O Código Da Vinci

Dan Brown · Capítulo 66 de 109

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O Código Da Vinci

Capítulo Sessenta e Três

— Não se preocupe — interveio Langdon. — A Chave de Abóbada está bem escondida.

— Extremamente bem escondida, espero eu!

— Na verdade — continuou Langdon, incapaz de reprimir um sorriso —, tudo depende da frequência com que manda limpar o pó debaixo do divã.

Lá fora, o vento refrescara, agitando o hábito de Silas, que continuava acocorado o mais perto possível das portas da janela de sacada. Embora não tivesse conseguido ouvir a maior parte da conversa, as palavras: Chave de Abóbada tinham passado através dos vidros em diversas ocasiões.

Está lá dentro.

Tinha as palavras do Professor frescas na memória. Entre em Château Villette.

Apodera-se da Chave de Abóbada. Não machuque ninguém.

Agora, Langdon e os outros tinham mudado subitamente para outra sala, apagando as luzes do estúdio ao saírem. Sentindo-se como uma pantera perseguindo sua presa. Silas aproximou-se das portas de vidro. Não estavam trancadas. Deslizou para o interior e voltou a fechá-las sem ruído. Ouvia vozes abafadas vindas de uma outra divisão. Empunhou a pistola, baixou a trava de segurança e avançou cautelosamente pelo corredor.

C A P Í T U L O 63

Sozinho junto ao início do caminho de acesso à casa de Leigh Teabing, o tenente Collet olhava para a vasta mansão isolada. Escuro. Boa cobertura no terreno. Viu a sua meia dúzia de agentes espalharem-se em silêncio ao longo do gradeamento. Podiam transpô-lo e cercar a casa em questão de minutos. Langdon não podia ter escolhido um melhor lugar para um assalto de surpresa. Collet preparava-se para ligar para Fache quando, finalmente, o s eu celular tocou.

Fache parecia quase tão contente com o rumo dos acontecimentos quanto Collet imaginara.

— Porque não me disse que tínhamos uma pista para chegar à Langdon?

— Estava ocupado com uma chamada, e eu...

— Onde está exatamente, tenente Collet?

Collet deu-lhe o endereço.

— A propriedade pertence a um cidadão britânico chamado Leigh Teabing.

Langdon percorreu uma distância considerável para chegar até aqui, e o veículo está no interior, sem sinais de entrada forçada, de modo que há boas possibilidades de ele conhecer o ocupante.

— Estou a caminho — disse Fache. — Não faça nada. Vou tratar disto pessoalmente.

O queixo de Collet caiu.

— Mas, capitão, está a vinte minutos de distância! Podemos agir imediatamente.

Tenho-o vigiado, disponho de oito homens. Quatro têm espingardas e os

outros pistolas.

— Espere por mim.

— Capitão, e se Langdon tem um refém lá dentro? Se nos descobre e resolve fugir a pé? Temos de agir já. Os meus homens estão em posição e prontos para avançar.

— Tenente Collet, vai esperar pela minha chegada antes de iniciar qualquer ação. É uma ordem. — E Fache cortou a ligação.

Aturdido, o tenente Collet desligou o celular. Porque raio é que Fache quer que eu espere? Collet sabia a resposta. Fache, apesar de famoso pelo seu instinto, era notório pelo seu orgulho. Quer os louros da detenção. Depois de ter colocado o rosto do americano em todas as televisões, tencionava assegurar-se de que a sua própria disporia do mesmo tempo de exposição. A missão de Collet era apenas aguentar o forte até o chefe aparecer para salvar a situação.

Logo a seguir, porém, ocorreu-lhe uma segunda explicação possível para o adiamento. Controle de danos. A hesitação em deter um fugitivo só acontecia quando surgiam dúvidas quanto à culpa do suspeito. Estará Fache pouco seguro de que Langdon seja o homem certo? A perspectiva era assustadora. Só faltara ao capitão Fache fazer o pino para deter Langdon naquela noite: surveillance cachée, Interpol, e agora televisão.

Nem sequer o grande Bezu Fache sobreviveria ao terremoto político se, por engano, tivesse exibido o rosto de um eminente cidadão americano em todas as televisões, acusando-o de assassínio. Se Fache tivesse percebido que cometera um erro, faria todo o sentido ordenar, que ficasse quieto. A última coisa de que precisava era de ter um subordinado seu invadindo a casa de um cidadão britânico e prendendo Langdon.

Além disso, percebeu Collet, se Langdon fosse inocente, isso explicaria um dos mais estranhos paradoxos daquele caso: que razão teria levado Sophie Neveu, neta da vítima, a ajudar o suposto assassino a fugir? A menos que Sophie soubesse que Langdon estava sendo falsamente acusado. Fache postulara todo o tipo de explicações para justificar o estranho comportamento de Sophie, incluindo a de que a jovem, como única herdeira, convencera o seu amante secreto, Robert Langdon, a assassinar Jacques Saunière por causa da herança. Se Saunière suspeitasse disto, era possível que tivesse deixado a mensagem P.S.

Encontrem Robert Langdon. Mas Collet tinha praticamente certeza de que havia

ali mais qualquer coisa. Sophie Neveu parecia ser uma pessoa muito íntegra para estar envolvida em uma jogada tão sórdida.

— Tenente! — chamou um dos agentes, aproximando-se correndo. —

Encontramos um carro.

Collet seguiu o agente, que, cerca de cinquenta metros mais à frente, apontou para uma espécie de desvio do lado oposto da estrada. Ali, escondido entre os arbustos, quase fora das vistas, estava parado um Audi preto. Tinha matrícula de aluguel. Collet tocou na tampa do motor. Estava quente. Bastante quente.

— Deve ter sido assim que o Langdon chegou até aqui. Ligue para a empresa de aluguel. Descubra se foi roubado.

— Sim, senhor.

Um outro agente fez sinal a Collet, pedindo-lhe que se aproximasse do gradeamento.

— Tenente, dê uma olhada nisto. — E entregou-lhe um par de binóculos de visão noturna. — Aquele grupo de árvores, perto do topo do caminho de acesso.

Collet apontou os binóculos na direção indicada e focou a imagem.

Lentamente, as formas esverdeadas tornaram-se mais nítidas. Localizou a curva do caminho e seguiu-a até o grupo de árvores. E ficou olhando. embasbacado.

Ali, no meio das árvores, estava um carro blindado. Um carro blindado igual ao que ele deixara s air do Banco Depositário de Zurique um par de horas antes.

Pediu aos céus que aquilo fosse uma bizarra coincidência, mas sabia perfeitamente que não podia ser.

— Parece óbvio — disse o agente — que foi naquele carro que Langdon e Neveu conseguiram sair do banco.

Collet estava sem fala. Pensou no condutor do furgão que mandara parar na barricada. O Rolex. A pressa de partir. Nunca verifico a caixa de carga.

Incrédulo,

Collet

compreendeu

que

alguém

do

banco

mentira

deliberadamente à DCPJ a respeito do paradeiro de Langdon e de Sophie e os ajudara a fugir. Mas quem? E porquê? Disse para si mesmo que talvez fosse aquela a razão por que Fache lhe dissera para ficar quieto. Talvez Fache tivesse percebido que havia mais gente envolvida naquilo do que apenas Langdon e Sophie. Se Langdon e Sophie vieram no carro blindado, quem trouxe o Audi preto?