O Código Da Vinci
Epílogo
— Em Florença? Durante uma semana? Não há mais nada que fazer!
Sophie inclinou-se para a frente e voltou a beijá-lo, desta vez nos lábios. Os corpos de ambos juntaram-se, primeiro de leve, depois completamente. Quando ela se afastou, os seus olhos estavam cheios de promessas.
— Certo — conseguiu Langdon dizer. — Está combinado.
E P Í L O G O
Robert Langdon acordou sobressaltado. Tinha estado sonhando. O
roupão pendurado aos pés da cama ostentava o monograma HOTEL RITZ PARIS.
Viu uma débil claridade insinuar-se através dos cortinados. Será o crepúsculo ou a aurora?, perguntou a si mesmo.
Sentia-se quente e profundamente contente. Dormira quase dois dias seguidos.
Sentando-se lentamente na cama, lembrou-se do que o tinha acordado... o mais estranho dos pensamentos. Durante dias, tentara orientar-se no meio de uma autêntica barragem de informação, mas, agora, dava por si concentrado em algo que nunca antes considerara. Será possível?
Ficou imóvel por um longo momento.
Saltou da cama e foi meter-se debaixo do chuveiro, deixando que os potentes jatos de água lhe massageassem os ombros. O pensamento continuava a fasciná-lo.
Não pode ser.
Vinte minutos mais tarde, saía do Hotel Ritz para a Place Vendôme.
Anoitecia. Os dias de sono tinham-no deixado desorientado... e no entanto sentia-se estranhamente lúcido. Prometera a si mesmo fazer uma paragem no vestíbulo do hotel para tomar um café au lait que lhe aclarasse os pensamentos, mas, em vez disso, as pernas tinham-no levado diretamente para a saída e para a noite que descia sobre Paris.
Enquanto percorria no sentido leste a Rue dês Petits Champs, sentia-se invadir por uma crescente excitação. Virou para sul na Rue Richelieu, onde o ar se tornou adocicado com o cheiro dos jasmins em flor vindo dos majestosos jardins do Palais Royal.
Continuou para sul até ver aquilo que procurava — a famosa arcada real —
uma refulgente extensão de mármore negro polido. Caminhou nessa direção, examinando o chão que pisava. Segundos depois, encontrou o que sabia estar lá
— vários medalhões de bronze embebidos no solo, em uma linha perfeitamente reta. Os discos tinham doze centímetros e meio de diâmetro e continham, gravadas, as letras N e S.
Nord. Sud.
Voltou-se para sul, traçando com os olhos a extensa linha formada pelos medalhões. Recomeçou a caminhar, seguindo o trilho, olhando para o chão.
Quando atravessou a esquina da Comédie Française, um outro medalhão de bronze passou-lhe por baixo dos pés.
Sim!
Havia em Paris, ficara Langdon sabendo anos antes, cento e trinta e cinco daqueles medalhõesde bronze, embebidos em passeios, pátiose ruas, segundo um eixo norte-sul que atravessava a cidade. Certa vez seguira a linha desde o Sacré-Coeur, na margem norte do Sena, até ao antigo Observatório de Paris. Aí, descobrira o significado do caminho sagrado que ela traçava.
O primeiro meridiano original da Terra.
A primeira longitude zero do mundo.
A antiga Linha da Rosa de Paris.
Naquele momento, enquanto descia apressado a Rue Rivoli, sentia o seu destino ao alcance da mão. A menos de um quarteirão de distância.
O Santo Graal sob a antiga Roslin espera.
As revelações vinham agora em catadupas. A grafia antiga de Roslin que Saunière usara... a lâmina e o cálice... o túmulo adornado pela arte dos mestres.
Era por isso que o Saunièr e queria falar comigo? Terei eu, sem saber, adivinhado a verdade?
Começou a correr, sentindo a Linha da Rosa debaixo dos pés, guiando-o, puxando-o para seu destino. Quando entrou no comprido túnel da Passage Richelieu, os cabelos da nuca eriçaram-se de antecipação. Sabia que no fim daquele túnel se erguia o mais misterioso dos monumentos parisienses —
concebido e encomendado, nos anos 80, pela Esfinge em pessoa, François
Mitterrand, um homem que alegadamente se movia em círculos secretos, um homem cujo legado final a Paris fora um lugar que Langdon visitara poucos dias antes.
Em uma outra vida.
Com um último arranque de energia, emergiu da passagem no familiar pátio e deteve-se. Ofegante, ergueu os olhos, lentamente, incrédulo, até ao topo da estrutura que tinha à sua frente.
A Pirâmide do Louvre. Brilhando na escuridão.
Admirou-a por um ins tante apenas. Estava mais interessado no que lhe ficava à direita. Voltando-se, sentiu os pés continuarem a seguir o traçado invisível da antiga Linha da Rosa, levando-o, através do pátio, até ao Carrousel du Louvre —
o enorme círculo de relva orlado por uma impecavelmente aparada sebe de buxo
— outrora palco dos primeiros festivais parisienses do culto da natureza...
alegres ritos que celebravam a fertilidade e a Deusa.
Ao passar por cima da orla de arbustos para a relvada área interior, sentiu-se como se estivesse entrando em um outro mundo. Aquele solo sagrado era agora marcado por um dos mais invulgares monumentos da cidade. Ali, bem no centro, mergulhando na terra como um desfiladeiro de cristal, rasgava-se a grande pirâmide invertida de vidro que vira três noites antes ao entrar no subsolo do Louvre.
La Pyramide Inversée.
Trêmulo, chegou à beirada e olhou para baixo, para o vasto complexo subterrâneo do museu, iluminado por luzes ambar. Tinha os olhos postos não só na maciça pirâmide invertida, mas também no que ficava diretamente abaixo dela. Ali, no chão da câmara subterrânea, havia uma pequena estrutura... uma estrutura que ele referira no seu manuscrito.
Sentiu-se então plenamente desperto para a emoção de possibilidades impensadas. Erguendo de novo os olhos para o Louvre, sentiu as imensas alas do museu como que a envolvê-lo... corredores abarrotados das mais extraordinárias obras de arte jamais criadas.
Da Vinci... Botticelli...
Pela amorosa arte dos mestres adornado.
Empolgado de maravilha, olhou uma vez mais para baixo, através do vidro,
para a pequena estrutura.
Tenho de ir lá embaixo!
Saiu do círculo de relva e atrav essou, apressado, o pátio em direção à grande pirâmide da entrada. Os últimos visitantes do dia abandonavam o museu.
Passando pela porta giratória, desceu a escadaria encurvada. Sentiu o ar tornar-se mais fresco. Quando chegou ao fundo, entrou no longo túnel que corria por baixo do pátio do Louvre até à Pyramide Inversée.
No final do túnel, emergiu em uma vasta câmara. Diretamente em frente dele, descendo do teto, refulgia a pirâmide invertida um deslumbrante perfil de vidro em forma de V.
O cálice.
Seguiu com os olhos a forma que estreitava até ao vértice, suspenso menos de dois metros acima do solo.Exatamente por baixo, erguia-se a pequena estrutura.
Uma pirâmide miniatura, com apenas noventa centímetros de altura. A única coisa naquele colossal complexo que fora construída em escala reduzida.
O manuscrito de Langdon, ao discutir a elaborada coleção de arte dedicada à deusa no Louvre, referia de passagem aquela modesta pirâmide. “A pequena estrutura sobressai do solo como se fosse a ponta de um icebergue — o ápice de uma enorme cripta piramidal, soterrada como uma câmara escondida”.
Iluminadas pelas luz es suaves da caverna deserta, as duas pirâmides apontavam uma para a outra, perfeitamente alinhadas, os vértices quase tocando-se.
O Cálice em cima. A Lâmina em baixo.
Com a lâmina e o cálice a montar guarda severa.
Langdon ouviu as palavras de Marie Chauvel. Um dia compreenderá.
Estava debaixo da antiga Linha da Rosa, rodeado pelas obras de mestres. Que outro lugar poderia Jacques Saunière mais facilmente vigiar? Agora, por fim, compreendia o verdadeiro significado dos versos do Grão-Mestre. Erguendo os olhos, viu, através do vidro, um glorioso céu noturno salpicado de estrelas.
Repousa enfim sob o céu estrelado.
Como murmúrios de espíritos na escuridão, vozes esquecidas ecoaram. A demanda do Santo Graal é literalmente uma demanda para ajoelhar diante dos ossos de Maria Madalena. Uma jornada para rezar aos pés da ostracizada.
Avassalado por uma súbita reverência, Langdon caiu de joelhos.
Pareceu-lhe, por um instante, ouvir uma voz de mulher... a sabedoria das idades... murmurar-lhe das profundezas da terra.
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AGRADECIMENTOS
FATO
PRÓLOGO
CAPÍTULO UM
CAPÍTULO DOIS
CAPÍTULO TRÊS
CAPÍTULO QUATRO
CAPÍTULO CINCO
CAPÍTULO SEIS
CAPÍTULO SETE
CAPÍTULO OITO
CAPÍTULO NOVE
CAPÍTULO DEZ
CAPÍTULO ONZE
CAPÍTULO DOZE
CAPÍTULO TREZE
CAPÍTULO CATORZE
CAPÍTULO QUINZE
CAPÍTULO DEZESSEIS
CAPÍTULO DEZESSETE
CAPÍTULO DEZOITO
CAPÍTULO DEZENOVE
CAPÍTULO VINTE
CAPÍTULO VINTE E UM
CAPÍTULO VINTE E DOIS
CAPÍTULO VINTE E TRÊS
CAPÍTULO VINTE E QUATRO
CAPÍTULO VINTE E CINCO
CAPÍTULO VINTE E SEIS
CAPÍTULO VINTE E SETE
CAPÍTULO VINTE E OITO
CAPÍTULO VINTE E NOVE
CAPÍTULO TRINTA
CAPÍTULO TRINTA E UM
CAPÍTULO TRINTA E DOIS
CAPÍTULO TRINTA E TRÊS
CAPÍTULO TRINTA E QUATRO
CAPÍTULO TRINTA E CINCO
CAPÍTULO TRINTA E SEIS
CAPÍTULO TRINTA E SETE
CAPÍTULO TRINTA E OITO
CAPÍTULO TRINTA E NOVE
CAPÍTULO QUARENTA
CAPÍTULO QUARENTA E UM
CAPÍTULO QUARENTA E DOIS
CAPÍTULO QUARENTA E TRÊS
CAPÍTULO QUARENTA E QUATRO
CAPÍTULO QUARENTA E CINCO
CAPÍTULO QUARENTA E SEIS
CAPÍTULO QUARENTA E SETE
CAPÍTULO QUARENTA E OITO
CAPÍTULO QUARENTA E NOVE
CAPÍTULO CINQUENTA
CAPÍTULO CINQUENTA E UM
CAPÍTULO CINQUENTA E DOIS
CAPÍTULO CINQUENTA E TRÊS
CAPÍTULO CINQUENTA E QUATRO
CAPÍTULO CINQUENTA E CINCO
CAPÍTULO CINQUENTA E SEIS
CAPÍTULO CINQUENTA E SETE
CAPÍTULO CINQUENTA E OITO
CAPÍTULO CINQUENTA E NOVE
CAPÍTULO SESSENTA
CAPÍTULO SESSENTA E UM
CAPÍTULO SESSENTA E DOIS
CAPÍTULO SESSENTA E TRÊS
CAPÍTULO SESSENTA E QUATRO
CAPÍTULO SESSENTA E CINCO
CAPÍTULO SESSENTA E SEIS
CAPÍTULO SESSENTA E SETE
CAPÍTULO SESSENTA E OITO
CAPÍTULO SESSENTA E NOVE
CAPÍTULO SETENTA
CAPÍTULO SETENTA E UM
CAPÍTULO SETENTA E DOIS
CAPÍTULO SETENTA E TRÊS
CAPÍTULO SETENTA E QUATRO
CAPÍTULO SETENTA E CINCO
CAPÍTULO SETENTA E SEIS
CAPÍTULO SETENTA E SETE
CAPÍTULO SETENTA E OITO
CAPÍTULO SETENTA E NOVE
CAPÍTULO OITENTA
CAPÍTULO OITENTA E UM
CAPÍTULO OITENTA E DOIS
CAPÍTULO OITENTA E TRÊS
CAPÍTULO OITENTA E QUATRO
CAPÍTULO OITENTA E CINCO
CAPÍTULO OITENTA E SEIS
CAPÍTULO OITENTA E SETE
CAPÍTULO OITENTA E OITO
CAPÍTULO OITENTA E NOVE
CAPÍTULO NOVENTA
CAPÍTULO NOVENTA E UM
CAPÍTULO NOVENTA E DOIS
CAPÍTULO NOVENTA E TRÊS
CAPÍTULO NOVENTA E QUATRO
CAPÍTULO NOVENTA E CINCO
CAPÍTULO NOVENTA E SEIS
CAPÍTULO NOVENTA E SETE
CAPÍTULO NOVENTA E OITO
CAPÍTULO NOVENTA E NOVE
CAPÍTULO CEM
CAPÍTULO CENTO E UM
CAPÍTULO CENTO E DOIS
CAPÍTULO CENTO E TRÊS
CAPÍTULO CENTO E QUATRO
CAPÍTULO CENTO E CINCO
EPÍLOGO
Você terminou O Código Da Vinci
Dan Brown