A Morte é Legal

Jim Anotsu · Capítulo 69 de 79

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A Morte é Legal

Capítulo SESSENTA E TRÊS

Largue a concha de uma vez, porquinho!

 

O time escolheu o teto do prédio como forma de acesso. Rayla chegou até a beirada e olhou os seis andares abaixo. Astrophel e Stella estavam no terceiro com uma refém. Seus parceiros terminavam de se preparar, ajustando luvas e armas cujas balas eram capazes de perfurar noventa tipos de matérias espirituais, assim como ela, vestiam os uniformes negros. Sabia que não poderia contar com a ajuda de Shaitiri pelo menos até o quarto andar, de onde ela poderia escutar os pensamentos do inimigo. Ficou perdida durante um tempo com o olhar sobre a cidade. Já fazia anos desde a última vez em que permanecera no mundo humano por tanto tempo em uma missão, no caso anterior, perseguiu Jack, o Estripador – um ghoul que escapara do além. Saiu dali e foi se juntar à sua equipe. Faaih, Ekopo e Larrabeite estavam prontos e aguardando ordens.

– Nossa missão é capturar minha irmã e neutralizar o inimigo. Precisamos descer até o quarto andar e aguardar até que estejam reunidos. Nós sabemos que Astrophel deixou surpresas pelo caminho, vamos acabar com cada uma delas.

Os três soldados assentiram em silêncio e seguiram a capitã que rumava em direção à porta. Podia perceber pelo rosto de cada um que havia algo diferente naquela missão, um oceano de distância entre capturar criminosos ou traficantes de dharma e aquele momento. Todos conheciam Ive desde pequenos.

Ekopo abriu a porta de metal e deu passagem para o resto do time. As luzes da escada foram acionadas automaticamente, Rayla prosseguiu com a pistola apontada e evitou qualquer barulho. O corredor do sexto andar estava vazio e com as portas trancadas, as lâmpadas do teto zumbiam levemente. Faaih fez um sinal para que prestassem atenção. Rayla olhou para o que a soldado apontava: riscos na parede em direção ao quinto andar. Alguém tentou segurar-se ali, mas fora arrastado, fato confirmado ao encontrar uma unha presa ali.

Faaih desceu os primeiros degraus, Larrabeite a seguiu para dar cobertura. Barulhos vinham do andar de baixo. Passos ecoando. Rayla e Ekopo foram os últimos a avançar. A capitã sentiu sua bota deslizar sobre algo no chão. Sangue, falou Shaitiri em sua mente, o corpo de um segurança está no corredor. A capitã tirou sua lanterna e avistou o que a raposa-do-pensamento lhe dissera. As luzes do teto haviam sido quebradas.

– Ekopo, ilumine o lugar – sussurrou. – Nós entraremos logo em seguida.

O oficial assentiu em silêncio e retirou quatro esferas de vidro do bolso, murmurou algumas palavras e jogou cada uma em diferentes partes. Dali a alguns segundos houve uma explosão de luz esverdeada e o corredor pôde ser avistado, assim como os visitantes presentes: cinco gubbinals momentaneamente desorientados. Movimento esperto, Astro, pensou assim que os viu, essas coisas não têm pensamentos para serem lidos.

– Mas que... – disse Larrabeite. – Ray, de boa, eu pensei que fosse ser divertido.

Rayla balançou a cabeça negativamente e ordenou:

– Preparar os silenciadores e avançar.

O time saltou por sobre o cadáver do segurança e se agrupou em um círculo.

A capitã avaliou rapidamente o cenário que se apresentava. Os monstros caminhavam com as garras se arrastando no piso e respiração audível. Já haviam enfrentado aquelas criaturas em treinamentos e geralmente lidavam com as versões mansas que habitavam o túnel até o mundo das fadas. Começaram a atirar em tudo o que se movia. A situação ficou confusa enquanto projeteis recheados de ectoplasma cortavam riscavam o ar com um brilho verde. Após a primeira baixa os inimigos recuavam, mas eram perseguidos sem descanso. Shaitiri investia contra um dos gubbinals que tentava lhe acertar sem sucesso e o punia com mordidas e arranhões, para, finalmente, saltar sobre seu pescoço e cravar os dentes.

Rayla eliminou o seu oponente com um tiro na cabeça e se uniu a Larrabeite que, sem munição, usava uma faca.

– Você está fora de forma, Sr. Eu Pensei Que Fosse Ser Divertido. – disse ao se juntar a ele e neutralizar o último gubbinal.

– Eu estava me divertindo até você se intrometer.

Riram daquilo enquanto as armas eram recarregadas. Faaih se certificou de que nenhuma criatura se escondia naquele andar. Rayla chamou a raposa para perto de si e tomaram os degraus que levariam até Astrophel. Seguiam o mesmo esquema de anteriormente. Ouviam o som de música vindo de baixo, um jazz leve. Eu consigo ouvir o pensamento de todos, avisou Shaitiri, Astrophel espera por sua irmã. Gesticulou uma ordem para que todos se colocassem prontos para invadir a qualquer momento.

Então esse é o fim, pensou amargamente, eu prendo minha irmã e provavelmente recebo uma medalha por isso. Talvez nenhuma outra pessoa tenha galgado postos tão rapidamente quanto fizera, porém, aquela missão deixava um gosto amargo na boca. Não se arrependia de ter atirado a irmã mais velha no Inferno, faria o mesmo mil vezes. O que lhe incomodava era o fato de ter agido dessa forma com a intenção de impedir que Ive fosse destruída, apenas para assistir a própria fazer isso.

Suspirou e ficou pronta para atirar.