O Código Da Vinci
Capítulo Noventa e Nove
O ranger de gonzos atrás deles os fez voltarem-se no instante em que a pesada porta se fechava com uma pancada surda e a lingueta de uma fechadura encaixava no seu lugar. O homem que estivera escondido atrás da enorme placa de madeira tinha um ar perfeitamente calmo enquanto lhes apontava um pequeno revólver. Corpulento e pesado, apoiava-se a duas muletas de alumínio.
Por um instante, Langdon pensou que devia estar sonhando.
Era Leigh Teabing.
C A P Í T U L O 99
Sir Leigh Teabing sentia-se pesaroso enquanto olhava, por cima do cano do revólver, para Robert Langdon e Sophie Neveu.
— Meus amigos — disse —, desde o momento em que entraram em minha casa, a noite passada, tenho feito todo o possível para que não lhes aconteça nenhum mal. Mas a sua persistência coloca-me agora em uma situação difícil.
Via as expressões de choque e condenação nos rostos de Langdon e Sophie, mas estava mesmo assim convencido de que em breve ambos compreenderiam a cadeia de acontecimentos que os tinha levado aos três àquela inesperada encruzilhada.
— Há tanta coisa que preciso de lhes contar... tanta coisa que têm de compreender.
— Por favor, acreditem — continuou —, nunca tive a menor intenção de envolver qualquer dos dois. Vocês foram a minha casa. Vocês é que me procuraram.
— Leigh? — conseguiu Langdon finalmente dizer. — Que diabo está fazendo? Pensamos que estava em perigo. Viemos aqui para ajudá-lo!
— Como eu sabia que fariam — respondeu Teabing. — Temos muito que discutir.
Langdon e Sophie pareciam incapazes de desviar os olhares aturdidos do revólver apontado para eles.
— É apenas para garantir a sua plena atenção — justificou-se Teabing. — Se eu quisesse fazer-lhes mal, já estariam mortos. Quando apareceram em minha casa ontem à noite, arrisquei tudo para lhes salvar a vida. Sou um homem de honra, e jurei na minha própria consciência sacrificar apenas aqueles que tinham
traído o Sangreal.
— De que você está falando? — perguntou Langdon. — Trair o Sangreal?
— Descobri uma verdade terrível — disse Teabing, com um suspiro. —
Soube por que razão os documentos Sangreal nunca foram revelados ao mundo.
Descobri que o Priorado tinha acabado por decidir não desvendar a verdade. Por isso o milênio passou sem qualquer revelação, por isso nada aconteceu quando entramos no Fim dos Dias.
Langdon inspirou fundo, preparando-se para protestar.
— O Priorado — continuou Teabing — foi incumbido da missão sagrada de partilhar a verdade. De revelar os documentos Sangreal quando chegasse o Fim dos Dias. Durante séculos, homens como da Vinci, Botticelli e Newton arriscaram tudo para proteger os documentos e permitir que a missão fosse cumprida. E então, no momento da verdade, Jacques Saunière mudou de ideia. O
homem honrado com a maior responsabilidade da história da cristandade fugiu ao cumprimento do seu dever. Decidiu que não chegara ainda o momento. —
Voltou-se para Sophie. — Traiu o Graal. Traiu o Priorado. E traiu a memória de todas as gerações que trabalharam para tornar esse momento possível.
— Você? — exclamou Sophie, erguendo os olhos verdes e cravando-os nele com espanto e raiva. — Foi você o responsável pelo assassinato do meu avô?
Teabing bufou depreciativamente.
— O seu avô e os senescais eram traidores ao Graal.
Sophie sentiu a fúria crescer-lhe dentro do peito. Ele está mentindo!
— O seu avô vendeu-se à Igreja — insistiu Teabing, inflexível. — É evidente que o pressionaram para que mantivesse a verdade escondida.
Sophie abanou a cabeça.
— A Igreja nunca teve qualquer influência no meu avô!
Teabing riu friamente.
— Minha querida, a Igreja tem dois mil anos de experiência em pressionar aqueles que ameaçam denunciar-lhe as mentiras. Desde os tempos de Constantino, a Igreja tem conseguido ocultar a verdade a respeito de Maria Madalena e de Jesus. Não deve espantar-nos que agora, uma vez mais, tenha sabido encontrar a maneira de manter o mundo às escuras. Já não pode utilizar cruzados para chacinar os “infiéis”, mas nem por isso a sua influência é menos
persuasiva. Nem menos insidiosa. — Fez uma pausa, como que para sublinhar o ponto seguinte. — Menina Neveu, há já algum tempo que o seu avô queria dizer-lhe a verdade a respeito da sua família.
Sophie ficou siderada.
— Como é que pode saber uma coisa dessas?
— Os meus métodos não vêm ao caso. O que é importante que compreenda neste momento é o seguinte. — Inspirou fundo. A morte da sua mãe, do seu pai, da sua avó e do seu irmão não foi acidental.
As palavras lançaram as emoções de Sophie para o meio de um turbilhão.
Abriu a boca para falar, mas não foi capaz.
Langdon abanou a cabeça.
— Que está dizendo?
— Robert, explique tudo. Todas as peças encaixam. A História repete-se. A Igreja tem antecedentes de assassinato no que respeita a silenciar o Sangreal.
Com o Fim dos Dias eminente, matar os entes queridos do Grão-Mestre seria enviar uma mensagem muito clara. Fique calado, ou você e Sophie são os próximos.
— Foi um acidente — gaguejou Sophie, sentindo o desgosto da infância subindo-lhe do fundo da alma. — Um acidente!
— Histórias da carochinha para proteger a sua inocência — respondeu Teabing. — Tenha em conta que só dois membros da família foram poupados: o Grão-Mestre do Priorado e a única neta que lhe restava. O par perfeito para proporcionar à Igreja controle sobre a irmandade. Só posso im aginar o terror que a Igreja fez pesar sobre a cabeça do seu avô nestes últimos anos, ameaçando matá-la se ele ousasse revelar o segredo Sangreal, ameaçando terminar o trabalho que já tinha começado a menos que Saunière convencesse o Priorado a reconsiderar um voto antigo.
— Leigh — argumentou Langdon, agora visivelmente irritado, com certeza não tem quaisquer provas de que a Igreja teve alguma coisa a ver com aquelas mortes, ou que influenciou a decisão do Priorado de guardar silêncio.
— Provas? — respondeu Teabing. — Quer provas de que o Priorado foi influenciado?
O novo milênio chegou, e no entanto o mundo continua na ignorância! Não
será prova bastante?
No eco da voz de Teabing, Sophie ouviu uma outra voz falando. Sophie, tenho de dizer a verdade a respeito da sua família. Percebeu que estava tremendo. Seria aquela a verdade que o avô quisera contar-lhe? Que a família dela fora assassinada? Que sabia ela verdadeiramente a respeito do acidente que lhe levara a família? Apenas pormenores dispersos. Até as notícias nos jornais tinham sido vagas. Um acidente? História da carochinha? Lembrou-se repentinamente da superproteção do avô, de como ele nunca gostava de deixá-la sozinha quando era pequena. Mesmo quando já era crescida e estava na universidade, sempre tivera a sensação de que o av ô a vigiava. Perguntou a si mesma se teria havido membros do Priorado escondidos na sombra, velando por ela durante toda a sua vida.
— Suspeitou que ele estava sendo manipulado — disse Langdon, olhando para Teabing com raiva e incredulidade. — E assassinou-o por isso?
— Não puxei o gatilho — respondeu Teabing. — Saunière morreu há muitos anos, quando a Igreja lhe roubou a família. Estava comprometido. Agora está liberto dessa dor, liberto da vergonha de não ter sabido cumprir o seu dever sagrado. Considere a alternativa. Era preciso fazer qualquer coisa. O mundo deverá permanecer ignorante para sempre? Deveremos permitir que a Igreja cimente as suas mentiras nos nossos livros de História para toda a eternidade? Deveremos permitir que a Igreja exerça indefinidamente a sua influência através do assassinato e da extorsão? Não, era preciso fazer qualquer coisa! E agora cabe a nós o dever de cumprir o legado de Jacques Saunière e corrigir um grande erro.
— Fez uma pausa. — Nós três. Juntos.
Sophie sentia apenas incredulidade.
— Como é possível que espere que o ajudemos?
— Porque, minha querida, foi você a razão por que o Priorado não revelou os documentos. O amor que o seu avô tinha por você o impediu de desafiar a Igreja.
O medo de represálias contra a única família que lhe restava paralisou-o. Nunca teve oportunidade de explicar a verdade porque você o rejeitou, amarrando-lhe as mãos, obrigando-o a esperar. Agora, deve ao mundo a verdade. Deve-o à memória do seu avô.
Robert Langdon tinha desistido de tentar orientar-se. A despeito da torrente de perguntas que lhe corria pelo espírito, sabia que naquele momento só uma coisa
importava: tirar Sophie dali com vida. Toda a culpa que antes erradamente sentira por causa de Teabing se transferia agora para Sophie.
Levei-a a Château Villette.
Sou responsável.
Não conseguia imaginar que Teabing fosse capaz de matá-los, a sangue-frio, ali na Casa do Capítulo, e no entanto, Teabing estivera sem a menor dúvida envolvido em outras mortes durante a sua transviada procura. Teve a desconfortável sensação de que ninguém ouviria dois tiros disparados dentro daquela sala isolada, de grossas paredes de pedra, sobretudo com a chuvada que estava caindo. E ele acaba de admitir que é culpado.
Olhou para Sophie, que parecia abalada. A Igreja assassinou a família dela para silenciar o Priorado? Tinha certeza de que a Igreja moderna não mandava assassinar pessoas. Tinha de haver outra explicação.
— Deixe Sophie ir — disse Langdon, olhando para Teabing. — Nós os dois discutimos isto sozinhos.
Teabing deixou escapar uma gargalhada forçada.
— Receio ser uma prova de boa-fé que não posso me permitir. Posso, no entanto, oferecer-lhe isto. — Apoiou-se nas muletas, mantendo a arma desajeitadamente apontada para Sophie, e tirou o criptex do bolso. Cambaleou um pouco quando o estendeu a Langdon. — Uma prova de confiança, Robert.
Langdon, desconfiado, não se mexeu. Leigh está nos devolvendo a Chave de Abóbada?
— Aceite-o — insistiu Teabing, estendendo-o na direção de Langdon, que só conseguia imaginar uma razão para ele devolvê-lo.
— Já o abriu. Tirou o mapa.
Teabing estava abanando a cabeça.
— Robert, se tivesse descoberto a senha da Chave de Abóbada, já teria desaparecido para ir procurar o Graal sozinho, sem envolver a vocês. Não, não sei a resposta. E não me importo de admitir. Um verdadeiro cavaleiro aprende a ser humilde face ao Graal. Aprende a obedecer aos sinais postos diante dos seus olhos. Quando os vi entrar na igreja, compreendi. Estavam ali por uma razão.
Para ajudar. O que procuro aqui não é a glória pessoal. Sirvo algo muito maior do que o meu orgulho. A Verdade. A humanidade merece conhecer a verdade. O
Graal encontrou a todos nós, e agora ela pede para ser revelada. Temos de trabalhar juntos.
Apesar dos seus pedidos de cooperação e confiança, Teabing manteve a arma apontada para Sophie enquanto Langdon avançava e aceitava o frio cilindro de ônix. O vinagre contido na ampola gorgolejou quando o pegou e voltou a recuar.
Os anéis continuavam dispostos em ordem aleatória e o criptex fechado.
Langdon olhou para Teabing.
— Como é que sabe que não o parto agora mesmo.
O riso de Teabing foi uma gargalhada estranha.
— Devia ter compreendido que a sua ameaça de parti-lo em Temple Church era vã.
Robert Langdon nunca quebraria a Chave de Abóbada. É um historiador, Robert. Tem nas mãos a Chave de dois mil anos de História... a Chave perdida do Sangreal. Sente as almas de todos os cavaleiros que morreram queimados para proteger o segredo.
Permitiria que tivessem morrido em vão? Não, quer vindicá-los. Irá juntar-se às fileiras dos grandes homens que admira... da Vinci, Botticelli, Newton...
qualquer dos quais se sentiria muito honrado se estivesse agora no seu lugar. O
conteúdo da Chave de Abóbada clama por nós. Quer ser libertado. É tempo. O
destino conduziu-nos a este momento.
— Não posso ajudá-lo, Leigh. Não faço ideia de como abrir isto. Só estive junto do túmulo de Newton por um instante. E mesmo que soubesse a senha... —
Langdon calou-se, compreendendo que já dissera muito.
— Não me diria? — Teabing suspirou. — Estou desapontado e surpreendido, Robert, pelo fato de não perceber a que ponto está em dívida para comigo. A minha tarefa teria sido muito mais simples se eu e Rémy os tivéssemos eliminado quando entraram em Château Villette. Em vez disso, arrisquei tudo para seguir o caminho mais nobre.
— Isto é nobre? — perguntou Langdon, olhando para a arma.
— A culpa é de Saunière — justificou-se Teabing. — Ele e os senescais mentiram ao Silas. Se não fosse isso, eu teria obtido a Chave de Abóbada sem a menor complicação.
Como podia eu imaginar que o Grão-Mestre iria a tal extremo para me
enganar e confiaria a Chave de Abóbada a uma neta que não lhe falava há anos?
— Olhou para Sophie com desdém. — Alguém tão pouco qualificada para deter este conhecimento que precisou de um simbologista para lhe servir de ama-seca.
— Voltou a olhar para Langdon.
— Felizmente, Robert, o seu envolvimento acabou por ser a minha salvação.
Em vez da Chave de Abóbada ficar para sempre fechada no cofre de um banco, tirou-a de lá e levou-a a minha casa.
Para que outro lugar poderia ter ido? pensou Langdon. A comunidade de historiadores do Graal é restrita, e nós os dois já nos conhecíamos. Teabing parecia agora muito satisfeito consigo mesmo.
— Quando soube que o Saunièr e lhes tinha deixado uma mensagem, fiquei quase com certeza de que se tratava de informações valiosas sobre o Priorado.
Não sabia, claro, se era a própria Chave de Abóbada ou informações sobre como encontrá-la. Mas com a Polícia mordendo seus calcanhares, tive um pressentimento de que acabariam por me bater à porta.
Langdon lançou-lhe um olhar furioso.
— E se não tivéssemos?
— Estava elaborando um plano para lhes oferecer ajuda. De um modo ou de outro, a Chave de Abóbada iria parar em Château Villette. O fato de terem ido depô-la nas minhas mãos só prova que a minha causa é justa.
— O quê? — Langdon estava estupefato.
— Silas devia entrar em Château Villette e roubar-lhes a Chave de Abóbada...
afastando-os assim da equação sem lhes fazer mal e exonerando-me de qualquer suspeita de cumplicidade. No entanto, quando percebi a complexidade dos códigos de Saunière, resolvi associá-los à minha investigação durante mais algum tempo. Podia mandar o Silas roubar a Chave de Abóbada mais tarde, quando eu já soubesse o suficiente para continuar sozinho.
— Temple Church — disse Sophie, com a voz cheia de indignação pela confiança traída.
Começa a fazer-se luz, pensou Teabing. Temple Church era o lugar ideal para roubar a Chave de Abóbada de Robert e Sophie, e a sua aparente relevância para o poema tornava-a um engodo plausível. As ordens que dera a Rémy tinham sido claras: manter-se escondido enquanto Silas recuperava a Chave de Abóbada.
Infelizmente, a ameaça de Langdon de destruir o criptex levara Rémy a entrar em pânico. Se ao menos ele não tivesse se mostrado, pensou Teabing, pesarosamente, recordando o seu próprio falso rapto. Rémy era a única ligação a mim, e revelou a identidade.
Felizmente, Silas continuara a ignorar a verdadeira identidade de Teabing e fora fácil convencê-lo a levá-lo da igreja e ficar em seguida ingenuamente sentado enquanto Rémy fingia amarrar e amordaçar o refém na parte de trás da limusine. com a divisória à prova de som levantada, Teabing pudera ligar para Silas, no banco da frente, usar o falso sotaque francês do Professor e dizer-lhe que fosse diretamente para a residência da Opus Dei. Uma simples denúncia anônima à Polícia seria o bastante para remover Silas da imagem.
Uma ponta solta atada. A outra ponta solta era mais difícil. Rémy.
Teabing debatera longamente a decisão consigo mesmo, mas, no fim, Rémy provara ser um perigo. Todas as demandas do Graal exigem sacrifícios. A solução mais simples para o problema estivera quase que saltando-lhe aos olhos de dentro do bar da limusine: um frasco de conhaque e uma lata de amendoins.
O pó no fundo da lata seria mais do que suficiente para disparar a mortal alergia do mordomo. Quando Rémy estacionara a limusine na parada dos Horse Guards, Teabing descera da limusine, aproximara-se da porta dianteira e sentara-se ao lado dele. Minutos mais tarde, voltara a descer, regressara à traseira do carro, limpar a as provas e finalmente saíra para a fase final da sua missão.
A abadia de Westminster ficava a curta distância, e apesar dasbraçadeiras das pernas, as muletas e a arma terem acionado o detetor de metais, os seguranças tinham ficado sem saber o que fazer. Pedimos-lhe que tire as braçadeiras e que passe de rastos? Revistamos-lhe o corpo deformado? Teabing apresentara aos atrapalhados guardas uma solução muito mais simples: um cartão gravado identificando-o como Cavaleiro do Reino. Os pobres diabos quase tinham se atropelado uns aos outros para deixá-lo entrar.
Agora, enquanto olhava para os espantados Langdon e Neveu, Teabing resistia ao desejo de revelar com que habilidade envolvera a Opus Dei na conjura que ia em breve atirar por terra toda a Igreja Católica. Mas isso teria de esperar. No momento, havia trabalho a fazer.
— Mes amis — declarou Teabing, em francês impecável —, vous ne trouvez pas le Saint-Graal, c’est le Saint-Graal qui vous trouve. — Sorriu. — O nosso
caminho juntos não podia ser mais claro. O Graal nos encontrou.
Silêncio.
Falou-lhes agora num murmúrio:
— Escutem. Será que não escutam? O Graal está nos falando através dos séculos.
Está nos pedindo que o salvemos da loucura do Priorado. Imploro a ambos que reconheçam esta oportunidade. Não seria possível juntar neste momento três pessoas mais capazes para decifrar o código final e abrir o criptex. — Fez uma pausa, com os olhos brilhantes. — Temos de fazer um juramento. Um juramento de lealdade entre nós. Um juramento de cavaleiro, de descobrir a verdade e revelá-la.
Sophie olhou bem no fundo dos olhos de Teabing e disse, em voz dura como o aço:
— Nunca farei um juramento com o assassino do meu avô. Exceto o juramento de que hei-de vê-lo numa prisão.