O Código Da Vinci

Dan Brown · Capítulo 52 de 109

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O Código Da Vinci

Capítulo Quarenta e Nove

— Lamento muito — disse. — Não tenho verdadeiramente por onde escolher.

C A P Í T U L O 49

Vernet parecia pouco à vontade com uma pistola na mão, mas havia nos olhos dele uma determinação que Langdon sentiu não ser sensato pôr à prova.

— Receio ter de insistir — disse Vernet, apontando-lhes a arma da traseira do furgão.

— Colque a caixa no chão.

Sophie apertou-a contra o peito.

— Disse que o senhor e o meu avô eram amigos.

— Tenho o dever de proteger os bens do seu avô — respondeu Vernet. — E é exatamente o que estou fazendo. Agora, coloque a caixa no chão.

— O meu avô a confiou a mim! — protestou Sophie.

— Faça o que lhe digo — ordenou Vernet, erguendo a arma. Sophie colocou a caixa no chão.

Langdon viu o cano da pistola rodar na direção dele.

— Senhor Langdon — continuou Vernet —, faça o favor de traze-la. E tenha presente que o peço a si porque, no seu caso, não hesitarei em disparar.

Langdon ficou olhando para o banqueiro, incrédulo.

— Porque é que está fazendo isto?

— Porque será? — replicou Vernet, em inglês que a tensão tornava mais duro.

— Para proteger os bens do meu cliente.

— Nós é que somos agora o seu cliente — disse Sophie.

O rosto de Vernet tornou-se frio como gelo, uma estranha transformação.

— Mademoiselle Neveu, ignoro como conseguiu esta noite essa chave e o número da conta, mas me parece óbvio que não foi pelos meios mais lícitos. E se

soubesse no momento a extensão dos seus crimes, nunca os teria ajudado a sair do banco.

— Já lhe disse que não tivemos nada a ver com a morte do meu avô!

Vernet olhou para Langdon.

— E no entanto, a Polícia afirma que é procurado não só pelo assassínio de Jacques Saunière, mas também pelos de três outros homens.

— O quê? — Langdon estava siderado. Três outros assassinatos? A coincidência do número foi um choque maior do que ser o principal suspeito.

Não, não podia ser simples fruto do acaso. Os três senescais? Baixou os olhos para a caixa de nogueira. Se os senescais foram assassinados, Saunière não podia fazer outra coisa. Tinha de passar a Chave de Abóbada a alguém.

— A Polícia que resolva o assunto quando eu os entregar continuou Vernet.

— Já comprometi demais o meu banco.

Sophie fuzilou-o com o olhar.

— É evidente que não pretende nos entregar. Se fosse assim, teria nos levado de volta ao banco. Em vez disso, nos trouxe até aqui e nos aponta uma arma.

— O seu avô me contratou por uma razão: manter os bens que me confiou a salvo de cobiçase de indiscrições. Seja o que for que está dentro dessa caixa, não tenho a mínima intenção de permitir que vá fazer parte de uma lista de provas em qualquer investigação policial. Senhor Langdon, traga-me a caixa.

Sophie abanou a cabeça.

— Não.

A arma disparou e uma bala cravou-se na parede metálica por cima deles. A detonação ecoou dentro do furgão, seguida pelo som do invólucro vazio caindo no chão.

Merda! Langdon ficou petrificado.

— Senhor Langdon, pegue a caixa — ordenou Vernet, num tom mais confiante.

Langdon obedeceu.

— Agora traga-a até aqui. — Vernet apontava-lhes a arma de fora do furgão, de pé junto ao para-choques traseiro, com o braço estendido para dentro da caixa de carga.

Langdon avançou para as portas abertas.

Tenho de fazer qualquer coisa, pensou. Estou me preparando para entregar a Chave de Abóbada do Priorado! Ao caminhar para a porta, a sua posição a um nível mais elevado tornou-se mais pronunciada, e Langdon perguntou a si mesmo se haveria algum modo de tirar partido do fato. A arma de Vernet, mesmo levantada, ficava à altura dos joelhos dele. Um pontapé bem colocado, talvez? Infelizmente, à medida que Langdon se aproximava, Vernet pareceu adivinhar a perigosa dinâmica que estava desenvolvendo-se e recuou vários passos, colocando-se a dois metros de distância. Bem fora do alcance de qualquer ataque.

— Coloque a caixa no chão, junto à porta — ordenou Ver net.

Sem outra alternativa, Langdon ajoelhou e pousou a caixa de roseira na beira da caixa de carga, diretamente em frente das portas abertas.

— Agora ponha-se de pé.

Langdon começava a endireitar-se quando viu o pequeno invólucro ejetado pela arma de Vernet caído no chão junto ao batente inferior das portas do furgão.

— Ponha-se de pé e afaste-se da caixa.

Langdon demorou um pouco mais, examinando a soleira de metal.

Endireitou-se.

E, ao fazê-lo, empurrou discretamente o pequeno invólucro por cima do batente e para o estreito rebordo onde as portas encaixavam hermeticamente. Já de pé, recuou um passo.

— Vá lá para trás e vire-se de costas. Langdon obedeceu.

Vernet ouvia o martelar do seu próprio coração. Apontando a arma com a mão direita, estendeu a esquerda para a caixa de madeira. Descobriu que era muito pesada.

Preciso das duas mãos. Olhou para os seus dois cativos e calculou o risco.

Estavam ambos a uns quatro metros e meio de distância, no outro extremo da caixa de carga, de costas para ele. Tomou uma decisão. Rapidamente, pousou a arma no para-choques, levantou a caixa com as duas mãos, pousou-a no chão, voltou a pegar na arma e apontou-a para o fundo do furgão. Nenhum dos seus dois prisioneiros tinha se mexido.

Perfeito. Agora, tudo o que lhe restava fazer era fechar e trancar as portas.

Deixando a caixa no chão, agarrou as portas de metal e empurrou-as. Quando

passaram por ele, levantou a mão direita para o único ferrolho de metal que tinha de correr para trancá-las. As portas fecharam-se com umbaque surdo. Vernet deitou rapidamente a mão à alça do ferrolho e puxou-a para a esquerda. O

ferrolho deslizou alguns centímetros e parou, desalinhado com o encaixe. Que aconteceu? Vernet tornou a puxar, mas o ferrolho não se moveu. O mecanismo não estava adequadamente alinhado. As portas não estão bem fechadas!

Sentindo-se invadir por uma onda de pânico, empurrou-as para dentro com toda a sua força, mas sem resultado. Tem qualquer coisa bloqueando-as!

Pôs-se de lado, preparando-se para forçá-las com o ombro, quando elas pareceram explodir para fora, atingindo-o no rostoe fazendo-o estatelar-se de costas no chão, com um uivo de dor. A arma vôou para longe e Vernet levou as mãos ao rosto, sentindo o sangue quente escorrer-lhe do nariz quebrado.

Robert Langdon s altou para o chão Em algum lugar perto dele e Vernet tentou levantar-se, mas não conseguia ver. Voltou a cair de costas. Sophie Neveu gritava.

Momentos mais tarde, Vernet sentiu uma nuvem de poeira e de fumaça de escapamento envolvê-lo. Ouviu o ranger dos pneus no saibro e sentou-se a tempo de ver o largo e pesado furgão falhar uma curva. Houve um estalo quando o para-choques dianteiro bateu em uma árvore. O motor rugiu, e a árvore vergou.