O Código Da Vinci

Dan Brown · Capítulo 47 de 109

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O Código Da Vinci

Capítulo Quarenta e Quatro

Langdon tirou do bolso a fotografia do local do crime e abriu-a em cima da mesa de café. Bastou a Sophie ler a primeira linha para saber que ele tinha razão.

13-3-2-21-1-1-8-5

O, Draconian devil!

Oh, lame saint!

P.S. Find Robert Langdon

C A P Í T U L O 44

— Dez dígitos — disse Sophie, com todos os seus sentidos de criptóloga vibrando enquanto olhava para o papel.

13-3-2-21-1-1-8-5

O grand-père escreveu o número da conta no chão do Louvre!

Quando vira pela primeira vez a sequência Fibonacci alterada escrita no soalho, Sophie assumira que o seu único objetivo era encorajar a DCPJ a chamar os criptólogos e envolvê-la no assunto. Mais tarde, descobrira que os números eram também uma pista para decifrar outras linhas: uma sequência fora de ordem... um anagrama numérico.

Agora, absolutamente estupefata, via que os números tinham um significado ainda mais importante. Eram, quase com certeza, a chave final para abrir o misterioso cofre do avô.

— O meu avô era um mestre dos duplos-sentidos — disse, voltando-se para Langdon. — Adorava tudo o que tivesse múltiplas camadas de significado.

Códigos dentro de códigos.

Langdon já estava a caminho da caixa eletrônica junto do tapete rolante.

Sophie pegou a foto do computador e seguiu-o. A caixa tinha um teclado numérico semelhante ao dos terminais ATM. O visor mostrava o logotipo cruciforme do banco. Ao lado do teclado, havia um orifício triangular. Sem perder mais tempo, Sophie inseriu a chave no orifício.

O visor mudou instantaneamente.

CONTA NÚMERO

O cursor piscava, à espera.

Dez dígitos.

Sophie leu os números, e Langdon teclou-os.

CONTA NÚMERO

1332211185

Quando acabou de teclar o último algarismo, o teclado voltou a mudar.

Apareceu uma mensagem em várias línguas. Mais uma vez, o inglês era a primeira.

ATENÇÃO

Antes de apertar Enter, verifique, por favor, se o número de conta está correto. Para sua própria segurança, se o computador não reconhecer o número de conta, o sistema se desligará automaticamente.

— Fonction terminer — disse Sophie, de testa franzida. — Parece que só temos direito a uma tentativa. — As caixas automáticas permitem aos utilizadores três tentativas de introdução do PIN antes de “engolirem” o cartão.

Aquela não era, muito claramente, uma caixa automática comum.

— O número está certo — disse Langdon, comparando cuidadosamente o que tinha teclado com o que estava no papel. Apontou para a tecla ENTER. —

Aperte.

Sophie estendeu o dedo para o teclado, mas hesitou. Acabava de ter um estranho palpite.

— Depressa — incitou-a Langdon. — Vernet não demora.

— Não — disse ela, retirando a mão. — Não é este o número certo.

— Claro que é! Dez dígitos. Que outra coisa podia ser?

— É muito aleatório.

— Muito aleatório? — Langdon não podia estar mais em desacordo. Todos os bancos aconselhavam os respectivos clientes a escolher PIN aleatórios, para que ninguém pudesse adivinhá-los.

Com certeza que, ali, os clientes seriam aconselhados a escolher números de conta aleatórios.

Sophie apagou tudo o que tinham teclado e olhou para Langdon, com uma expressão de certeza no rosto.

— O fato de este número de conta supostamente aleatório poder ser rearranjado de modo a formar a sequência de Fibonacci é muita coincidência.

Langdon percebeu que ela tinha razão. Horas antes, Sophie redispusera aquele número de conta para formar a sequência Fibonacci. Quais eram as probabilidades de uma coisa dessas acontecer? Sophie aproximou-se do teclado, introduzindo um número diferente, como se o soubesse de cor.

— Além disso, considerando a paixão do meu avô por simbolismos e códigos, seria de esperar que escolhesse um número de conta que significasse qualquer coisa para ele, qualquer coisa que pudesse recordar com facilidade. —

Acabou de teclar o número e sorriu maliciosamente. — Qualquer coisa que parecesse aleatório... mas não fosse.

Langdon olhou para o visor.

CONTA NÚMERO

1123581321

Demorou um instante, mas quando percebeu, soube que ela tinha razão.

A sequência Fibonacci.

1-1-2-3-5-8-13-21

Quando fundida em um único número de dez algarismos, a sequência Fibonacci tornava-se praticamente irreconhecível. Fácil de recordar, e no entanto aparentemente aleatório. Um brilhante código de dez dígitos que Saunière nunca esqueceria. Além disso, explicava perfeitamente por que razão os números rabiscados no chão do Louvre podiam ser rearranjados de modo a formar a famosa progressão.

Sophie estendeu o dedo e apertou a tecla ENTER.

Nada aconteceu.

Pelo menos, nada que eles pudessem detectar.

Nesse instante, no cavernoso cofre-forte subterrâneo do banco, uma garra mecânica pareceu despertar para a vida. Deslizando sobre um sistema de transporte de duplo carril preso ao teto, começou a procurar as coordenadas

adequadas. Lá em baixo, no chão de cimento, centenas de caixas de plástico idênticas estavam alinhadas em uma enorme grelha... como filas de pequenos caixões numa cripta.

Parando com um zumbido sobre o ponto exato do chão, a garra desceu e um olho eletrônico verificou o código de barras impresso na caixa. Então, com precisão mecânica, a garra prendeu a pesada pega e ergueu a caixa na vertical.

Novas engrenagens entraram em funcionamento, e a garra carregou a caixa para o outro extremo do cofre-forte, detendo-se sobre um tapete rolante imóvel.

Muito suavemente, o braço mecânico pousou a caixa e subiu. Mal o braço se afastou, o tapete ganhou vida...

Sophie e Langdon suspiraram de alívio ao verem o tapete rolante começar a mover-se. Ali de pé, sentiam-se como doisviajantes cansados à espera de uma misteriosa mala cujo conteúdo desconheciam.

O tapete rolante entrava na sala pelo lado direito, através de uma estreita fresta por baixo de uma porta retrátil. A porta de metal deslizou para cima e uma grande caixa de plástico emergiu das sombras. Era preta, moldada em plástico extremamente duro, e muito maior do que Sophie imaginara. Fazia lembrar uma dessas caixas que as companhias aéreas usam para transportar animais de estimação, mas sem orifícios de ventilação.

Deteve-se exatamente em frente deles.

Langdon e Sophie ficaram olhando. em silêncio, para o misterioso contentor.

Como tudo o mais naquele banco, a caixa era um produto da indústria —

fechos de metal, um código de barras colado na tampa, uma alça moldada.

Sophie achou que parecia uma gigantesca caixa de ferramentas.

Sem perder tempo, soltou as duas linguetas que tinha à sua frente. Olhou para Langdon. Juntos, levantaram a pesada tampa e deixaram-na cair para trás.

Avançando um passo, espreitaram para o interior da caixa.

Ao primeir o olhar, Sophie pensou que estava vazia. Então, viu qualquer coisa. No fundo da caixa. Um objeto solitário.

A caixa de madeira polida tinha o tamanho aproximado de uma caixa de sapatos e dobradiçasmuito ornamentadas. A madeira, de um púrpura rico e profundo, era lustrosa e de grão grosso. Roseira, percebeu Sophie. A preferida do avô. Na tampa via-se, finamente embutida, a imagem de uma rosa. Sophie e

Langdon trocaram olhares intrigados. Sophie inclinou-se para a frente e pegou a caixa, levantando-a.

Meu Deus, é pesada!

Com muito cuidado, foi pousá-la em cima de uma mesa. Langdon estava a seu lado, ambos com os olhos presos à pequena arca do tesouro que o avô dela aparentemente os mandara resgatar.

Langdon estava olhando. fascinado, para a rosa embutida à mão na tampa da caixa: uma rosa com cinco pétalas. Tinha visto aquele tipo de rosa muitas vezes.

— A rosa de cinco pétalas — murmurou. — O símbolo do Priorado para o Santo Graal.