O Código Da Vinci

Dan Brown · Capítulo 98 de 109

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O Código Da Vinci

Capítulo Noventa e Cinco

— Bispo Aringarosa? O capitão Fache não pôde esperar. Pediu-me que

cuidasse do senhor. Sugeriu que o levasse para a Scotland Yard. Pensou que lá estaria mais seguro.

Mais seguro? Aringarosa baixou os olhos para a pesada maleta cheia de títulos do Vaticano que segurava. Quase se esquecera dela.

— Sim, obrigado.

Entrou para o carro da Polícia, perguntando a si mesmo onde estaria Silas.

Minutos mais tarde, a resposta chegou pelo rádio.

Orme Court, 5.

Aringarosa reconheceu instantaneamente o endereço. A Residência da Opus Dei em Londres. Voltou-se para o condutor.

— Leve-me lá imediatamente!

C A P Í T U L O 95

Langdon não desviou os olhos do visor a partir do momento em que a busca começou. Cinco minutos. Apenas dois resultados. Ambos irrelevantes.

Começava a ficar preocupado.

Pamela Gettum estava na sala contígua, preparando bebidas quentes. Langdon e Sophie tinham perguntado, muito pouco elegantemente, se não haveria por acaso café além do chá oferecido e, pelo som do microondas na sala ao lado, Langdon suspeitava de que o pedido deles ia ser recompensado com Nescafé instantâneo.

Finalmente, o computador fez um ping de satisfação.

— Parece que têm outro — disse Gettum, da outra sala. — Qual é o título?

Langdon leu o que estava escrito no visor:

A Alegoria do Graal na Literatura Medieval: Um Tratado sobre Sir Gwain e o Cavaleiro Verde.

— A Alegoria do Cavaleiro Verde — disse, em voz alta.

— Não interessa — respondeu Gettum. — Não há muitos cavaleiros mitológicos verdes enterrados em Londres.

Langdon e Sophie continuaram pacientemente sentados diante do visor, deixando passar mais dois resultados duvidosos. Mas quando o computador voltou a fazer ping, a oferta foi inesperada.

DIE OPER VON RICHARD WAGNER

— As óperas de Wagner? — disse Sophie.

Gettum espreitou da porta, com um saquinho de café instantâneo na mão.

— Estranho. Wagner era cavaleiro?

— Não — respondeu Langdon, subitamente intrigado. — Mas era um maçon conhecido. — Tal como Mozart, Beethoven, Shakespeare, Gershwin, Houdini e Disney.

Havia abundante literatura a respeito das ligações entre os maçons e os Cavaleiros do Templo, o Priorado de Sião e o Santo Graal... — Quero dar uma olhada neste. Como é que faço para ver o texto completo?

— O texto completo não lhe interessa — disse Gettum. — Clique a barra de hipertexto. O computador mostrará as palavras-chaves juntamente com referências de contexto.

Langdon não sabia de que ela estava falando, mas clicou de todos os modos.

Abriu-se uma nova janela.

... cavaleiro mitológico chamado Parsifal que...

... demanda do Graal metafórica que alegadamente...

... a Orquestra Filarmônica de Londres, em 1885...

... Antologia de Ópera de Rebecca Pope...

... túmulo de Wagner em Bayreuth, Alemanha...

— Cavaleiro errado — disse Langdon, desapontado. Mesmo assim, estava espantado com a facilidade de utilização do sistema. As palavras-chaves com contexto eram o bastante para lhe lembrar que a ópera Parsifal de Wagner era um tributo a Maria Madalena e à linhagem de Cristo contado através da história de um jovem cavaleiro em busca da verdade.

— Tenha paciência — exortou Gettum. — É uma loteria. Deixe a máquina correr.

Durante os poucos minutos seguintes, o computador mostrou várias outras referências ao Graal, incluindo um texto a respeito de troubadours — os famosos menestréis itinerantes franceses. Langdon s abia que não era por acaso que as palavras menestrel e ministro partilhavam a mesma raíz etimológica. Os trovadores eram os servidores viajantes, ou “ministros”, da Igreja de Maria Madalena, e usavam a música para divulgar entre a gente comum a história do sagrado feminino. Ainda hoje, os trovadores cantavam canções em que

exaltavam as virtudes de “nossa Senhora” — uma bela e misteriosa mulher a quem juravam fidelidade eterna.

Procurou ansiosamente o hipertexto, mas nada encontrou.

O computador voltou a fazer ping.

CAVALEIROS, VALETES, PAPAS E PENTÁCULOS: A HISTÓRIA DO SANTO

GRAAL ATRAVÉS DO TARÔ

— Não admira — disse Langdon a Sophie. — Algumas das nossas palavras-chaves têm o mesmo nome que certas cartas. — Estendeu a mão para o mouse, para clicar um hiperlink. — Não sei se o seu avô alguma vez mencionou isto quando jogava taro consigo, mas o jogo é um “catecismo por cartas” com a história da “Noiva Perdida” e da sua subjugação pela Igreja má.

Sophie olhou para ele com uma expressão incrédula.

— Não fazia ideia.

— É precisamente essa a questão. Usando um jogo metafórico para ensinar, os seguidores do Graal escondiam a sua mensagem dos olhos sempre vigilantes da Igreja. — Langdon perguntava muitas vezes a si mesmo quantos dos modernos jogadores de cartas tinham consciência de que os quatro naipes —

espadas, copas, paus e ouros — eram símbolos que vinham diretamente dos quatro naipes do taro: espadas, taças, cetros e pentáculos.

Espadas eram espadas — A lâmina. Masculino.

Copas eram Taças — O Cálice. Feminino.

Paus eram Cetros — A Linha Real. O bordão florido.

Ouros eram Pentáculos — A deusa. O sagrado feminino.

Quatro minutos mais tarde, quando Langdon começava a convencer-se de que nunca encontrariam o que tinham ido procurar, o computador apresentou outro resultado.

A Gravidade do Gênio: Biografia de um Cavaleiro Moderno

— Gravidade do Gênio? — gritou Langdon para Gettum. Biografia de um cavaleiro moderno?

Gettum voltou a meter a cabeça pela porta.

— Moderno como? Por favor, não me diga que é o seu Sir Rudy Giuliani.

Pessoalmente, achei um bocado exagerado.

Langdon tinha as suas dúvidasa respeito do recém-nobilitado Sir Mick Jagger, mas não lhe pareceu que fosse aquele o melhor momento para discutir as bizarrias do sistema britânico de agraciações.

— Vamos lá dar uma vista de olhos — disse, e clicou o hipertexto.

... venerável cavaleiro, Sir Isaac Newton...

... em Londres, em 1727 e...

... o seu túmulo na Abadia de Westminster...

... Alexander Pope, amigo e colega...

— Suponho que “moderno” é um termo relativo — disse Sophie. — É um livro antigo. A respeito de Sir Isaac Newton.

Gettum abanou a cabeça, da porta.

— Não serve. Newton foi sepultado na abadia de Westminster, a sede do protestantismo inglês. Não há a mínima possibilidade de um papa católico ter estado presente. Natas e açúcar?

Sophie assentiu.

Gettum esperou.

— Robert?

O coração de Langdon batia loucamente. com um esforço, desviou os olhos do visor e pôs-se de pé.

— Sir Isaac Newton é o nosso cavaleiro.

Sophie continuou sentada.

— Que você está dizendo?

— Newton está sepultado em Londres. Os seus trabalhos deram origem a novas ciências que incorreram na ira da Igreja. E foi Grão-Mestre do Priorado de Sião. Que mais podemos querer?

— Que mais? — perguntou Sophie, apontando para o poema.

— E um cavaleiro que um papa enterrou? Ouviu o que a senhora Gettum disse. Newton não foi enterrado por um papa católico.

Langdon estendeu a mão para o mouse.

— Quem falou de um papa católico? — Clicou o hiperlink “Pope” e o texto

completo apareceu no visor.

O funeral de Sir Isaac Newton, a que assistiram reis e nobres, foi presidido por Alexander Pope, amigo e colega, que pronunciou uma comovente eulegia antes de espalhar terra sobre o túmulo.

Langdon olhou para Sophie.

— Tínhamos o “Pope” certo logo à segunda tentativa. Alexander. — Fez uma pausa. — A. Pope.