O Código Da Vinci
Capítulo Noventa e um
Collet estava espantado. Tinha nas mãos uma fotocópia de um antigo diagrama elétrico, que descrevia uma máquina rudimentar. Não conseguia ler as palavras escritas em italiano, mas sabia para o que estava olhando. Um modelo de um cavaleiro medieval francês totalmente articulado.
O cavaleiro que está em cima da secretária do Saunière!
Os olhos de Collet desviaram-se para as margens do papel, onde alguém rabiscara notas com um marcador vermelho. As notas estavam escritas em francês e pareciam ser considerações a respeito da melhor maneira de colocar um aparelho de escuta dentro do cavaleiro.
C A P Í T U L O 91
Silas estava sentado no banco do passageiro da limusine estacionada perto de Temple Church. Sentia as mãos úmidas na Chave de Abóbada enquanto esperava que, na parte de trás do carro, que Rémy acabasse de amarrar Teabing com a corda que tinham encontrado na mala.
Finalmente, Rémy saiu pela porta traseira, contornou o carro e instalou-se no lugar do condutor, ao lado de Silas.
— Ficou bem seguro? — perguntou Silas.
Rémy riu, sacudindo os pingos de chuva da roupa, e olhou através da divisória para a forma enrolada de Leigh Teabing, quase invisível no chão em frente do banco traseiro.
— Não vai a parte nenhuma.
Silas ouviu os gritos abafados de Teabing e compreendeu que Rémy usara os restos da fita isoladora para amordaçá-lo.
— Ferme ta guelel — gritou Rémy por cima do ombro. Estendendo a mão para o complicado painel de instrumentos, apertou um botão e uma divisória opaca subiu atrás deles, isolando a traseira do carro. Teabing desapareceu, e a sua voz deixou de se ouvir.
Rémy lançou um olhar a Silas.
— Estou farto das queixas daquele miserável.
Minutos mais tarde, quando a limusine percorria as ruas de Londres, o telefone de Silas tocou. O Professor.
— Alô? — respondeu, excitadamente.
— Silas — disse a voz familiar do Professor com o seu sotaque francês. —
Estou contente por ouvi-lo. Significa que está bem.
Também Silas se sentia reconfortado por ouvir o Professor. Tinham-se passado horas, e a operação descambara de uma maneira perfeitamente louca.
Agora, por fim, parecia estar voltando aos eixos.
— Tenho a Chave de Abóbada.
— Excelente notícia. Rémy está com você?
Silas ficou surpreso ao ouvir o Professor usar o nome de Rémy.
— Sim. Foi ele que me libertou.
— Como eu lhe ordenei que fizesse. Só lamento que tenha sido obrigado a suportar o cativeiro durante tanto tempo.
— O desconforto físico não significa nada. O importante é que a Chave de Abóbada é nossa.
— Sim. Preciso que a entreguem imediatamente. O tempo é essencial.
Silas estava ansioso por encontrar finalmente o Professor face-a-face.
— Sim, senhor, terei muita honra.
— Silas, quero que seja Rémy a trazê-la.
Rémy? Silas sentiu a alma cair-lhe aos pés. Depois de tudo o que tinha feito pelo Professor, julgara que seria ele a entregar o prêmio. O Professor prefere Rémy?
— Sinto o seu desapontamento — disse o Professor —, o que me diz que não me compreendeu. Tem de acreditar que eu gostaria muito mais que fosse você, um homem de Deus, a entregar-me a Chave de Abóbada, e não Rémy, que é um criminoso. Mas Rémy é um caso que tem de ser resolvido. Desobedeceu às minhas ordens e cometeu um grave erro que comprometeu toda a missão.
Silas s entiu um arrepio e olhou de soslaio para Rémy. Raptar Teabing não fizera parte do plano, e decidir o que fazer com ele representava um novo problema.
— Você e eu somos homens de Deus — sussurrou o Professor. Nada pode desviar-nos do nosso objetivo. — Seguiu-se uma pausa carregada de s ignificado. — Por esta razão, e só por esta razão, vou pedir ao Rémy que me traga a Chave de Abóbada. Compreende o que estou dizendo?
Silas sentiu fúria na voz do Professor e ficou surpreso pelo homem não ser mais compreensivo. Rémy não tinha outra opção a não ser mostrar-se, pensou.
Fez o que tinha de ser feito. Salvou a Chave de Abóbada.
— Compreendo — conseguiu dizer.
— Ótimo. Para sua própria segurança, você tem de sair imediatamente das ruas. A Polícia não demorará a procurar o Jaguar, e eu não quero que o apanhem.
A Opus Dei tem uma residência em Londres, suponho?
— Claro.
— Eles o acolherão?
— Como a um irmão.
— Então vá para lá e mantenha-se fora das vistas. Telefono assim que tenha a Chave de Abóbada em meu poder e o meu atual problema resolvido.
— Está em Londres?
— Faça o que te digo e tudo correrá bem.
— Sim, senhor.
O Professor deixou escapar um fundo suspiro, como se o que tinha de fazer a seguir fosse profundamente lamentável.
— Preciso falar com Rémy.
Silas pass ou o telefone, sentindo que aquele podia ser o último telefonema que Rémy Legaludec recebia neste mundo.
Enquanto pegava o telefone, Rémy sabia que aquele pobre e retorcido monge não fazia ideia da sorte que o esperava agora que servira o seu propósito.
O Professor serviu-se de você, Silas.
E o seu bispo não passa de um peão.