O Código Da Vinci

Dan Brown · Capítulo 49 de 109

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O Código Da Vinci

Capítulo Quarenta e Seis

— Da caixa de carga, não. Só da ignição. Estes furgões são selados por controladores na plataforma de embarque. Então ficamos à espera enquanto alguém leva a chave da caixa de carga até ao local de destino. Quando recebemos um telefonema dizendo que as chaves chegaram ao destinatário, me dão autor ização para sair. Nem um segundo antes. Nunca sei que raio de carga transporto.

— Quando é que este furgão foi selado?

— Deve ter sido há horas. Esta noite tenho de ir até St. Thurial. As chaves da caixa já estão lá.

O agente não disse palavra, olhando fixamente para Vernet, como que tentando ler os pensamentos. Uma gota de suor preparava-se para deslizar pelo nariz de Vernet.

— Importa-se? — disse ele, limpando o nariz com a manga do casaco e apontando para o carro da Polícia que bloqueava a passagem. Tenho um horário a cumprir.

— Todos os condutores usam Rolex? — perguntou Collet, apontando para o pulso de Vernet.

Vernet olhou para baixo e viu a pulseira do seu ridiculamente caro relógio espreitando por baixo da manga do casaco. Merde.

— O quê, esta merda? Comprei-o por vinte euros de um vendedor ambulante chinês em St. Germain dês Prés. Vendo-lho por quarenta.

O agente hesitou um instante e finalmente afastou-se para o lado.

— Não, obrigado. Faça boa viagem.

Vernet só voltou a respirar quando o furgão já tinha se afastado uns bons cinquenta metros. E agora tinha outro problema. A sua carga. Para onde é que os levo?

C A P Í T U L O 46

Silas estava deitado de bruços na esteira de lona do seu quarto, deixando que o ar secasse o sangue das feridas que tinha nas costas. A segunda sessão daquela noite com a Disciplina deixara-o tonto e fraco. Ainda não tirara o cilício, e sentia o sangue escorrer pela parte interior da coxa. Mas a verdade era que não encontrava justificação para desapertar a correia.

Deixei ficar mal a Igreja. Muito pior ainda, deixei ficar mal o bispo.

Aquela noite era para ser a da salvação de Aringarosa. Cinco meses antes, o bispo regressara de uma reunião no Observatório do Vaticano, onde soubera qualquer coisa que o deixara profundamente mudado. Deprimido durante semanas, Aringarosa partilhara finalmente as novidades com Silas.

— Mas isso é impossível! — exclamara Silas. — Não posso aceitá-lo!

— É verdade — afirmara Aringarosa. — Impensável, mas verdadeiro. Dentro de apenas seis meses.

As palavras do bispo tinham deixado Silas aterrorizado. Rezara pedindo a redenção, e mesmo naqueles dias negros, a sua fé em Deus e no Caminho nunca vacilara. Fora só um mês mais tarde que as nuvens tinham miraculosamente se rasgado e a luz da possibilidade brilhara através delas.

Intervenção divina, dissera Aringarosa.

Pela primeira vez, o bispo parecera cheio de esperança.

— Silas — murmurara —, Deus concedeu-nos uma oportunidade de proteger O Caminho. A nossa batalha, como todas as batalhas vai exigir sacrifícios. Está disposto a ser um soldado de Deus?

Silas caíra de joelhos diante do bispo Aringarosa, o homem que lhe tinha dado uma nova vida, e dissera:

— Sou um cordeiro de Deus. Guie-me para onde o seu coração mandar.

Quando Aringarosa descreveu a oportunidade que se deparara, Silas soube que só podia ser a mão de Deus. Destino miraculoso! Aringarosa pôs Silas em contato com o homem que propusera o plano — um homem que a si mesmo chamava o Professor.

Embora Silas e o Professor nunca tivessem se encontrado cara-a-cara, sempre que falava com ele ao telefone Silas ficava assombrado pela profundidade da fé daquele homem e pela amplitude do seu poder. O Professor parecia saber tudo, ter olhos e ouvidos em todo lado. Como conseguia as suas informações era algo que Silas ignorava, mas Aringarosa depositava uma enorme confiança nele e pedira a Silas que fizesse o mesmo. “Faça o que o Professor te ordenar, e venceremos” dissera a Silas.

Venceremos. Enquanto agora olhava para as tábuas do chão, Silas temeu que a vitória lhes tivesse escapado. O Professor fora enganado. A Chave de Abóbada era um ardiloso beco sem saída. E com o engano, toda a esperança se desvanecer a.

Silas des ejou poder ligar para o bispo Aringarosa e avisá-lo, mas o Professor eliminara todas as linhas de contato direto entre eles naquela noite. Para nossa segurança. Finalmente, vencendo o medo, Silas pôs-se laboriosamente de pé e apanhou o hábito, que estava caído no chão. Procurou no bolso o celular. Com a cabeça baixa de vergonha, marcou o número.

— Professor — murmurou —, está tudo perdido. — E então contou como fora enganado.

— Você perde a fé muito depressa — respondeu o Professor.

— Acabo de receber notícias. Inesperadas e magníficas. O segredo vive.