O Código Da Vinci
Capítulo Oitenta e Oito
Depois de transmitir, o disco rígido limpava a si mesmo e ficava pronto para repetir o trabalho no dia seguinte.
Os olhos de Collet desviaram-se para a prateleira onde estavam arrumadas várias centenas de cassetes áudio, todas elas etiquetadas com datas e números.
Alguém tem estado muito ocupado. Voltou-se para o agente.
— Faz alguma ideia de quem é o alvo?
— Bem, tenente — disse o agente, dirigindo-se ao computador e abrindo um programa. — É estranhíssimo...
C A P Í T U L O 88
Langdon sentia-se completamente exausto quando ele e Sophie passaram pela borboleta na estação de metropolitano de Temple e se internaram no sombrio labirinto de túneis e plataformas. A culpa dilacerava-o.
Meti Leigh nisto e coloquei-o em perigo de vida.
O envolvimento de Rémy, apesar de ter sido um choque, fazia sentido. A pessoa que perseguia o Graal, fosse ela quem fosse, recrutara alguém no interior da praça.
Procuraram Teabing pela mesma razão que eu. Ao longo da História, sempre os possuidores de conhecimentos sobre o Graal tinham sido como imãs que atraíam ladrões e estudios os em quantidades mais ou menos iguais. O fato de Teabing nunca ter deixado de ser um alvo deveria fazer com que Langdon se sentisse um pouco menos culpado por tê-lo envolvido. Mas não fazia. Temos de encontrar o Leigh e ajudá-lo. Imediatamente.
Langdon seguiu Sophie até à estação do sentido oeste da District and Circle Line, onde a jovem se dirigiu imediatamente a um telefone público para alertar a Polícia, apesar dos avisos de Rémy, enquanto ele se sentava em um desengonçado banco mesmo ao lado, roído pelo remorso.
— A melhor maneira de ajudar Leigh — reiterou Sophie, enquanto marcava o número — é envolver imediatamente as autoridades de Londres. Acredite em mim.
Inicialmente, Langdon não concordara com a ideia, mas à medida que iam elaborando um plano, a lógica de Sophie começara a fazer sentido. Teabing não corria um perigo imediato. Mesmo que Rémy e os outros conhecessem a localização do túmulo, continuariam precisando dele para decifrar a referência
ao globo. O que o preocupava era o que aconteceria depois do mapa do Graal ter sido encontrado. Leigh passará a representar um risco que eles não vão querer correr.
Se queria ter alguma chance de ajudar Teabing, ou de voltar a ver a Chave de Abóbada, era essencial que ele fosse o primeiro a descobrir o túmulo.
Infelizmente, Rémy levava um avanço considerável.
Atrasar Rémy seria a tarefa de Sophie.
A dele seria encontrar o túmulo.
Sophie faria de Rémy e de Silas fugitivos à Polícia de Londres, forçando-os a esconderem-se ou, melhor ainda, levando-os a ser capturados. O plano de Langdon era menos seguro: apanhar o metropolitano para o King’s College, famoso pela sua base de dados teológica informatizada. A ferramenta de pesquisa perfeita, ouvira dizer. Respostas instantâneas a qualquer questão sobre história das religiões. Perguntou a si mesmo o que teria a base de dados a dizer sobre “um cavaleiro que um papa enterrou”. Pôs-se de pé e começou a andar de um lado para o outro, desejando que o trem chegasse depressa.
Na cabina telefônica, Sophie conseguiu finalmente contatar a Polícia de Londres.
— Divisão de Snow Hill — disse a telefonista. — com quem deseja falar?
— Quero informar um rapto. — Sophie sabia ser concisa.
— Nome, por favor?
Sophie hesitou por um brevíssimo instante.
— Agente Sophie Neveu, da Polícia Judiciária francesa.
O título teve o efeito desejado.
— Imediatamente, minha senhora. vou passar-lhe um detetive.
Enquanto a telefonista fazia a ligação, Sophie começou a perguntar a si mesma se a Polícia iria sequer acreditar na sua descrição dos raptores de Teabing. Um homem de smoking. Não devia haver muitos suspeitos mais fáceis de identificar. E mesmo que Rémy mudasse de roupa, fazia-se acompanhar por um monge albino. Impossível passar despercebido. Além disso, tinham como refém um homem que não podia utilizar os transportes públicos. Quantas limusines Jaguar haveria em Londres?
A ligação ao detective parecia estar demorando uma eternidade. Vamos lá!
Sophie ouvia os estalidos e zumbidos da linha, como se a chamada estives se sendo transferida.
Passaram quinze segundos.
Finalmente, uma voz de homem.
— Agente Neveu?
Estupefata, Sophie reconheceu imediatamente o tom rebarbativo.
— Agente Neveu, onde diabo se meteu? — perguntou Bezu Fache.
Sophie ficou sem fala. Aparentemente, o capitão Fache pedira à central da Polícia de Londres que o alertasse se ela entrasse em contato.
— Ouça — disse Fache, falando rapidamente em francês. — Cometi um erro terrível esta noite. Robert Langdon é inocente. Todas as acusações contra ele foram retiradas.
Mesmo assim, correm ambos um grande perigo. Têm de se apresentar.
Sophie sentiu que o queixo caía. Não fazia ideia de como reagir. Fache não era homem para pedir desculpa fosse pelo que fosse.
— Não me disse — continuou Fache — que o conservador Jacques Saunière era seu avô. Estou disposto a deixar passar a sua insubordinação de ontem à noite, tendo em conta a pressão emocional a que devia estar sujeita. Agora, no entanto, você e Langdon devem procurar refúgio na esquadra mais próxima da Polícia de Londres.
Fache sabe que eu estou em Londres? Que mais saberá? Sophie ouviu ao fundo o que lhe pareceu ser o barulho de uma furadeira elétrica trabalhando.
Ouviu também um estranho clique na linha.
— Está localizando esta chamada, capitão?
A voz de Fache soou firme.
— Precisamos cooperar um com o outro, agente Neveu. Temos ambos muito a perder. Estou tentando controlar os estragos. Cometi erros de julgamento ontem à noite, e se desses erros resultar a morte de um professor americano e de uma criptologista da DCPJ, a minha carreira estará arruinada. Há várias horas que estou tentando colocá-los em segurança.