O Código Da Vinci

Dan Brown · Capítulo 61 de 109

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O Código Da Vinci

Capítulo Cinquenta e Oito

Depois de verificar o carregador de treze tiros da sua Heckler and Koch, fez passar a arma por entre as grades e deixou-a cair no solo coberto de musgo do outro lado.

Então, agarrando-se com as duas mãos ao topo dos varões de ferro, içou-se, passou por cima do gradeamento e saltou para o c hão. Ignorando a dor excruciante do cilício, recuperou a arma e iniciou a longa caminhada em direção à casa.

C A P Í T U L O 58

O “estúdio” de Teabing era diferente de qualquer outro que Sophie tivesse visto.

Seis ou sete vezes mais amplo do que o mais luxuoso dos escritórios, o cabinet de travail de Sir Leigh parecia um desgracioso híbrido de laboratório científico, biblioteca, arquivo e feira da ladra interior. Iluminado por três lustres suspensos, o vasto chão de tijoleira mostrava-se salpicado de ilhas dispersas de mesas de trabalho vergadas ao peso de livros, obras de arte, artefatos e uma surpreendente quantidade de aparelhagem eletrônica: computadores, projetores, microscópios, fotocopiadoras e scanners planos.

— Transformei o salão de baile — explicou Teabing, com um ar embaraçado, quando entraram na sala. — Não tenho assim muitas oportunidades de dançar.

Sophie sentiu como se toda aquela noite fosse uma espécie de quinta dimensão onde nada era o que ela esperava.

— Tudo isto é para o seu trabalho?

— Descobrir a verdade tornou-se a paixão da minha vida respondeu Teabing.

— E o Sangreal é a minha amante preferida.

O Santo Graal é uma mulher, pensou Sophie, e o seu espírito era uma colagem de ideias interligadas que pareciam não fazer qualquer sentido.

— Disse que tinha um retrato da mulher que afirma ser o Santo Graal.

— Sim, mas não sou eu que afirmo que ela é o Santo Graal. O próprio Cristo fez essa afirmação.

— Qual é o quadro? — perguntou Sophie, percorrendo as paredes com o olhar.

— Hmmm... — Teabing fez todo um espectáculo de fingir ter-se esquecido.

— O Santo Graal. O Sangreal. O Cálice. — Voltou-se subitamente e apontou para a parede mais distante, da qual estava suspensa uma cópia com dois metros e quarenta de comprimento de A Ultima Ceia, exatamente a mesma imagem que Sophie acabava de ver no livro. — Lá está ela!

Sophie teve certeza de que lhe escapara qualquer coisa.

— É o mesmo quadro que acaba de me mostrar.

Teabing piscou-lhe um olho.

— Eu sei, mas a ampliação é muito mais excitante. Não acha?

Sophie voltou-se para Langdon, em busca de ajuda.

— Me perdi.

Langdon sorriu.

— A verdade é que o Santo Graal marca de fato presença na Última Ceia.

Leonardo deu-lhe um lugar de destaque.

— Espere aí — pediu Sophie. — Disse-me que o Santo Graal é uma mulher.

A Ultima Ceia é um retrato de treze homens.

— Será? — perguntou Teabing. — Olhe com mais atenção.

Insegura, Sophie aproximou-se da reprodução, examinando as treze figuras: Jesus no centro, seis discípulos do lado esquerdo, outros seis do lado direito.

— São todos homens — confirmou.

— Oh? — exclamou Teabing. — E o que está sentado no lugar de honra, à direita do Senhor?

Sophie examinou a figura à direita de Jesus, concentrando a atenção. À

medida que estudava o corpo e o rosto da personagem, sentiu uma onda de estupefação crescer-lhe no peito. O indivíduo tinha longos cabelos vermelhos, mãos delicadamente entrelaçadas, a sugestão de um seio. Era, sem a mínima dúvida... uma mulher.

— É uma mulher! — exclamou Sophie.

Teabing estava rindo.

— Surpresa, surpresa. Não é engano, pode crer. Leonardo era muito hábil em pintar as diferenças entre os sexos.

Sophie não conseguia desviar os olhos da mulher sentada ao lado de Cristo. A Ultima Ceia se propõe a apresentar treze homens. Quem é a mulher? Embora tivesse visto aquela imagem clássica vezes sem conta, nunca reparara na gritante

discrepância.

— Ninguém repara — disse Teabing. — As nossas noções preconcebidas desta cena são tão poderosas que a mente bloqueia a incongruência e sobrepõe-se aos olhos.

— É um fenômeno conhecido como escotoma — acrescentou Langdon. — O

cérebro o faz muitas vezes, com símbolos muito poderosos.

— Outra razão possível para não ter reparado na mulher continuou Teabing

— é o fato da maior parte das fotografias que aparecem nos livros de arte terem sido tiradas antes de 1954, quando os pormenores estavam ainda escondidos sob camadas de sujeira e várias restaurações feitas por incompetentes durante o século XVIII. Agora, finalmente, o fresco foi limpo até à camada original de tinta de da Vinci. — Apontou para a fotografia. — Et voilá!

Sophie aproximou-se ainda mais da imagem. A mulher sentada à direita de Jesus era jovem e tinha um ar piedoso, com um rosto tímido, belos cabelos avermelhados e mãos tranquilamente entrelaçadas. É esta a mulher que podia, sozinha, fazer desmoronar a Igreja?

— Quem é ela? — perguntou.

— Essa senhora, minha querida — respondeu Teabing —, é Maria Madalena.

Sophie voltou-se.

— A prostituta?

Teabing teve uma curta inspiração entredentes, como se a palavra o tivesse ofendido pessoalmente.

— Maria Madalena não era nada disso. Esse falso juízo é um legado da campanha de calúnias lançada pela Igreja primitiva. A Igreja precisava difamar Maria Madalena para encobrir o seu perigoso segredo: o papel dela como Santo Graal.

— O papel dela?

— Como já disse — esclareceu Teabing —, a Igreja primitiva precisava convencer o mundo de que o profeta mortal Jesus era um ser divino. Por essa razão, os evangelhos que descreviam os aspectos terrenos da vida de Jesus tinham de ser omitidos da Bíblia.

Infelizmente para os primeiros editores, havia um tema terreno particularmente perturbador que aparecia mencionado em todos os evangelhos.

— Fez uma pausa. — O casamento de Jesus Cristo.

— Desculpe? — Os olhos de Sophie saltaram para Langdon, e depois de novo para Teabing.

— Está historicamente registrrado, e da Vinci tinha com toda certeza conhecimento do fato. A Ultima Ceia praticamente grita ao espectador que Jesus e Madalena eram um casal.

Sophie voltou olhando par a a reprodução do fresco.

— Repare que Jesus e Madalena estão vestidos como imagens reflexas um do outro — disse Teabing, apontando para as duas personagens centrais.

Sophie estava fascinada. E, sem a mínima dúvida, as roupas dos dois eram de cores inversas. Jesus usava uma túnica vermelha e um manto azul; Maria Madalena usava uma túnica azul e um manto vermelho. Yin e Yang.

— Aventurando-nos no ainda mais bizarro — continuou Teabing —, repare que Jesus e a sua noiva parecem estar unidos pela anca e inclinam-se para longe um do outro, como que para criar entre ambos este espaço negativo claramente delineado.

Ainda antes que Teabing traçasse o contorno com o dedo, Sophie viu-o: a indiscutível forma de V no ponto focal da pintura. Era o mesm o símbolo que Langdon desenhara momentos antes e que dissera representar o Graal, o cálice e o útero feminino.

— Finalmente — disse Teabing —, se vir Jesus e Madalena como elementos da composição e não como personagens, verá uma outra forma óbvia saltar-lhe aos olhos. — Fez uma pausa. — Uma letra do alfabeto.

Sophie a viu imediatamente. Dizer que a letra lhe saltou aos olhos seria um eufemismo. Subitamente, não via mais nada senão a letra. Bem no centro da pintura destacava-se o inquestionável desenho de um enorme e impecavelmente traçado M.

— Um pouco perfeito de mais para ser coincidência, não acha? — perguntou Teabing.

Sophie estava estupefata.

— E está ali porquê?

Teabing encolheu os ombros.

— Os teóricos da conspiração lhe dirão que significa Matrimônio ou Maria

Madalena.

Para ser honesto, ninguém sabe. A única certeza é que o M escondido não é resultado de um acaso. Inúmeras obras relacionadas com o Graal contêm um M

escondido... seja em marcas-de-água, camadas inferiores de pintura ou alusões composicionais. O mais evidente de todos os M é, claro, o que aparece no altar de Nossa Senhora de Paris, em Londres, concebido por um ex-Grão-Mestre do Priorado de Sião, Jean Cocteau.

Sophie pesou a informação.

— Admito que os M escondidos são intrigantes, embora assuma que ninguém afirma que constituem prova do casamento de Jesus com Madalena.

— Não, não — respondeu Teabing, que se dirigia a uma mesa próxima carregada de livros. — Como disse há pouco, o casamento de Jesus com Maria Madalena é um fato historicamente registrrado. — Pôs-se a remexer nas rimas de livros. — Alémdisso, Jesus como homem casado faz infinitamente mais sentido do que a tradicional visão bíblica de Jesus como homem solteiro.

— Porquê? — perguntou Sophie.

— Porque Jesus era judeu — disse Langdon, pegando no testemunho enquanto Teabing procurava o seu livro —, e o decoro social da época praticamente proibia que um judeu adulto não fosse casado. O costume judaico condenava o celibato, e a obrigação de qualquer pai era procurar uma esposa adequada para o filho. Se Jesus não fosse casado, pelo menos um dos evangelhos mencionaria o fato e proporia uma explicação qualquer para esta anormalidade.

Teabing localizou um enorme livro e puxou-o para si por cima do tampo da mesa.

Encadernado em couro, tinha o tamanho de um cartaz, como um grande atlas.

O título gravado na capa dizia: Evangelhos Gnósticos. Teabing abriu-o e Langdon e Sophie juntaram-se-lhe. Sophie viu que continha fotografias daquilo que parecia ser passagens ampliadas de documentos antigos: papiro esfarrapado com textos manuscritos. Não reconheceu a língua antiga, mas as páginas contíguas continham traduções impressas em letra de forma.

— São fotocópias do Nag Hammadi e dos Manuscritos do Mar Morto que referi há pouco — disse Teabing. — Os mais antigos registrros cristãos. Não condizem com os evangelhos que aparecem na Bíblia, o que é extremamente

perturbador. — Folheando as páginas mais para a frente, apontou para uma passagem. — O Evangelho de Filipe é sempre um bom lugar para se começar.

Sophie leu a passagem:

“E a companheira do Salvador é Maria Madalena. Cristo amava-a mais do que a todos os discípulos e costumava beijá-la muitas vezes na boca. Os outros discípulos sentiam-se ofendidos por isto e expressavam a sua desaprovação.

Perguntavam-lhe: ‘Porque é que a amas mais do que a todos nós?’”

As palavras surpreenderam Sophie, mas não lhe pareceram de modo algum conclusivas.

— Não diz aqui nada a respeito de casamento.

— Au contraire. — Teabing sorriu, apontando para a primeira linha. — Como qualquer estudioso do aramaico lhe dirá, a palavra companheira, naquele tempo, significava literalmente esposa.

Langdon corroborou com um aceno de cabeça.

Sophie voltou a ler a primeira linha. E a companheira do Salvador é Maria Madalena.

Teabing voltou a folhear o livro, apontando várias outras passagens que, para espanto de Sophie, sugeriam claramente que Madalena e Jes us partilhavam uma relação romântica. Ao ler aqueles textos, recordou o irado padre que batera à porta do avô quando ela era uma colegial.

— É aqui que mora Jacques Saunière? — perguntou o padre, fulminando com o olhar a jovem Sophie quando ela abriu a porta.

— Quero falar com ele a respeito deste editorial que escreveu! E o padre agitou um jornal.

Sophie foi chamar o avô e os dois homens desapareceram no escritório e fecharam a porta. O meu avô escreveu qualquer coisa no jornal? Sophie correu imediatamente para a cozinha e folheou o jornal da manhã. Encontrou o nome do avô num artigo publicado na s egunda página. Leu-o. Não compreendeu tudo o que era ali dito, mas parecia que o governo francês, cedendo às pressões dos padres , proibira um filme americano chamado A Última Tentação de Cristo, que era a respeito de Jesus ter relações sexuais com uma senhora chamada Maria Madalena.O avô dizia que a Igreja era arrogante e fizera mal em proibir o filme.

Não admira que o padre esteja zangado, pensou Sophie.

— É pornografia! Sacrilégio! — gritou o padre, emergindo do escritório e avançando furiosamente para a porta da rua. — Como é que pode avalizar uma coisa destas? Este americano, este Martin Scorsese, é um blasfemo, e a Igreja não lhe permitirá um púlpito na França! — E o padre bateu com a porta ao sair.

Quando o avô entrou na cozinha e viu Sophie com o jornal, franziu o sobrolho.

— Você rápida — observou.

— Acha que Jesus Cristo tinha uma namorada? – perguntou ela.

— Não, querida, só disse que a Igreja não devia ser autorizada a dizer-nos o que podemos ou não podemos pensar.

— Jesus tinha uma namorada?

O avô ficou silencioso por um longo momento.

— Seria assim tão mau se tivesse?

Sophie considerou o caso e encolheu os ombros.

— Por mim, não me importava.

Sir Leigh Teabing continuava a falar:

— Não vou aborrecê-la com todas as referências à união entre Jesus e Madalena. O tema tem sido explorado ad nauseam pelos historiadores modernos.

Gostaria, no entanto, de fazer notar o seguinte. — Apontou para outra passagem.

— É do Evangelho de Maria Madalena.

Sophie nem sequer sabia que havia um evangelho de Maria Madalena. Leu o texto:

“E Pedro perguntou: ‘É verdade que o Salvador falou com uma mulher sem nos dar conhecimento? Teremos agora de voltar-nos para ela e escutar o que diz?

Preferiu-a a nós?’”

E Levi respondeu: ‘Pedro, sempre foste um exaltado. Agora vejo-te a combater esta mulher como se ela fosse um adversário. Se o Salvador a achou digna, quem és tu para rejeitá-la? Certamente o Salvador conhece-a muito bem. Por isso a amou mais do que a nós.’”

— A mulher de que estão falando é Maria Madalena — explicou Teabing. —

Pedro tem ciúmes dela.

— Porque Jesus preferia Maria.

— Não só isso. O que estava em jogo era muito mais importante do que simples afetos. Neste ponto dos Evangelhos, Jesus suspeita de que em breve será preso e crucificado. Por isso dá a Madalena instruções sobre como conduzir a sua Igreja depois de ter desaparecido. Pedro expressa o seu descontentamento por ter de obedecer a uma mulher. Diria que este Pedro era bastante sexista.

Sophie estava tentando não se perder.

— Estamos falando de São Pedro. A rocha sobre a qual Jesus construiu a sua Igreja?

— Ele mesmo, com uma pequena diferença. Segundo estes evangelhos não adulterados, não foi a Pedro que Jesus deu instruções sobre como estabelecer a Igreja Cristã. Foi a Maria Madalena.

Sophie olhou para ele.

— Está me dizendo que a Igreja Cristã devia ter sido continuada por uma mulher!

— Era esse o plano. Jesus foi o primeiro dos feministas. Queria que o futuro da sua Igreja ficasse nas mãos de Maria Madalena.

— E Pedro não aprovava — interveio Langdon, apontando para A Ultima Ceia. — E aquele, ali. Vê-se que da Vinci sabia muito bem o que Pedro pensava de Maria Madalena.

Mais uma vez, Sophie ficou sem palavras. Na pintura, Pedro inclinava-se ameaçadoramente para Maria Madalena e passava a mão esticada pelo pescoço dela, como uma faca. O mesmo gesto que na Madonna dos Rochedos!

— E aqui também — continuou Langdon, indicando o grupo de discípulos mais perto de Pedro. — Não pressagia nada de bom, não é?

Sophie concentrou a atenção e viu uma mão a emergir do grupo de discípulos.

— Aquela mão empunha uma adaga?

— Exatamente. E, o que é ainda mais estranho, se contar os braços, verificará que essa mão pertence... a ninguém. É uma mão sem corpo. Anônima.

Sophie começava a sentir-se esmagada.

— Peço desculpas, mas continuo a não ver como é que tudo isto faz de Maria

Madalena o Santo Graal.

— Ah! — exclamou Teabing uma vez mais. — Aí é que está a questão! —

Voltou-se de novo para a mesa e tirou do monte um grande mapa, que desdobrou diante dela. Era uma espécie de elaborada genealogia — Poucas pessoas sabem que Maria Madalena, além de ser o braço direito de Cristo, era já uma mulher poderosa.

Sophie leu o título da árvore genealógica.

A TRIBODE BENJAMIM

— Maria Madalena está aqui — disse Teabing, apontando um lugar perto do topo da genealogia.

Sophie ficou surpreendida.

— Madalena pertencia à Casa de Benjamim?

— É verdade — respondeu Teabing. — Maria Madalena era de descendência real.

— Mas sempre pensei que fosse pobre.

Teabing abanou a cabeça.

— Madalena foi apresentada como prostituta com o objetivo de esconder as provas das suas poderosas ligações familiares.

Sophie deu por si a olhar para Langdon, que mais uma vez corroborou.

Voltou-se de novo para Teabing.

— Mas que diferença fazia à Igreja primitiva que Maria Madalena tivesse sangue real?

Teabing sorriu.

— Minha querida, não era o sangue real de Maria Madalena que tanto preocupava a Igreja, e sim o seu casamento com Cristo, que também tinha sangue real. Como sabe, Mateus diz-nos que Jesus pertencia à Casa de David.

Um descendente de Salomão... rei dos Judeus. Ao casar com uma mulher da poderosa Casa de Benjamim, Jesus fundia duas linhagens reais, criando uma união política com potencial para apresentar uma legítima pretensão ao trono e restaurar a linha de reis tal como vinha de Salomão.

Sophie sentiu que ele estava quase chegando ao fulcro da questão. Teabing

parecia agora extremamente excitado.

— A lenda do Santo Graal é uma lenda a respeito de sangue real. Quando a lenda do Graal fala do “cálice que conteve o sangue de Cristo...”, está, na realidade, falando de Maria Madalena... o útero feminino que conteve a linhagem real de Jesus.

As palavras pareceram ecoar nas paredes do salão de baile antes que o cérebro de Sophie as registrasse. Maria Madalena conteve a linhagem real de JesusCristo?

— Mas como podia Cristo ter uma linhagem real a menos...? Fez uma pausa e olhou para Langdon.

Langdon sorriu-lhe docemente.

— A menos que tivessem um filho.

Sophie ficou petrificada.

— Veja! — proclamou Teabing — a maior operação de encobr imento de toda a História! Jesus não só era casado, como também era pai. Minha querida, Maria Madalena era o Vaso Sagrado. Era o cálice que conteve o sangue real de Jesus. Foi o útero que gerou a linhagem, e a vinha de onde nasceu o fruto sagrado!

Sophie sentiu os pelos dos braços eriçarem-se-lhe.

— Mas como poderia um segredo dessa importância permanecer escondido durante todos estes anos?

— Céus! — exclamou Teabing. — Esteve tudo menos escondido! A linhagem real de Jesus Cristo está na origem da mais duradoura lenda de todos os tempos: o Santo Graal.

A história de Madalena tem sido proclamada do alto dos telhados há séculos através de todo o gênero de metáforas e em todas as línguas. Está em todo o lado, para quem tenha os olhos abertos.

— E os documentos Sangreal? — perguntou Sophie. — Contêm alegadamente provas de que Jesus teve uma linhagem real?

— Sim.

— Então, toda a lenda do Santo Graal tem a ver com sangue real?

— Muito literalmente — respondeu Teabing. — A palavra Sangreal deriva de San Greal... Santo Graal. Mas na sua forma mais antiga, a palavra Sangreal dividia-se de maneira diferente. — Teabing rabiscou num pedaço de papel, que lhe estendeu.