O Código Da Vinci

Dan Brown · Capítulo 81 de 109

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O Código Da Vinci

Capítulo Setenta e Oito

— Mas esperem... a palavra Sophia tem seis letras.

O sorriso de Teabing não desapareceu como ela esperava.

— Olhe bem para o poema. O seu avô escreveu, “Uma antiga palavra de sabedoria”.

— Sim?

Teabing piscou-lhe um olho.

— Em grego antigo, sabedoria escreve-se S-O-F-I-A.

C A P Í T U L O 78

Sophie sentiu-se invadida por uma louca excitação quando, com o criptex pousado no colo, começou a alinhar as letras. Uma antiga palavra de sabedoria este rolo liberta.

Langdon e Teabing, que lhe seguiam todos os gestos, pareciam ter suspendido a respiração.

S...O...F...

— Com cuidado — pediu Teabing. — com muito cuidado.

...I...A.

Sophie acertou o último anel.

— Okay — disse, olhando para os outros dois. — Vou puxar.

— Lembre-se do vinagre — sussurrou Langdon, com temerosa euforia. —

Tenha cuidado.

Sophie sabia que se aquele criptex era igual aos que abrira na sua juventude, tudo o que tinha de fazer era segurar o cilindro por ambas as extremidades, depois dos anéis, e puxar, aplicando uma pressão lenta e regular em direções opostas. Se os anéis tivessem adequadamente alinhados com a senha, um dos extremos deslizaria para fora, como a tampa de uma lente, e ela poderia enfiar a mão no interior e retirar o papiro enrolado à volta da ampola de vinagre. No entanto, se a senha que tinham introduzido estivesse incorreta, a força exercida para fora em ambas as extremidades seria transferida a uma alavanca que rodaria para baixo dentro do cilindro e faria pressão sobre o vidro, acabando eventualmente por parti-lo.

Devagarinho, disse a si mesma.

Teabing e Langdon inclinaram-se para a frente quando ela fechou as mãos à

volta das extremidades do cilindro. Com a excitação de decifrar a senha, Sophie quase esquecera o que esperavam encontrar lá dentro. Isto é a Chave de Abóbada do Priorado.

Segundo Teabing, continha um mapa para chegar ao Santo Graal, revelando a localização do túmulo de Maria Madalena e do tesouro Sangreal... a autêntica gruta do tesouro da verdade secreta.

Com o tubo de pedra seguro nas mãos, Sophie voltou a certificar-se de que todas as letras estavam devidamente alinhadas com os indicadores. Então, lentamente, puxou.

Nada aconteceu. Fez um pouco mais de força. De repente, o cilindro estendeu-se como um telescópio bem construído. A pesada extremidade de pedra soltou-se e ficou-lhe na mão. Teabing e Langdon quase deram um salto. O

coração de Sophie começou a bater mais depressa quando ela pousou a tampa em cima da mesa e inclinou ligeiramente o cilindro para espreitar lá para dentro.

Um rolo!

Viu que tinha sido enrolado à volta de um objeto cilíndrico, a ampola de vinagre, assumiu — mas que, estranhamente, não era o habitual e delicado papiro. Era velino. É estranho, pensou. O vinagre não dissolve o velino. Olhando com mais atenção, descobriu que o objeto à volta do qual o velino fora enrolado não era, afinal, uma ampola de vinagre. Era algo completamente diferente.

— Que está acontecendo? — perguntou Teabing, impaciente. — Tire o rolo para fora.

De testa franzida, Sophie segurou com os dedos o rolo de velino e o objeto à volta do qual fora enrolado, tirando-os a ambos de dentro do contentor.

— Isso não é papiro — disse Teabing. — É muito pesado.

— Eu sei. É uma proteção.

— Para quê? Para a ampola de vinagre?

— Não. — Sophie desenrolou o pedaço de velino e mostrou o que ele embrulhava. — Para isto.

Quando Langdon viu o objeto, sentiu o coração afundar-se no peito.

— Deus nos ajude — murmurou Teabing, deixando descair os ombros. — O

seu avô era um arquiteto implacável.

Langdon continuava olhando estupefato. Estou vendo que Sauniere não tinha

a mínima intenção de tornar isto fácil.

Em cima da mesa, estava um segundo criptex. Menor. Feito de ônix. A paixão de Saunière pela dualidade. Dois criptex. Tudo aos pares.

Duplos-sentidos.

Masculino-feminino. Preto dentro de branco. Langdon sentiu a teia de simbolismos estender-se à sua frente. O branco dá à luz o preto.

Todo o homem nasce da mulher.

Branco — fêmea.

Preto — macho.

Estendeu a mão e pegou o pequeno criptex. Parecia idêntico ao primeiro, excetuando o fato de ser preto e ter metade do tamanho. Ouviu o familiar gorgolejo. Aparentemente, a ampola de vinagre estava dentro do segundo criptex.

— Bem, Robert — disse Teabing, empurrando na direção dele a folha de velino —, vai gostar de saber que pelo menos estamos voando na direção certa.

Langdon examinou a espessa folha de velino. Continha, escrito em uma caligrafia ornamentada, outro poema com quatro linhas, também em inglês. Mais uma vez, a métrica era o pentâmetro jâmbico. O poema era críptico, mas Langdon só precisou ler o primeiro verso para perceber que a decisão de Teabing de voar para Inglaterra fora acertada.

IN LONDON LIES A KNIGHT A POPE INTERRED

Em Londres jaz um cavaleiro que um papa enterrou. O resto do poema indicava claramente que a senha para abrir o segundo criptex seria encontrada no túmulo do cavaleiro, Em algum lugar na cidade.

Langdon voltou-se excitadamente para Teabing.

— Faz alguma ideia de que cavaleiro o poema se refere?

Teabing sorriu.