Um Curso de Cálculo, Volume 3
A4.8 Teorema da função inversa
definida no aberto Ω. Como 1 f e g são de classe C e φ (x , y ) ≠ 0 segue do teorema da
0 0
conservação do sinal que…)
Segue, então, de A4.2 que G (x, y) é diferenciável em todo (x, y) ∈ Ω . 1
Por outro lado, da relação
JG −1 ( u, v ) = ( JF ( x, y ))
onde ( 1 x, y ) = G ( u, v ), e pelo fato de F ser de classe C e G contínua, resulta que G é de classe 1 C em Ω . (Confira.)
2
A4.8. TEOREMA DA FUNÇÃO INVERSA
Do que vimos nas seções anteriores vem o seguinte importante teorema.
Teorema da função inversa. Seja
F : Ω ⊂ ℝn → ℝn
com aberto e 1 F de classe C. Seja X ∈ Ω e seja Y = F (X ). Nestas condições, se
0 0 0
o determinante jacobiano de F, em X0, for diferente de zero então existirá um
aberto Ω 1 ⊂ Ω, com X0 ∈ Ω1, tal que Ω2 = F (Ω1) será aberto, a restrição de F a
Ω 1 será inversível e a inversa G será de classe C em Ω .
1 2
O que fizemos nas seções anteriores foi provar o teorema da função inversa para n = 2. Na verdade, nada teria mudado se tivéssemos trabalhado com n ≥ 3.
A4.9. TEOREMA DA FUNÇÃO IMPLÍCITA
Nesta seção, veremos como obter o teorema da função implícita em alguns casos particulares e deixaremos para o leitor enunciar e demonstrar tal teorema no caso geral.
1.º CASO. 1 2 Suponha g ( x, y ) de classe C num aberto Ω ⊂ ℝ, com (x , y ) ∈ Ω, tal que
0 0
Nestas condições, existe um aberto Ω x 1 ⊂ Ω, com ( , y ) Ω , e uma única função y 0 0 ∈ = 1 h 1 ( x ) definidas e de classe C num intervalo aberto I, x ∈ I, tal que, para todo x ∈ I,
0
(x, h (x)) ∈ Ω1, e
g (x, h (x)) = 0.
Demonstração
Consideremos o sistema
Em (x 0, y0), o determinante jacobiano
é diferente de zero, pois, em (x , y ) seu valor é que, por hipótese, é
0 0
diferente de zero. Seja
(u 0, v0) = (f (x0, y0), g (x0, y0)).
Como f (x, y) = x e g (x , y ) = 0, resulta (u , v ) = (x , 0). 0 0 0 0 0
Pelo teorema da função inversa, existem abertos Ω1 e Ω2, com
(x , y ) Ω Ω e (u , v Ω 0 0 ∈ 1 ⊂ ) , 0 0 ∈ 2
e um único par de funções (p (u, v), q (u, v)) tais que, para todo (x, y) ∈ Ω 1 e (u, v) ∈ Ω2,
Como Ω é aberto e (x , 0) = (u , v ) Ω , existe um intervalo aberto I, x I tal que, 2 0 0 0 ∈ 2 0 ∈
para todo u ∈ I, (u, 0) ∈ Ω . 2
Segue de ① que, para todo u ∈ I,
Fazendo h (x) = q (x, 0), resulta que, para todo x ∈ I,
0 = g (x, h (x)).
Assim, a função 1 y = h ( x ) é de classe C e é dada implicitamente pela equação
g (x, y) = 0.
Observe que, para todo u ∈ I,
(u, q (u, 0)) ∈ Ω 1
logo, para todo x ∈ I,
(x, h (x)) ∈ Ω . 1
Suponhamos, agora, que 1 y = h ( x ) seja outra função definida e de classe C no
1
intervalo aberto I e tal que, para todo x ∈ I,
(x, h1 (x)) ∈ Ω1 e 0 = g (x, h1 (x)).
De ① segue que, para todo x ∈ I,
ou seja, h1 (x) = q (x, 0) = h (x).
■
Observação. Para outra demonstração deste caso, veja Vol. 2.
2.º CASO. 1 3 Suponha g ( x, y, z ) de classe C num aberto Ω ⊂ ℝ, com (x , y z ) Ω, tal ∈
0 0 0
que
Nestas condições, existe um aberto Ω 1 ⊂ Ω, com (x0, y0, z0) ∈ Ω1, e uma única função z 1 2 = h ( x, y ) definida e de classe C numa bola aberta B do ℝ e de centro (x , y ), tal
0 0
que, para todo (x, y) ∈ B, (x, y, h (x, y)) ∈ Ω 1, e
g (x, y, h (x, y)) = 0.
Demonstração
Consideremos o sistema
Em (x 0, y0, z0), o determinante jacobiano
. Seja
(u0, v0, w0) = (x0, y0, g (x0, y0, z0)).
Assim (u 0, v0, w0) = (x0, y0, 0). Pelo teorema da função inversa, existem abertos Ω1 e Ω2, com
(x0, y0, z0) ∈ Ω1 e (u0, v0, w0) ∈ Ω2
e uma única terna de funções
(p (u, v, w), q (u, v, w), r (u, v, w))
de classe 1 C em Ω e tais que, para todo (x, y, z) ∈ Ω e (u, v, w) ∈ Ω ,
2 1 2
Como Ω 2 é aberto e ( x , y , 0) = ( u , v , w ) Ω , existe uma bola aberta B em ℝ, de ∈
2 0 0 0 0 0 2
centro (x , y ), tal que, para todo (u, v) 0 0 ∈ B, (u, v, 0) ∈ Ω . Segue de ② que, para todo 2 (u, v) ∈ B,
Fazendo h (x, y) = r (x, y, 0), resulta, para todo (x, y) ∈ B,
0 = g (x, y, h (x, y)).
Assim, a função 1 z = h ( x, y ) é de classe C e é dada implicitamente pela equação
g (x, y, z) = 0.
Observe que, para todo (u, v) ∈ B,
(u, v, r (u, v, 0)) ∈ Ω1 logo, para todo (x, y) ∈ B,
(x, y, h (x, y)) ∈ Ω 1.
Suponhamos, agora, que 1 z = h ( x, y ) seja outra função definida e de classe C na bola
1
aberta B e tal que, para todo (x, y) ∈ B,
(x, y, h (x, y)) Ω (x, y, h 1 ∈ e 0 = g (x, y)). 1 1
De ② segue que, para todo (x, y) ∈ B,
ou seja, h1 (x, y) = r (x, y, 0) = h (x, y).
■
3.º CASO. 1 3 Suponha f ( x, y, z ) e g ( x, y, z ) de classe C num aberto Ω ⊂ ℝ, com (x , y ,
0 0
z0) ∈ Ω1, tais que
f (x0, y0, z0) = 0, g (x0, y0, z0) = 0
e
Nestas condições, existe um aberto Ω1 ⊂ Ω, com (x0, y0, z0) ∈ Ω1, e um único par de funções 1 y = h ( x ) e z = k ( x ) definida e de classe C num intervalo aberto I, x ∈ I, tal
0
que, para todo x ∈ I,
(x, h (x), k (x)) ∈ Ω 1
e
f (x, h (x), k (x)) = 0 e g (x, h (x), k (x)) 0.
Demonstração
Consideremos o sistema
Em (x 0, y0, z0), o determinante jacobiano
é diferente de zero. Seja
(u , v , w ) = (x , f (x , y , z ), g (x , y , z )). 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
Da hipótese, resulta
(u0, v0, w0) = (x0, 0, 0).
Pelo teorema da função inversa, existem abertos Ω 1 e Ω2, com
(x , y , z ) Ω e (u v , w ) 0 0 0 ∈ , 1 0 0 0∈ Ω2
e uma única terna de funções
(p (u, v, w), q (u, v, w), r (u, v, w))
de classe 1 C em Ω , tais que, para todo (x, y, z) ∈ Ω e (u, v, w) ∈ Ω ,
2 1 2
Como Ω2 é aberto e (x0, 0, 0) = (u0, v0, w0) ∈ Ω2, existe um intervalo aberto I, x0 = I, tal que, para todo u ∈ I, (u, 0, 0) ∈ Ω2. Segue de ③ que, para todo u ∈ I,
onde h (u) = q (u, 0, 0) e k (u) = r (u, 0, 0). As funções h (x) = q (x, 0, 0) e k (x) = r (x, 0, 0) são de classe 1 C no intervalo aberto I e, para todo x neste intervalo,
f (x, h (x), k (x)) = 0 e g (x, h (x), k (x)) = 0.
Fica a seu cargo concluir a unicidade de tais funções.
■
Para encerrar, fica a seu cargo a tarefa de enunciar e demonstrar o teorema da função implícita no caso geral.
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