O Código Da Vinci

Dan Brown · Capítulo 10 de 109

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O Código Da Vinci

Capítulo Sete

— Que raio é que isto significa?

Os olhos de Fache cintilaram com um brilho branco.

— Essa é, monsieur, precisamente a pergunta a que pretendo que responda.

Não muito longe dali, no gabinete de Saunière, o tenente Collet, que regressara ao Louvre, estava inclinado para o console de um rádio pousado em cima da enorme mesa do conservador. Com exceção da estr anha figura do pequeno guerreiro medieval que parecia observá-lo de um canto da mesa, sentia-se perfeitamente à vontade. Ajustou os auscultadores e verificou os níveis de entrada no sistema de gravação do disco rígido.

Tudo no verde. Os microfones funcionavam perfeitamente e a recepção era impecável.

Le moment de véríté, murmurou.

Sorrindo, fechou os olhos e acomodou-se para saborear o resto da conversa que estava sendo gravada no interior da Grande Galeria.

C A P Í T U L O 7

O modesto apartamento dentro da igreja de Saint-Sulpice situav a-se no segundo piso, à esquerda da varanda do coro. Duas divisões com chão de pedra e um mínimo de mobiliário que serviam de casa à irmã Sandrine Biel havia mais de uma década. O convento, ali próximo, fora a sua residência anterior, mas ela preferia o silêncio e a calma da igreja e instalara-se muito confortavelmente com uma cama, um telefone e um aquecedor.

Como conservatrice d’affaires da igreja, a irmã Sandrine era responsável por todos os aspectos não religiosos do funcionamento do templo — manutenção geral, contratar pessoal de apoio e guias, encomendar abastecimentos como vinho para a eucaristia e hóstias.

Naquela noite, adormecida na sua estreita cama, foi acordada pelo retinir estridente da campainha do telefone. Ensonada, levantou o auscultador.

— Soeur Sandrine. Église Saint-Sulpic e.

— Olá, irmã — disse o homem, em francês.

A irmã Sandrine sentou-se na cama. Que horas são? Reconheceu a voz do chefe, apesar de, em quinze anos, nunca ter sido acordada por ele. O abade era um homem profundamente piedoso, que ia para casa e para a cama logo a seguir à missa.

— Peço desculpas por tê-la acordado, irmã — continuou o abade, parecendo ele próprio um pouco confuso e nervoso. — Tenho de lhe pedir um favor. Acabo de receber uma chamada de um influente bispo americano. Talvez o conheça?

Manuel Aringarosa?

— O chefe da Opus Dei?

Claro que o conheço. Quem, na Igreja, o não conhece? A prelatura

conservadora de Aringarosa crescera em poder nos últimos anos. A sua ascensão ao estado de graça fora em 1982, quando João Paulo II a elevara ines peradamente “prelatura pessoal do Papa”, sancionando oficialmente todas as práticas. Por uma coincidência que não podia ser inocente, a elevação da Opus Dei ocorrera no mesmo ano em que a riquíssima seita alegadamente transferira quase um bilhão de dólares para o Instituto do Vaticano para as Obras Religiosas

— vulgarmente conhecido como Banco do Vaticano — salvando-o de uma embaraçosa bancarrota. Numa segunda manobra que fizera arquear mais de uma sobrancelha, o Papa pusera o fundador da Opus Dei na “via-rápida” para a santidade, reduzindo um período de espera pela canonização que com frequência se arrastava por um século a uns meros vinte anos. A irmã Sandrine não conseguia impedir-se de pensar que o estudo de graça de que a Opus Dei gozava em Roma era suspeito, mas com a Santa Sé não se discutia.

— Sua Eminência o bispo Aringarosa telefonou-me pedindo um favor —

explicou o abade, nervosamente. — Um dos seus numerários está esta noite em Paris...

Enquanto ouvia o estranho pedido, a irmã Sandrine sentia-se cada vez mais confusa.

— Desculpe, está dizendo que esse numerário não pode esperar até amanhã?

— Receio que não. O avião parte muito cedo. E ele sempre sonhou ver Saint-Sulpice.

— Mas a igreja é muito mais interessante durante o dia. Os raios de sol entrando pelo óculo, as sombras graduadas do gnómon, é isso que torna Saint-Sulpice única.

Concordo, irmã. No entanto, consideraria um favor especial se o deixasse entrar hoje à noite. Ele pode aí estar... digamos, à uma? Dentro de vinte minutos.

A irmã Sandrine franziu o sobrolho.

— Com certeza, terei muito gosto.

O abade agradeceu-lhe e desligou.

Intrigada, a irmã Sandrine deixou-se ficar mais uns instantes no calor da cama, tentando sacudir as teias de aranha do sono. O seu corpo de sessenta anos já não acordava tão prontamente como em outros tempos, embora o telefonema daquela noite lhe tivesse sem dúvida excitado os sentidos. A Opus Dei sempre a