Considere um fio delgado 3 γ : [ a, b ] → ℝ, com densidade linear δ (x, y, z). O momento de inércia do fio em relação a um eixo fixo dado é
onde r = r (x, y, z) é a distância do ponto (x, y, z) ao eixo.
■
EXEMPLO 3. Calcule o momento de inércia de um fio homogêneo com a forma de uma circunferência 2 2 2 x + y = R (R > 0), em relação ao eixo Oz.
Solução
Tomemos γ (t) = (R cos t, R sen t, 0), 0 ≤ t ≤ 2π. Temos:
Como 2π 2 kR é a massa M do fio, resulta que o momento de inércia é I = MR.
■
EXEMPLO 4. 3 3 Seja : Ω ⊂ ℝ → ℝ um campo vetorial contínuo e seja γ : [a, b] → Ω uma curva de classe 1 C tal que, para todo t em [a, b], || γ'(t) || ≠ 0. Suponha, ainda, que γ(t 1) ≠ γ(t2) sempre que t1 ≠ t2. Verifique que
onde F (γ (t)) = o versor de γ' (t); F (γ(t)) é a
T T
componente tangencial de no ponto γ (t). (Observe que F é uma função definida na T imagem de γ e que, a cada X ∈ Im γ, associa o número
Solução
Assim,
ou seja,
Observação. 3 3 Se olharmos : Ω ⊂ ℝ → ℝ como um campo de forças em Ω e se supusermos que γ descreve o movimento de uma partícula em Ω, então
é o trabalho realizado por no deslocamento da partícula de γ (a) até γ (b).
Exercícios 6.5
1. Calcule
a) 2 2 ( x + y) ds, onde γ (t) = (t, t), −1 ≤ t ≤ 1
b) 2 (2 xy + y) ds, onde γ (t) = (t + 1, t − 1), 0 ≤ t ≤ 1
c) xyz ds, onde γ (t) = (cos t, sen t, t), 0 ≤ t ≤ 2π
2. Calcule a massa do fio γ(t) = (t, 2t, 3t), 0 ≤ t ≤ 1, cuja densidade linear é δ (x,
y, z) = x + y + z.
3. Calcule a massa do fio γ(t) = (cos t, sen t, t), 0 ≤ t ≤ π, com densidade linear δ
( 2 2 2 x, y, z ) = x + y + z.
4. Calcule o momento de inércia de um fio homogêneo com a forma de uma
circunferência de raio R, em torno de um diâmetro.
5. Calcule o momento de inércia do fio γ (t) = (t, 2t, 3t), 0 ≤ t ≤ 1, com densidade
linear δ (x, y, z) = x + y + z, em torno do eixo Oz.
6. Calcule o momento de inércia de um fio retilíneo, homogêneo, de comprimento
L, em torno de um eixo perpendicular ao fio e passando por uma das extremidades do fio.
7. Calcule o momento de inércia do fio homogêneo γ (t) = (cos t, sen t, t), 0 ≤ t ≤
, em tormo do eixo Ox.
8. 3 O centro de massa de um fio γ : [ a, b ] → ℝ é o ponto (x , y , z ) dado por:
c c c
onde dm = δ (x, y, z) ds é o elemento de massa. Calcule o centro de massa do fio homogêneo dado.
a) γ (t) = (cos t, sen t, t), 0 ≤ t ≤
b 2 ) γ ( t ) = ( t, t, 0) −1 ≤ t ≤ 1
9. Calcule o centro de massa do fio γ (t) = (t, t, t), 0 ≤ t ≤ 1, com densidade linear
δ (x, y, z) = xyz.
10. 2 1 Seja γ ℝ : [ a, b ] → uma curva de classe C e seja f (x, y) um campo escalar
1
contínuo na imagem de 2 γ . Seja γ : [ a, b ] → ℝ dada por
1 2
Prove que
Interprete o resultado. Dê exemplos de curvas satisfazendo ①. Compare com os resultados obtidos na Seção 6.3.