O Código Da Vinci

Dan Brown · Capítulo 82 de 109

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O Código Da Vinci

Capítulo Setenta e Nove

— Nenhuma. Mas sei exatamente em que cripta devemos procurar.

Nesse instante, vinte e quatro quilômetros à frente deles, seis carros da Polícia de Kent corriam pelas ruas que a chuva encharcara em direção ao aeródrom o de Biggin Hill.

C A P Í T U L O 79

O tenente Collet tirou uma Perrier do frigorífico de Sir Leigh e voltou a sair, atravessando a sala de estar. Em vez de acompanhar Fache a Londres, onde a ação decorria, estava agora bancando a babá da equipe da PTC que se espalhara por Château Villette.

Até ao momento, as provas encontradas pouco ou nada ajudavam: um projétil cravado no soalho, um papel com vários símbolos rabiscados, as palavras lâmina e cálice escritas e uma correia de couro ensanguentada e cheia de puas que, segundo a PTC, estava associada ao grupo conservador católico Opus Dei, cujas agressivas práticas de recrutamento em Paris, denunciadas em um programa de televisão, tinham causado um certo problema.

Collet suspirou. Desejo muita sorte a quem tentar tirar alguma coisa que faça sentido desta misturada. Seguiu o luxuoso corredor e entrou no vasto salão de baile transformado em estúdio, onde o perito-chefe da PTC estava ocupado recolhendo impressões digitais. Era um homem corpulento, que usava suspensórios.

— Alguma coisa? — perguntou Collet.

O perito abanou a cabeça.

— Nada de novo. Vários conjuntos congruentes com os que encontramos no resto da casa.

— E as impressões no tal cilício?

— A Interpol está tratando disso. Mandei-lhes tudo o que encontramos.

Collet apontou para os dois sacos de plástico, selados, pousados em cima de uma mesa.

— E isto?

O homem encolheu os ombros.

— Força de hábito. Recolho tudo o que seja peculiar.

Peculiar?, pensou Collet, aproximando-se.

— Este inglês é um tipo esquisito — continuou o perito. Olhe para isto. —

Examinou os sacos onde guardava as provas e escolheu um, entregando-o a Collet.

A fotografia mostrava o pórtico principal de uma catedral gótica — o tradicional arco recolhido, estreitando através de faixas sucessivas até uma pequena porta. Collet examinou cuidadosamente a fotografia e acabou por perguntar:

— O que é que isto tem de peculiar?

— Veja nas costas.

No verso da fotografia, Collet encontrou anotações, rabiscadas em inglês, que descreviam a longa e cavernosa nave da catedral como um tributo pagão secreto ao útero feminino. Aquilo era estranho. Foram, no entanto as anotações sobre o pórtico que o fizeram dar um salto.

— Espere aí! Ela acha que a entrada da igreja representa uma... O perito assentiu com a cabeça.

— Com bordos labiais e um bonito clitóris de cinco folhas por cima da entrada. — Suspirou. — Quase nos dá vontade de voltar a frequentar a igreja.

Collet pegou o segundo saco selado. Viu, através do plástico, uma fotografia ampliada do que parecia ser um documento antigo. O cabeçalho dizia: Les Dossiers Secrets — Número 4º Im1 249.

— O que é isto? — perguntou.

— Não faço ideia. Tem cópias por todo o lado, de modo que a meti no saco.

Collet estudou o documento.

PRIEURE DE SION — LES NAUTONIERS/GRÃO-MESTRES

JEAN DE GISORS 1188-1220

MARIE DE SAINT-CLAIR 1220-1266

GUILLAUME DE GISORS 1266-1307

EDOUARD DE BAR 1307-1336

JEANNE DE BAR 1336-1351

JEAN DE SAINT-CLAIR 1351-1366

BLANCE D’EVREUX 1366-1398

NICOLAS FLAMEL 1398-1418

RENE D’ANJOU 1418-1480

IOLANDE DE BAR 1480-1483

SANDRO BOTTICELLI 1483-1510

LEONARDO DA VINCI 1510-1519

CONNETABLE DE BOURBON 1519-1527

FERDINAND DE GONZAQUE 1527-1575

LOUIS DE NEVERS 1575-1595

ROBERT FLUDD 1595-1637

J. VALENTIN ANDREA 1637-1654

ROBERT BOYLE 1654-1691

ISAAC NEWTON 1691-1727

CHARLES RADCLYFFE 1727-1746

CHARLES DE LORRAINE 1746-1780

MAXIMILIAN DE LORRAINE 1780-1801

CHARLES NODIER 1801-1844

VICTOR HUGO 1844-1885

CLAUDE DEBUSSY 1885-1918

JEAN COCTEAU 1918-1963

— Prieuré de Sion? — espantou-se Collet.

— Tenente? — Um outro agente acabava de aparecer à porta. — A central tem uma chamada urgente para o capitão Fache, mas não conseguem contatá-lo.

Atende?

Collet voltou à cozinha e pegou o telefone.

Era André Vernet.

A voz refinada do banqueiro não bastava para dissimular a tensão que o

dominava:

— Pensei que o capitão Fache tinha me dito que telefonaria, mas, até agora, não voltei a saber dele.

— O capitão Fache está muito ocupado — disse Collet. — Posso ajudá-lo em qualquer coisa?

— Tinha-me sido garantido que me manteriam informado dos seus progressos.

Por um instante, Collet teve a impressão de reconhecer o timbre da voz do homem, mas não conseguia identificá-lo.

— Monsieur Vernet, estou no momento dirigindo as investigações em Paris.

Sou o tenente Collet.

Houve uma longa pausa.

— Peço imensa desculpa, tenente, tenho outra chamada em linha. Ligo-lhe mais tarde. — E desligou.

Durante vários segundos, Collet ficou imóvel, com o auscultador na mão. E

então fez-se a luz. Eu bem me parecia que estava reconhecendo aquela voz! A revelação deixou-o de boca aberta.

O condutor do carro blindado.

O do Rolex falso.

Collet compreendia agora por que razão o banqueiro desligara tão precipitadamente. Lembrara-se do nome do tenente Collet... o policial a quem horas antes mentira tão descaradamente.