O Código Da Vinci

Dan Brown · Capítulo 80 de 109

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O Código Da Vinci

Capítulo Setenta e Sete

— Sim, sim — dizia Teabing, excitadíssimo. — Deve ser a Baphomet que o poema se refere. Uma cabeça de pedra venerada pelos Templários.

— Muito bem — alegou Sophie —, mas se Baphomet é a cabeça de pedra venerada pelos Templários, temos um novo dilema. Apontou para os anéis do criptex. — Baphomet tem oito letras. E nós só temos espaço para cinco.

— Minha querida — disse Teabing, sorrindo amplamente —, é aqui que a Cifra Atbash entra em cena.

C A P Í T U L O 77

Langdon estava impressionado. Teabing acabava de escrever de memória as vinte e duas letras do alfabeto — alef-beit — hebreu. É certo que usara os equivalentes latinos e não os carateres hebraicos, mas mesmo assim...

Estava agora lendo-os com uma pronúncia impecável.

A B G D H V Z Ch T Y K L M N S O P Tz Q R ShTh

— Alef, Beit, Gimel, Dalet, Hei, Vav, Zayin, Chet, Tet, Yud, Kaf, Lamed, Mem, Nun, Samech, Ayin, Pei, Tzadik, Kuf, Reish, Shin e Tav. — Teabing limpou dramaticamente a testa e continuou. Na ortografia formal hebraica, não se usa vogais. Por conseguinte, quando escrevemos a palavra B aphomet usando o alfabeto hebreu, ela perde as suas três vogais na tradução, deixando-nos...

— Cinco letras — murmurou Sophie. Teabing assentiu e colocou-se outra vez a escrever.

— Okay, aqui temos a ortografia correta de Baphomet em hebreu. Vou desenhar as vogais que faltam, para maior clareza.

B a P V o M e Th

— Tenham presente, claro — acrescentou —, que o hebreu é normalmente escrito em sentido contrário, mas também podemos usar o atbash assim como está. Agora, tudo o que temos de fazer é criar o nosso esquema de substituição reescrevendo todo o alfabeto, em ordem inversa, ao lado do original.

— Há uma maneira mais fácil — disse Sophie, tirando a caneta da mão de Teabing. — Resulta com todas as cifras reflexas de substituição, incluindo o

atbash. Um pequeno truque que aprendi no Royal Holloway. — Sophie escreveu a primeira metade do alfabeto da esquerda para a direita, e então, por baixo, a segunda metade da direita para a esquerda. — Os criptoanalistas chamam a isto

“fazer a dobra”. Duas vezes mais fácil, duas vezes mais claro.

A BG D HV ZChT Y K

ThShR QTz POSN ML

Teabing deu uma olhada no resultado e riu.

— Toda a razão. Fico contente por verificar que os rapazes de Holloway estão fazendo seu trabalho.

Ao olhar para a matriz de substituição de Sophie, Langdon sentiu uma crescente excitação que imaginou poder rivalizar com a que tinham sentido os investigadores de outros tempos ao usarem pela primeira vez a Cifra Atbash para decodificar o atualmente famoso Mistério de Sheshach. Durante anos, as referências bíblicas a uma cidade chamada Sheshach tinham resistido a todos os esforços de identificação levados a cabo pelos estudiosos. O nome da cidade não aparecia em qualquermapa nem em qualquer outro documento, e no entanto era repetidamente referido no Livro de Jeremias — o rei de Sheshach, a cidade de Sheshach, o povo de Sheshach. Finalmente, um investigador aplicara a Cifra Atbas h à palavra, com resultados surpreendentes. A cifra revelara que Sheshach era na verdade o nome de código de uma outra cidade muito conhecida. O

processo de descodificação era simples.

Sheshach, em hebreu, escreve-se Sh-Sh-K.

Sh-Sh-K, quando colocado na matriz de substituição, tornava-se B-B-L.

B-B-L, em hebreu, lê-se Babel.

A misteriosa cidade de Sheshach era, pois, a cidade de Babel, e a descoberta provocou um frenesi de investigação bíblica. No espaço de semanas, tinham sido descobertas no Antigo Testamento várias outras palavras em Código atbash, revelando uma infinidade de significados escondidos que os eruditos não imaginavam sequer que lá estivessem.

— Estamos nos aproximando — murmurou Langdon, incapaz de conter a excitação.

— A centímetros — corroborou Teabing. Olhou para Sophie e sorriu. — Está

pronta?

Ela assentiu.

— Muito bem. Baphomet, em hebreu, sem as vogais, escreve-se B-P-V-M-Th. Tudo o que temos agora de fazer é aplicar a sua matriz de substituição atbash para obter a nossa senha de cinco letras.

Langdon sentia o coração martelar-lhe o peito. B-P-V-M-th.

A luz do Sol entrava agora a jorros pelas janelas. Olhou para a matriz de substituição deSophie e começou lentamente a fazer a conversão. B é Sh... P é V...

Teabing sorria como um miúdo no dia de Natal.

— E a Cifra Atbash revela... — Calou-se de repente. — Grande Deus! —

exclamou, branco como um lençol.

Langdon ergueu vivamente a cabeça.

— Que foi? — perguntou Sophie.

— Não vão acreditar nisto. — Teabing olhou para Sophie. — Especialmente você, minha querida.

— Que quer dizer com isso?

— Isto é... engenhoso — murmurou ele. — Extremamente engenhoso! —

Teabing voltou a escrever no papel. — Rufar de tambores, por favor. Aqui têm a sua senha. — E mostrou-lhes o que tinha escrito.

Sh-V-P-Y-A

— O que é isso? — perguntou Sophie, franzindo a testa.

Langdon também não reconheceu a palavra. A voz de Teabing pareceu tremer de admiração.

— Isto, minha amiga, é na verdade uma antiga palavra de sabedoria.

Langdon voltou a ler as letras. Uma antiga palavra de sabedoria este rolo liberta.

Um instante depois, compreendeu. Nunca teria pensado naquilo.

— Uma antiga palavra de sabedoria!

Teabing estava rindo.

— Muito literalmente!

Sophie olhou para a palavra e depois para o criptex. Percebeu imediatamente que nem Langdon nem Teabing tinham visto um grave problema.

— Esperem! Não pode ser esta a senha — argumentou. O criptex não tem nenhum Sh nos anéis.Usa o tradicional alfabeto latino.

— Leia a palavra — aconselhou Langdon. — Sem esquecer duas coisas. Em hebraico, o símbolo para o som Sh pode-se também pronunciar como S, dependendo da tônica. Tal como a letra P se pode pronunciar como F.

SVFYA? pensou ela, confusa.

— Genial! — acrescentou Teabing. — A letra Vav usa-se frequentemente em vez do som da vogal O!

Sophie voltou olhando para as letras, tentando vocalizá-las.

— S...o...f...y...a.

Ouviu o som da sua própria voz, e não queria acreditar no que acabava de dizer.

— Sophia? Isso lê-se Sophia?

Langdon estava assentindo entusiasticamente.

— Sim! Sophia significa literalmente sabedoria, em grego. A raiz do seu nome, Sophia, é literalmente “uma palavra de sabedoria”.

Sophie teve de súbito uma saudade imensa do avô. Codificou a Chave de Abóbada do Priorado com o meu nome. Formou-se um nó na garganta. Parecia tudo tão perfeito. Mas quando voltou o olhar para os cinco anéis do criptex, percebeu que ainda havia um problema.