O Código Da Vinci
Capítulo Sessenta e Seis
“numerários” da seita, muito mais interessantes do ponto de vista de valor de choque... homens como o monge que agora jazia amarrado diante dele.
Teabing estava olhando atentamente para a correia ensanguentada.
— Mas porque estaria a Opus Dei interessada em encontrar o Santo Graal? —
perguntou, como que para si mesmo.
Langdon estava muito tonto para considerar sequer a questão.
— Robert — disse Sophie, dirigindo-se à mesa em cima da qual ficara a caixa de madeira. — O que é isto? — Estava segurando a pequena rosa embutida que ele retirara da tampa.
— Cobria uma gravação na tampa da caixa. Penso que o texto nos dirá como abrir a Chave de Abóbada.
Antes que Sophie ou Teabing pudessem responder, um mar de luzes azuis da Polícia invadiu a base do ligeiro declive e iniciou a subida do caminho de acesso.
Teabing franziu o sobrolho.
— Meus amigos, parece que temos de tomar uma decisão. E é bom que a tomemos rapidamente.
C A P Í T U L O 66
Collet e os seus agentes irromperam pela porta da frente da casa de Sir Leigh Teabing de armas empunhadas. Espalhando-se, começaram a revistar todas as divisões do piso térreo. Encontraram um buraco de bala no soalho da sala de estar, sinais de luta, uma pequena quantidade de sangue, uma estranha correia de couro coberta de farpas e um rolo de fita isolante parcialmente usado.
O piso parecia completamente deserto.
Quando Collet se preparava para dividir os seus homens e mandá-los revistar a garagem e os jardins, ouviu vozes no piso superior.
— Estão lá em cima!
Depois de galgarem a dois e dois os degraus da ampla escadaria, o tenente e os seus homens percorreram, de divisão em divisão, a vasta casa, revistando quartos e corredores mergulhados em sombras enquanto convergiam para o ponto onde soavam as vozes. O som parecia vir do último quarto de um excepcionalmente comprido corredor.
Os agentes começaram a avançar com cuidado, fechando todas as saídas alternativas.
Ao aproximarem-se do último quarto, Collet viu que a porta estava aberta. As vozes tinham cessado subitamente e sido substituídas por um estranho ronronar, como o de um motor.
De pistola levantada, o tenente deu o sinal. Estendendo cuidadosamente a mão para a ombreira, encontrou o interruptor da luz e acionou-o. Seguido pelos seus homens, entrou no quarto gritando e apontou a arma... a coisa nenhuma.
Um quarto de hóspedes vazio. Impecavelmente arrumado.
De um painel eletrônico situado junto à cama, vinha o som de um motor de
automóvel trabalhando. Collet já vira aqueles painéis em outros pontos da casa.
Um sistema qualquer de intercomunicadores. Correu para lá. O painel tinha cerca de uma dúzia de interruptores devidamente assinalados: ESTÚDIO... COZINHA... LAVANDERIA...
GARAGEM...
Onde diabo é que estou ouvindo um carro?
QUARTO PRINCIPAL... SOLÁRIO...
CAVALARIÇAS... BIBLIOTECA...
Cavalariças! Collet desceu as escadas em segundos e correu para a porta dos fundos, arrebanhando um dos seus homens pelo caminho. Atravessaram o relvado e chegaram ofegantes diante de um velho estábulo desbotado pelas intempéries.
Ainda antes de entrarem, Collet ouviu o som cada vez mais distante do motor de um carro que se afastava. Levantou a arma, entrou de rompante e acendeu as luzes. O lado direito do estábulo era uma oficina rudimentar: cortadores de grama, ferramentas, utensílios de jardinagem. Próximo, na parede, um painel eletrônico. Um dos interruptores estava para baixo, na posição de transmitir.
QUARTO DE HÓSPEDES II
Collet girou sobre si mesmo, espumando de raiva. Atraíram-nos ao segundo piso usando o intercomunicador! Investigando o outro lado do estábulo, descobriu uma comprida fila de baias, mas nenhum cavalo. Aparentemente, o dono da casa preferia outro tipo de transporte; as baias tinham sido transformadas numa impressionante garagem. A coleção era fabulosa: um Ferrari preto, um refulgente Rolls-Royce, um Aston-Martin sport coupé, um Porsche 356.
A última baia estava vazia.
Collet correu para lá e viu manchas de óleo no chão. Não vão conseguir sair da propriedade. O caminho e o portão estavam bloqueados por dois carros-patrulhas, para impedir precisamente essa eventualidade.