O Código Da Vinci
Capítulo Noventa
— O conteúdo da caixa não vem ao caso — replicou secamente Vernet. —
Estou preocupado com a reputação do meu banco. Nunca tivemos um roubo.
Nunca. Ficaremos arruinados se não conseguirmos recuperar a propriedade do meu cliente.
— Disse-me que a agente Neveu e o senhor Langdon tinham o número da conta e uma chave. O que o leva dizer que roubaram a caixa?
— Assassinaram pessoas a noite passada. Incluindo o avô de Sophie Neveu.
A chave e o número foram evidentemente obtidos por meios ilícitos.
— Monsieur Vernet, mandei investigar o seu passado e os seus interesses. E
obviamente um homem de grande cultura e refinamento. Imagino que seja também um homem de honra. Como eu sou. Dito isto, dou-lhe a minha palavra, como comandante da Police Judiciaire, de que a caixa e o respectivo conteúdo, bem como a reputação do seu banco, se encontram em mãos absolutamente seguras.
C A P Í T U L O 90
No palheiro das cavalariças de Château Villette, o tenente Collet olhava incrédulo para a tela do computador.
— Este sistema está escutando todos esses locais?
— Sim — respondeu o agente. — Aparentemente, está recolhendo dados há mais de um ano.
Collet voltou a ler a lista, estupefato.
COLBERT SOSTAQUE — Presidente do Conselho Constitucional JEAN CHAFFÉE — Conservador, Museu do Jeu de Paume EDOUARD DESROCHERS — Arquivista-chefe, Biblioteca Mitterrand JACQUES SAUNIÈRE — Conservador, Museu do Louvre
MICHEL BRETON — Chefe da DAS (Serviços Secretos franceses) O agente apontou para o visor.
— O número quatro é obviamente relevante.
Collet assentiu. Reparara imediatamente. Jacques Saunière estava sob escuta.
Olhou uma vez mais para o resto da lista. Como terá alguém conseguido pôr sob escuta todas estas pessoas importantes?
— Já ouviu alguma das gravações áudio?
— Várias. Esta é uma das mais recentes. — O agente apertou uma sequência de teclas no computador. “Capitaine, un agent du Département de Cryptologie est arrivé’ — disseram os autofalantes.
Collet não queria acreditar no que ouvia.
— Sou eu! É a minha voz! — Recordou-se de estar sentado à secretária de
Saunière e de contatar Fache na Grande Galeria, através do rádio, para avisá-lo da chegada de Sophie Neveu.
O agente assentiu.
— Uma grande parte da nossa investigação no Louvre esta noite poderia ter sido ouvida, se alguém estivesse interessado.
— Já mandou alguém procurar o microfone?
— Não é necessário. Sei exatamente onde ele está. — O agente dirigiu-se ao monte de velhas notas e planos em cima da mesa de trabalho. Escolheu uma página e estendeu-a a Collet. — Parece-lhe familiar?