O Código Da Vinci
Capítulo Noventa e Seis
In London lies a knight A. Pope interred.
Sophie pôs-se de pé, estupefata.
Jacques Saunière, o mestre dos duplos-sentidos, provara mais uma vez ser um homem assustadoramente inteligente.
C A P Í T U L O 96
Silas acordou sobressaltado.
Não sabia o que o tinha acordado nem quanto tempo estivera dormindo.
Estava sonhando? Sentado na enxerga de palha, ficou escutando a respiração sossegada da Residência da Opus Dei, o silêncio povoado apenas pelo murmúrio de alguém rezando em voz alta em um quarto do piso inferior. Eram sons familiares, que deveriam ter-lhe parecido reconfortantes.
E no entanto, sentia-se súbita e inesperadamente alerta.
Levantou-se da enxerga, vestindo apenas a roupa interior, e aproximou-se da janela. Terei sido seguido? O pátio abaixo estava deserto, tal como o vira ao entrar.
Escutou. Silêncio. Porque estou então intranquilo? Havia muito que Silas aprendera a confiar na sua intuição. Fora a intuição que o mantivera vivo quando era um garoto nas ruas de M arselha, muito antes da prisão... muito antes de ter renascido pela mão do bispo Aringarosa. Olhando com mais atenç ão pela janela, viu a forma difusa de um carro através da sebe. No teto do carro havia uma sirene da Polícia. No corredor, uma tábua do soalho rangeu. A lingueta de uma porta moveu-se.
Silas reagiu por instinto, atravessando o quarto de um salto e escondendo-se atrás da porta no instante em que ela se abriu violentamente. O primeiro agente entrou de rompante, apontando a arma à esquerda e à direita para o que parecia ser um quarto vazio. Antes que o policial conseguisse perceber onde Silas se metera, o albino empurrou a porta com o ombro, fazendo-a bater com força no segundo agente, que vinha entrando.
Quando o primeiro rodou sobre si mesmo e disparou, Silas mergulhou-lhe aos
pés e a bala passou-lhe, inofensiva, por cima da cabeça. Chocou contra as pernas do homem, fazendo-o cair e bater com a cabeça no chão. No umbral da porta, o segundo agente estava a pondo-se de pé, cambaleante. Silas acertou-lhe uma joelhada na virilha e saltou, por cima do corpo que se contorcia, para o corredor.
Quase nu, precipitou-se escada abaixo. Sabia que tinha sido traído, mas por quem? Quando chegou ao vestíbulo, havia mais políciais entrando pela porta da frente.
Fez meia volta e correu para o interior da Residência. A entrada das mulheres.
Todos os edifícios da Opus Dei têm uma. Seguindo os estreitos corredores, atravessou a cozinha, enxotando à sua frente as aterrorizadas criadas, atirando ao chão tachos e panelas, até chegar ao escuro corredor junto à casa da caldeira. Viu a porta que procurava, uma luz de saída brilhando ao fundo.
Correndo a toda a velocidade, saiu para a chuva, saltou do pequeno patamar, e só viu o agente que corria em sentido contrário quando já era muito tarde. Os dois homens se chocaram, e o maciço ombro nu de Silas bateu no esterno do homem com uma força esmagadora. Levado pelo impuls o, empurrou o policial à sua frente até o passeio, caindo em cima dele. A arma que o agente empunhava escapou-lhe da mão e escorregou pelo empedrado. Silas ouvia homens correndo pelo corredor, gritando. Rolando sobre si mesmo, apanhou a arma caída no instante em que os agentes apareciam à porta. Uma arma disparou e Silas sentiu uma dor dilacerante abaixo das costelas. Cheio de raiv a, abriu fogo contra os três agentes, vendo o sangue deles esguichar.