O Código Da Vinci

Dan Brown · Capítulo 71 de 109

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O Código Da Vinci

Capítulo Sessenta e Oito

— Já lhe digo. Preciso do seu telefone. Sophie olhou cautelosa.

— Duvido que Fache o tenha posto sob escuta, mas, pelo sim pelo não, não fale mais de um minuto.

E entregou-lhe o telefone.

— Como é que se liga para os Estados Unidos?

— Vai ter de ser a cobrar no destinatário. O meu serviço não cobre chamadas internacionais.

Langdon marcou o zero, sabendo que os próximos sessenta segundos podiam responder à pergunta que estivera intrigando-o durante toda a noite.

C A P Í T U L O 68

Em Nova Iorque, Jonas Faukman acabava de enfiar-se na cama quando o telefone tocou. Um pouco tarde para telefonemas, resmungou, enquanto levantava o auscultador.

— Aceita uma chamada a cobrar no destinatário de Robert Langdon? —

perguntou a voz da operadora da central.

Intrigado, Jonas acendeu a luz.

— Hum... sim, claro.

A linha fez um clique.

— Jonas?

— Robert? Você me acorda e ainda por cima quer que eu pague?

— Peço desculpas. Vou ter de ser muito rápido. Preciso saber. O manuscrito que lhe deixei...

— Robert, peço desculpas, bem sei que disse que lhe mandava as provas revistas esta semana, mas estou até o pescoço. Na próxima segunda-feira.

Prometo.

— Não estou preocupado com as provas. O que quero saber é se mandou cópias a alguém sem me dizer.

Faukman hesitou. O mais recente manuscrito de Langdon — uma exploração da história do culto da deusa — continha várias passagens a respeito de Maria Madalena que iam levantar celeuma. Embora o material estivesse bem documentado e já tivesse sido tratado por outros autores, Faukman não tencionava m andar imprimir provas de leitura do livro de Langdon sem ter pelo menos o aval de alguns historiadores sérios e luminárias do mundo das artes.

Escolhera dez nomes e enviara a todos eles partes do manuscrito acompanhadas

por uma delicada carta perguntando se importariam de escrever um curto comentário para a sobrecapa. Sabia bem demais que a maior parte das pessoas não perdia uma oportunidade de ver o nome impresso em letra de forma.

— Jonas — pressionou Langdon —, enviou ou não o meu manuscrito?

Faukman franziu a testa, sentindo que Langdon estava descontente com o fato.

— O manuscrito estava limpo, Robert, e eu queria surpreendê-lo com algumas críticas estupendas.

Uma pausa.

— Enviou alguma coisa ao conservador do Louvre, em Paris?

— O que é que acha? O seu manuscrito faz várias referências às coleções do Louvre, os livros dele aparecem na sua bibliografia e o homem tem uma influência enorme em matéria de vendas no estrangeiro. O Saunière era de caras.

O silêncio do outro lado durou um longo tempo.

— Quando foi isso?

— Há cerca de um mês. Também mencionei que ia estar em Paris e sugeri que os dois conversassem. Ele chegou a telefonar-lhe para se encontrarem? —

Faukman fez uma pausa, esfregando os olhos. — Espere lá, você não deveria estar em Paris esta semana?

— Estou em Paris. Faukman sentou-se na cama.

— E está ligando-me a cobrar de Paris?

— Desconte nos meus direitos autorais, Jonas. Saunière disse-lhe qualquer coisa? Gostou do manuscrito?

— Não faço ideia. Não soube mais nada dele.

— Bom, o melhor é não esperar de pé. Tenho de ir, mas isto explica muita coisa. Obrigado.

— Robert...

Langdon, porém, já tinha desligado.

Faukman pousou o auscultador, abanando incredulamente a cabeça. Autores, pensou. Até os mais ajuizados são malucos.

Dentro do Range Rover, Teabing lançou uma gargalhada.

— Robert, está dizendo que escreveu um manuscrito que trata de uma certa sociedade secreta e que o seu editor mandou uma cópia a essa sociedade secreta?

Langdon deixou descair os ombros.

— Exatamente.

— Uma cruel coincidência, meu amigo.

A coincidência não teve nada a ver com isto, pensou Langdon. Pedir a Jacques Saunière que avalizasse um manuscrito sobre o culto da deusa era tão evidente como pedir a Tiger Woods que avalizasse um manuscrito a respeito de golfe. Além disso, era praticamente garantido que qualquer livro sobre o culto da deusa teria de referir o Priorado de Sião.

— E agora a pergunta do milhão de dólares — disse Teabing, ainda rindo. —

Nesse manuscrito, a sua posição em relação ao Priorado é favorável ou desfavorável?

Langdon compreendeu claramente o que Teabing queria na verdade dizer.

Muitos historiadores questionavam o fato de o Priorado manter escondidos os documentos Sangreal. Havia quem pensasse que era já mais do que tempo de aquela informação ser partilhada com o resto do mundo.

— Não tomo qualquer posição relativamente às ações do Priorado.

— À inação do Priorado, quererá dizer.

Langdon encolheu os ombros. Teabing estava aparentemente do lado dos que queriam tornar públicos os documentos.

— Limitei-me a contar a história da irmandade, descrevendo-a como uma sociedade moderna do culto da deusa, guardiã do Graal e de documentos antigos.

Sophie olhou para ele.

— Fala da Chave de Abóbada?

Langdon fez uma careta. Falava. Muitas vezes.

— Refiro a suposta Chave de Abóbada como um exemplo daquilo que o Priorado está disposto a fazer para proteger os documentos Sangreal.

Sophie parecia espantada.

— Acho que isso explica o P.S. Procura Robert Langdon.

Langdon tinha a sensação de que fora na realidade outra coisa no manuscrito que despertara o interesse de Saunière, mas esse tópico era algo que discutiria com Sophie quando estivessem a sós.

— Nesse caso — continuou Sophie —, mentiu ao capitão Fache.

— Como?

— Disse-lhe que nunca teve qualquer contato com o meu avô.

— E não tive! Foi o meu editor quem lhe enviou o manuscrito.

— Pense nisto, Robert. Se o capitão Fache não encontrasse o envelope em que o seu editor enviou o manuscrito, teria de concluir que foi você que o mandou. — Sophie fez uma pausa. — Ou, pior ainda, que o entregou em mãos e depois mentiu.

Quando o Range Rover chegou ao aeródromo de Le Bourget, Rémy levou-o diretamente para um pequeno hangar no extremo mais distante da pista.

Enquanto se aproximavam, um homem de cabelos despenteados, vestindo calças amarrotadas e camisa caqui, saiu correndo do hangar, acenou-lhes e empurrou para o lado as grandes portas de chapa ondulada, mostrando o esguio jato branco que estava lá dentro.

Langdon ficou olhando para a refulgente fuselagem.

— Aquilo é o Elizabeth?

Teabing sorriu.

— Muito melhor do que usar o raio do Túnel.

O homem vestido de caqui aproximou-se apressadamente deles, pestanejando por causa da luz dos faróis.

— Está quase pronto — disse, em inglês com forte sotaque francês. — Peço desculpas pelo atraso, mas me apanhou de surpresa e... — Calou-se quando o grupo desceu. Olhou para Sophie e para Langdon, e depois de novo para Teabing.

— Eu e os meus associados temos assuntos urgentes a tratar em Londres —

anunciou Teabing. — Não há tempo a perder. Por favor, prepare-o para partir imediatamente. — E, enquanto falava, tirou a pistola do jipe entregou-a a Langdon.

O piloto esbugalhou os olhos ao ver a arma. Aproximou-se de Teabing e murmurou:

— As minhas humildes desculpas, Sir Leigh, mas a minha licença diplomática para voar refere-se apenas ao senhor e ao seu mordomo. Não posso levar os seus convidados.

— Richard — disse Teabing, sorrindo amavelmente —, duas mil libras ester linas e aquela arma carregada dizem que pode levar os meus amigos. —

Apontou para o Range Rover. — E aquele infeliz que está na parte de trás do jipe.

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