O Código Da Vinci

Dan Brown · Capítulo 3 de 109

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O Código Da Vinci

Prólogo

Todas as descrições de obras de arte, arquitetura, documentos e rituais secretos neste romance

correspondem rigorosamente à realidade.

P R O L Ó G O

M u s e u d o L o u v r e , P a r i s

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Jacques Saunière, o conceituado conservador, atravessou cambaleando o arco abobadado da Grande Galeria. Estendeu as mãos para o quadro mais próximo, um Caravaggio. Agarrando a moldura de madeira dourada, puxou-a para si até arrancá-la da parede, e então caiu de Costas, enrodilhado debaixo da grande tela.

Como sabia que aconteceria, uma pesada grade de ferro desceu com estrépido ali perto, selando a entrada da galeria. O soalho de madeira estremeceu. Muito ao longe, um alarme começou a tocar.

Saunière, um homem de setenta anos, deixou-se ficar estendido por um instante, tentando recuperar o fôlego e avaliando a situação. Ainda estou vivo, pensou. Saiu rastejando debaixo da tela e olhou em redor, procurando no cavernoso espaço um lugar onde se esconder.

— Não se mexa — disse uma voz, arrepiantemente próxima.

De gatas no chão, o conservador imobilizou-se, voltando lentamente a cabeça.

A pouco mais de quatro metros e meio de distância, do outro lado da grade abaixada, a agigantada silhueta do seu atacante vigiava-o através das barras de ferro. Era alto e largo, com uma pele espectralmente pálida e ralos cabelos brancos. As íris dos olhos eram rosadas, com pupilas de um vermelho-escuro. O albino tirou uma pistola do casaco e apontou-a diretamente ao conservador.

— Não devia ter fugido. — O sotaque não era fácil de identificar. — Agora diga-me onde é que está.

— Já lhe disse — tartamudeou Saunière, indefeso de joelhos no chão da galeria. — Não faço ideia do que está falando!

— Mente. — O homem estava olhando para ele, e a única coisa que se distinguia na grande sombra densa e imóvel era o brilho dos olhos fantasmagóricos. — Você e os seus irmãos possuem algo que não lhes pertence.

conservador sentiu uma vaga de adrenalina percorrer-lhe as veias. Como é possível que ele o saiba

— Esta noite, a custódia legítima será restaurada. Diga-me onde está escondido, e viverá. — O homem apontou a arma para a cabeça do conservador.

— É um segredo pelo qual esteja disposto a morrer?

Saunière quase não conseguia respirar. O homem inclinou um pouco a cabeça, fazendo pontaria ao longo do cano da arma. Saunière ergueu as mãos, em um gesto de defesa.

— Espere — disse, lentamente. — vou lhe dizer o que quer saber. —

Pronunciou as palavras seguintes com muito cuidado. Tinha ensaiado aquela mentira vezes sem conta... sempre pedindo a Deus nunca se ver na necessidade de usá-la. Quando o conservador acabou de falar, o homem sorriu, satisfeito.

— Sim, é exatamente o que os outros me disseram.

Saunière encolheu-se. Os outros?

— Encontrei-os também — informou o homem, com um tom sarcástico. —

Aos três. Confirmaram o que acaba de dizer.

Não pode ser! A verdadeira identidade do conservador, bem como as dos três senescais, era quase tão sagrada como o antigo segredo que protegiam. Saunière compreendeu que os colegas tinham, de acordo com a regra estritamente ordenada, contado a mesma mentira antes de morrerem. Fazia parte do protocolo. O homem voltou a apontar a arma.

— Depois de matá-lo, eu serei o único a conhecer a verdade. A verdade.

Numa fração de segundo, Saunière percebeu o verdadeiro horror da situação. Se eu morrer, a verdade se perderá para sempre. Instintivamente, tentou encontrar um refúgio. A arma explodiu, e o conservador sentiu como se um ferro em brasa lhe trespassasse o ventre quando o projétil se alojou no estômago. Caiu para a frente... lutando contra a dor.

Lentamente, rolou sobre si mesmo e olhou através das grades para o seu

assassino.

O homem estava apontando para a sua cabeça. Saunière fechou os olhos, com os pensamentos rodopiando num turbilhão de medo e tristeza. O clique do percutor batendo em uma câmara vazia ecoou no corredor.

O conservador abriu rapidamente os olhos.

O homem olhou para a arma, parecendo quase divertido. Procurou no bolso um segundo carregador, mas então como que reconsiderou, sorrindo calmamente à figura ensanguentada de Saunière.

— O meu trabalho aqui está feito.

O conservador baixou os olhos e viu o orifício da bala na camisa branca de linho.

Era um ponto negro orlado por um pequeno círculo de sangue, poucos centímetros abaixo do esterno, estômago. Quase que por um capricho de crueldade, a bala falhara o coração. Como veterano da guerra da Argélia, o conservador fora já testemunha daquele tipo de morte horrivelmente lenta.

Sobreviveria cerca de quinze minutos, enquanto os ácidos do estômago se derramavam na cavidade torácica, envenenando-o por dentro.

— Abençoada seja a dor — disse o homem. E desapareceu.

Agora sozinho, Jacques Saunière voltou o olhar para a grade de ferro. Estava encurralado, e as portas só voltariam a se abrir dentro de no mínimo vinte minutos.

Quando chegassem junto dele, estaria morto. Mesmo assim, o medo que o dominava agora era um medo muito maior que o da sua própria morte.

Tenho de transmitir o segredo.

Pôs-se de pé, cambaleante, e imaginou os três companheiros assassinados.

Pensou nas gerações que os tinham precedido... na missão que a todos eles fora confiada. Uma cadeia ininterrupta de conhecimento.

Agora, subitamente, a despeito de todas as precauções... a despeito de todas as medidas de segurança... Jacques Saunière era o único elo que restava, o único guardião dos mais formidáveis segredos alguma vez guardados. Tremendo, olhou em volta. Tenho de encontrar uma maneira...