O Código Da Vinci

Dan Brown · Capítulo 9 de 109

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O Código Da Vinci

Capítulo Seis

Depois de secar as feridas, vestiu o hábito que lhe chegava aos tornozelos.

Era grosseiro, feito de lã escura, que lhe acentuava a brancura da pele e dos cabelos.

Amarrou a corda à volta da cintura, cobriu a cabeça com o capuz e permitiu-se um instante para observar o seu reflexo no es pelho. As rodas começaram a girar.

C A P Í T U L O 6

Depois de ter passado por baixo da grade de segurança, Robert Langdon deteve-se à entrada da Grande Galeria, olhando para a boca de um longo e fundo desfiladeiro.

De ambos os lados, as paredes erguiam-se a nove metros de altura, fundindo-se na escuridão, lá em cima. O clarão avermelhado das luzes de serviço parecia elevar-se do chão, banhando numa luminosidade irreal a deslumbrante coleção de da Vincis, Ticianos e Caravaggios suspensos do teto por meio de cabos.

Naturezas-mortas, cenas religiosas e paisagens faziam companhia a retratos de nobres e políticos.

Apesar de a Grande Galeria albergar as mais famosas peças da arte italiana, muitos dos visitantes achavam que o que nela havia de mais impressionante era na realidade o seu famoso soalho de parquet. Disposto num estonteante desenho geométrico de placas de carvalho em diagonal, o soalho produzia uma efêmera ilusão de ótica — uma rede multidimensional que dava ao visitante a impressão de flutuar através da galeria sobre uma superfície que se transformava a cada passo.

Os olhos de Langdon, que s eguiam o traçado dos embutidos de madeira, detiveram-se abruptamente em um inesperado objeto caído no chão poucos metros à sua esquerda, isolado por fita da Polícia.

Voltou-se para Fache.

— Aquilo ali no chão... é um Caravaggio?

O capitão assentiu, sem sequer olhar.

O quadro, calculou Langdon, valia mais de dois milhões de dólares, e no

entanto ali estava, caído no chão, como um cartaz que alguém tivesse jogado fora.

— Que raio está fazendo no meio do chão?

Fache lançou-lhe um olhar severo, claramente nada impressionado.

— Isto é aquilo a que se chama um local do crime, senhor Langdon. Não tocamos em nada. Aquela tela foi arrancada da parede pelo conservador Saunière. Foi assim que ele ativou o sistema de segurança.

Langdon olhou para a grade, tentando reconstituir mentalmente o que acontecera.

— Monsieur Saunière foi atacado no seu gabinete, conseguiu fugir para a Grande Galeria e ativou a grade de segurança arrancando o quadro da parede. A grade desceu imediatamente, selando a galeria. Esta é a única porta de entrada e de saída.

Langdon estava confuso.

— Quer dizer com isso que o senhor Saunière encurralou o atacante dentro da galeria?

Fache abanou a cabeça.

— A grade de segurança separou o conservador Saunière do seu atacante. O

assassino ficou no corredor e atingiu monsieur Saunière através da grade. —

Apontou para uma etiqueta cor de laranja presa a uma das barras da grade por baixo da qual acabavam de passar. — A equipe PTC encontrou resíduos de pólvora de uma arma.

Disparou através da grade. Monsieur Saunière morreu sozinho, aqui dentro.

Langdon recordou a fotografia do corpo de Saunière. Dizem que fez aquilo a si mesmo. Olhou para o interminável corredor que se estendia diante deles.

— Onde está então o corpo?

Fache endireitou o seu cruciforme alfinete de gravata e começou a caminhar.

— Como provavelmente sabe, a Grande Galeria é muito comprida.

O comprimento exato, se Langdon bem recordava, era de cerca dequatrocentos e cinquenta metros, o equivalente a três Washington Monuments postos a seguir uns aos outros. E a largura do corredor era igualmente impressionante, podendo com toda a facilidade acomodar dois vagões de passageiros lado-a-lado. Ao longo do centro, a espaços irregulares, distribuíam-

se estátuas ou grandes urnas de porcelana, que faziam o papel de separador e obrigavam o fluxo de visitantes a fazer-se num sentido e no outro junto a paredes opostas.

Fache mantinha-se silencioso, avançando a passo rápido pelo lado direito da galeria, o olhar fixo em frente. Langdon sentia que era quase uma falta de respeito passar diante de tantas obras-primas sem fazer uma pausa, quanto mais não fosse para um olhar. Não que conseguisse ver qualquer coisa com esta luz, pensou.

O mortiço clarão avermelhado tr ouxe-lhe infelizmente à memória recordações da sua última experiência com iluminação não-invasiva nos Arquivos Secretos do Vaticano.

Era já o segundo e perturbador paralelo com a sua quase mortal aventura em Roma.

Voltou a pensar em Vittoria. Estivera ausente dos seus sonhos durante meses.

Mal conseguia acreditar que Roma tivesse sido apenas um ano antes; pareciam-lhe décadas.

Uma outra vida. A última vez que soubera dela, fora em Dezembro: um postal dizendo que ia a caminho do mar de Java para prosseguir as suas pesquisas...

qualquer coisa relacionada com o uso de satélites para monitorizar as migrações das mantas. Langdon não alimentara ilusões a respeito de uma mulher como Vittoria Vetra pudesse ser feliz vivendo em um campus universitário, mas o encontro de Roma despertara nele desejos que nunca imaginara poder sentir. A afinidade de uma vida inteira com o celibato e as liberdades simples que permitia fora de alguma maneira abalada... substituída por um inesperado vazio que parecia ter crescido durante o último ano.

Continuaram a avançar, sem que Langdon visse qualquer corpo.

— Jacques Saunière veio até tão longe?

— Monsieur Saunière sofreu um ferimento de bala no estômago. Morreu muito lentamente. Talvez mais de quinze ou vinte minutos. Era obviamente um homem de grande força pessoal.

Langdon voltou-se para ele, estupefato.

— A segurança demorou vinte minutos para chegar aqui?

— Claro que não. Os seguranças do museu responderam imediatamente ao

alarme e encontraram a Grande Galeria selada. Através da grade, ouviram alguém mexendo-se na extremidade mais distante do corredor, mas não conseguiam ver quem era. Gritaram, mas não obtiveram resposta. Assumindo que só podia tratar-se de um criminoso, seguiram o protocolo e chamaram a Polícia. Ocupamos as nossas posições quinze minutos mais tarde. Quando chegamos, erguemos a grade apenas o suficiente para podermos cassar por baixo dela, e mandei uma dúzia de agentes armados para o interior.

Percorreram toda a galeria, com o objetivo de encurralar o intruso.

— E?

— Não encontraram ninguém aqui dentro. Exceto... — apontou mais para o fundo do corredor — ele.

Langdon ergueu os olhos e seguiu a direção do dedo estendido de Fache. De início, pensou que o capitão estava apontando para uma grande estátua de mármore colocada no meio da galeria. Mas, continuando a avançar, começou a ver além da estátua. Trinta metros mais à frente, um projetor isolado montado em um suporte apontava para o chão, criando uma crua mancha de luz branca na avermelhada escuridão circundante. No centro da poça de luz, como um inseto sob as lentes de um microscópio, o corpo do conservador Saunière jazia nu no chão de parquet.

— Viu a fotografia — disse Fache —, de modo que isto não constituirá surpresa.

Langdon sentiu um grande frio entranhar-se em seus ossos à medida que se aproximavam do corpo. À sua frente, estava uma das mais estranhas imagens que alguma vez vira.

O pálido cadáver de Jacques Saunière jazia no soalho de parquet exatamente como aparecia na foto. Debruçado para ele, de olhos semicerrados por causa da luz, Langdon recordou a surpresa que sentira ao saber que Saunière passara os últimos dez minutos de vida dispondo seu próprio corpo daquela estranha maneira.

O conservador parecia notavelmente vigoroso para um homem da sua idade...

e toda a sua musculatura estava bem à vista. Despojara-se de todas as peças de roupa, que deixara cuidadosamente dobradas no chão, e deitara-se de costas no centro da larga galeria, perfeitamente alinhado com o eixo do corredor. Tinha os braços e as pernas bem abertos e esticados para fora, como uma criança

preparando-se para dar um mergulho em uma piscina... ou, talvez mais exatamente, como um homem a ser esquartejado por uma qualquer força invisível.

Logo abaixo do esterno, uma mancha de sangue assinalava o ponto onde a bala trespassara a carne. A ferida sangrara surpreendentemente pouco, deixando apenas uma pequena poça de sangue escuro.

Também o indicador da mão esquerda estava ensanguentado. Aparentemente, Saunière mergulhara-o na ferida para criar o mais perturbador aspecto da tétrica cena; usando o seu próprio sangue como tinta e a pele nua do ventre como tela, desenhara um símbolo simples: cinco segmentos de reta que se intersectavam para formar uma estrela de cinco pontas.

O pentáculo.

A estrela sangrenta, centrada no umbigo, dava ao cadáver uma irrecusável aura demoníaca. A foto que vira já era suficientemente arrepiante, mas agora, ao testemunhar aquilo em pessoa, Langdon sentiu um mal-estar crescente.

Jacques Saunière fez isto a si mesmo.

— Senhor Langdon? — Os olhos escuros de Fache estavam cravados nele.

— É um pentáculo — disse Langdon, com uma voz que soou cava naquele espaço enorme. — Um dos símbolos mais antigos do mundo. Já era usado quatro mil anos antes de Cristo.

— E que significa?

Langdon hesitava sempre que lhe faziam aquela pergunta. Explicar a alguém o que um símbolo “significava” era como dizer-lhe como uma determinada canção devia fazê-lo sentir-se — era diferente de pessoa para pessoa. Nos Estados Unidos, um capuz branco do Ku Klux Klan evocava imagens de ódio e racismo, ao passo que, na Espanha, a mesma indumentária tinha um significado de fé religiosa.

— Os símbolos têm significados diferentes em contextos diferentes — disse.

— Essencialmente, o pentáculo é um símbolo religioso pagão.

Fache assentiu.

— Culto do diabo.

— Não — corrigiu Langdon, percebendo imediatamente que a sua escolha de palavras devia ter sido mais clara.

Atualmente, o termo pagão tornara-se quase sinônimo de culto do diabo —

uma interpretação grosseiramente errada. Na realidade, as raízes da palavra remontavam ao latim paganus, que significa habitantes do campo. Os “pagãos”

eram literalmente pessoas do campo não doutrinadas que continuavam agarradas às antigas religiões rurais do culto da Natureza. Tão forte era, de fato, o medo que a Igreja tinha dos habitantes das aglomerações rurais que o outrora inócuo termo “vilão” — o que vive numa aldeia ou vila — acabara por designar uma pessoa má.

— O pentáculo — esclareceu Langdon — é um símbolo pré-cristão relacionado com o culto da Natureza. Os antigos imaginavam o mundo em que viviam dividido em duas metades: masculino e feminino. Os seus deuses e deusas esforçavam-se por manter o equilíbrio de poder. Yin e Yang. Quando o masculino e o feminino estavam equilibrados, havia harmonia no mundo.

Quando se desequilibravam, havia caos. — Apontou para o estômago de Saunière. — Este pentáculo representa o lado feminino de todas as coisas... um conceito a que os historiadores da religião chamam “sagrado feminino” ou

“deusa divina”. Jacques Saunière o sabia melhor do que ninguém.

— Monsieur Saunière desenhou o símbolo de uma deusa no estômago?

Langdon teve de admitir que parecia estranho.

— Na sua interpretação mais específica, o pentáculo simboliza Vênus... a deusa do amor sexual e da beleza femininos.

Fache olhou para o homem nu e resmungou qualquer coisa.

— A religião antiga baseava-se na ordem divina da Natureza. A deusa Vênus e o planeta Vênus eram uma e a mesma coisa. A deusa tinha o seu lugar no céu noturno e era conhecida por muitos nomes: Vênus, Estrela do Oriente, Ishtar, Astarte..., todos eles poderosos conceitos femininos com ligações à Natureza e à Mãe Terra.

Fache parecia ainda mais perturbado, como se de algum modo preferisse a ideia do culto do diabo.

Langdon decidiu não lhe revelar a mais surpreendente propriedade do pentáculo: a origem gráfica da sua ligação a Vênus. Ainda jovem estudante de Astronomia, ficara estupefato ao saber que o planeta Vênus traçava, de oito em oito anos, um pentáculo perfeito céu eclíptico. Tão espantados tinham os Antigos ficado ao observar o fenômeno, que Vênus e o seu pentáculo se

tornaram símbolo de perfeição, beleza e das qualidades cíclicas do amor sexual.

Em um tributo à magia de Vênus, os Gregos usavam o seu ciclo de oito anos para organizar os Jogos Olímpicos. Atualmente, poucas pessoas sabem que o calendário quadrienal das Olimpíadas modernas continua a seguir os meios-ciclos de Vênus. E menos ainda sabem que a estrela de cinco pontas esteve muito perto de se tornar o emblema olímpico oficial, tendo sido substituída na última hora pelos cinco anéis entrelaçados, que refletem melhor o espírito de inclusão e harmonia dos Jogos.

— Senhor Langdon — disse Fache, abruptamente —, é evidente que o pentáculo tem também de estar relacionado com o diabo. Os seus filmes de terror deixam esse ponto bem claro.

Langdon franziu o sobrolho. Obrigado, Hollywood. A estrela de cinco pontas tornara-se um chavão praticamente obrigatório nos filmes a respeito de assassinos psicopatas satânicos, geralmente desenhada nas paredes do apartamento de um satanista juntamente com outra pretensa simbologia demoníaca. Langdon ficava sempre frustrado quando via o símbolo neste contexto; as verdadeiras origens do pentáculo eram na realidade até muito divinas.

— Garanto-lhe — disse — que, a despeito do que possa ver nos filmes, a interpretação demoníaca do pentáculo é historicamente inexata. O significado original feminino é correto, mas o simbolismo do pentáculo tem sido distorcido ao longo dos milênios. Neste caso, através do derramamento de sangue.

— Receio não estar compreendendo.

Langdon olhou para o crucifixo de Fache, sem saber muito bem como expor o que queria dizer.

— A Igreja, meu caro senhor. Os símbolos são muito resistentes, mas o pentáculo foi alterado pela Igreja Católica primitiva. No âmbito das campanhas do Vaticano para erradicar as religiões pagãs e converter as massas ao cristianismo, a Igreja lançou uma campanha de difamação contra os deuses e deusas pagãos, apresentando os respectivos símbolos como ligados ao mal.

— Continue.

— É um expediente muito comum em épocas de agitação. O novo poder emergente apodera-se dos símbolos existentes e degrada-os ao longo do tempo em uma tentativa de apagar-lhes o significado. Na batalha entre os símbolos

pagãos e os símbolos cristãos, os pagãos foram derrotados; o tridente de Poseidon tornou-se a forquilha do diabo, o chapéu pontiagudo da mulher sábia passou a ser o emblema da bruxa, e o pentáculo de Vênus converteu-se no sinal do diabo. — Langdon fez uma pausa. —

Infelizmente, também a instituição militar americana perverteu o pentáculo, que é hoje um dos principais símbolos da guerra. Nós o pintamos nos nossos caças a jato e o usamos nos ombros dos nossos generais. — Triste sorte para a deusa do amor e da beleza.

— Interessante. — Fache fez um sinal na direção do cadáver de pernas e braços abertos. — E a posição do corpo? Como a interpreta?

Langdon encolheu os ombros.

— A posição apenas reforça a referência ao pentáculo e ao sagrado feminino.

A expressão de Fache ensombreceu.

— Desculpe?

— Repetição. Repetir um símbolo é a maneira mais simples de reforçar-lhe o significado. Jacques Saunière colocou-se na forma de uma estrela de cinco pontas. — Se um pentáculo é bom, dois pentáculos é melhor.

Fache seguiu com osolhos os cinco pontos definidos pela cabeça, mãos e pés do cadáver e voltou a passar a mão pelos cabelos cheios de gel.

— Uma análise interessante. — Fez uma pausa. — E a nudez? — Quase que grunhiu a palavra, parecendo achar repelente a visão do corpo de um velho. —

Porque foi que ele se despiu?

Boa pergunta, pensou Langdon. Andava remoendo-a desde que vira a fotografia.

O seu melhor palpite era que um corpo hum ano nu constituía mais uma referência a Vênus, a deusa da sexualidade humana. Apesar de a cultura moderna ter eliminado a maior parte da associação de Vênus à união física homem/mulher, um olho etimológico atento conseguia ainda distinguir vestígios do significado original de Vênus na palavra “venérea”. Langdon decidiu não seguir por aí.

— Senhor Fache, não posso obviamente dizer-lhe porque foi que o senhor Saunière desenhou esse símbolo no seu próprio ventre nem porque se colocou dessa maneira, mas posso dizer-lhe que um homem como Jacques Saunière

consideraria o pentáculo como sinal da divindade feminina. A correlação entre este símbolo e o sagrado feminino é bem conhecida dos historiadores de arte e dos simbologistas.

— Muito bem. E o uso do seu próprio sangue como tinta?

— Obviamente, não tinha mais nada com que escrever.

Fache manteve-se silencioso por instantes.

— Na realidade, estou convencido de que usou sangue para que a Polícia pudesse seguir certos procedimentos forenses.

— Perdão?

— Olhe para a mão esquerda dele.

Langdon examinou o pálido braço do conservador desde o cotovelo até à mão, mas nada viu. Inseguro, contornou o corpo e ajoelhou-se, notando então, surpreendido, que Saunière segurava entre os dedos um grande marcador de ponta de feltro.

— Tinha-o na mão quando o encontramos — disse Fache, afastando-se alguns metros até uma pequena mesa portátil coberta de ferramentas de investigação, cabos e vários aparelhos eletrônicos.

— Como lhe disse — continuou, procurando entre os objetos que cobriam a mesa —, não tocamos em nada. Conhece esse tipo de caneta?

Langdon inclinou-se um pouco mais para ver a marca.

STYLO DE LUMIERE NOIRE.

Ergueu os olhos, surpreendido.

A caneta de luz negra, ou de marca de água, era um marcador de ponta de feltro especial originariamente concebido para ser usado pelos museus, restauradores e Polícia para pôr marcas invisíveis nos mais variados objetos.

Utilizava uma tinta à base de álcool, fluorescente e não corrosiva, visível apenas à luz negra. Atualmente, o pessoal de manutenção dos museus usava-as nas suas rondas diárias para marcar as molduras dos quadros que necessitassem de restauração.

Enquanto Langdon se punha de pé, Fache aproximou-se do projetor e desligou-o.

A galeria mergulhou em súbita escuridão.

Momentaneamente cego, Langdon sentiu-se invadir por uma crescente incerteza.

A silhueta de Fache reapareceu, iluminada por uma intensa luz púrpura.

Aproximou-se, transportando uma fonte de luz portátil que o envolvia numa névoa violeta.

— Como talvez saiba — disse, com os olhos brilhando no clarão violeta —, a Polícia usa a luz negra para investigar locais de crimes em busca de sangue e outras provas científicas. Pode, então, imaginar a nossa surpresa... —

Repentinamente, apontou a luz para o cadáver.

Langdon olhou para baixo e deu um salto para trás.

O coração batia-lhe descompassadamente enquanto contemplava a estranha visão que brilhava à sua frente no soalho de parquet. Traçadas em letras luminescentes, as derradeiras palavras de Jacques Saunière refulgiam em tons púrpura ao lado do cadáver. Ao ver o que estava escrito, Langdon sentiu o nevoeiro que envolvera toda aquela noite tornar-se ainda mais denso. Voltou a ler a mensagem e ergueu os olhos para Fache.