Origem

Dan Brown · Capítulo 100 de 107

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Origem

Capítulo 103

Não temos só uma certa quantidade para dar.

Nosso coração cria amor à medida que precisamos dele.

Assim como os pais podem amar um recém-nascido assim que botam os olhos nele sem diminuir o amor que sentem um pelo outro, Ambra podia sentir um afeto verdadeiro por dois homens diferentes.

De fato, o amor não é uma emoção finita, percebeu . Pode ser gerado espontaneamente a partir do nada.

Enquanto o carro que iria levá-la de volta ao seu príncipe se afastava devagar, olhou para Langdon, parado sozinho no jardim. Ele a estava observando com olhar firme. Depois deu um sorriso suave e um aceno carinhoso e desviou os olhos abruptamente… parecendo precisar de um momento antes de jogar a casaca de novo no ombro e começar a andar sozinho para o hotel.

C A P Í T U L O 1 0 3

O relógio do palácio marcava meio-dia quando Mónica Martín pegou suas anotações e se preparou para andar até a Plaza de la Almudena, onde a mídia estava reunida à espera de notícias.

Mais cedo, naquela manhã, no Hospital El Escorial, o príncipe Julián tinha aparecido ao vivo na televisão e anunciado o falecimento de seu pai. Com emoção sincera e postura régia, o príncipe falou sobre o legado do rei e sobre suas próprias aspirações para o país. Pediu tolerância num mundo dividido. Prometeu aprender com a história e abrir o coração às mudanças. Saudou a cultura e a beleza da Espanha e proclamou seu amor profundo e eterno por seu povo.

Foi um dos melhores discursos que Mónica já ouvira, e não conseguia imaginar um modo mais poderoso para o futuro rei iniciar seu reinado.

No fim do discurso comovente, Julián usou um tom sério para homenagear os dois agentes da Guardia que tinham perdido a vida cumprindo seu dever na noite anterior enquanto protegiam a futura rainha da Espanha. Então, depois de um breve silêncio, deu outra notícia triste. O dedicado amigo de seu pai, o bispo Antonio Valdespino, também tinha morrido naquela manhã, apenas algumas horas depois do rei. O bispo idoso havia sucumbido a um ataque cardíaco fulminante, aparentemente fraco demais para enfrentar o sofrimento profundo de perder o rei, além do cruel tiroteio de acusações feitas contra ele na noite anterior.

A notícia da morte de Valdespino, claro, calou o clamor público por uma investigação, e algumas pessoas chegaram a sugerir que era necessário um pedido de desculpas; afinal de contas, as provas contra o bispo eram todas circunstanciais e poderiam ter sido inventadas facilmente por seus inimigos.

Enquanto Mónica se aproximava da porta que dava na praça, Suresh Bhalla se materializou ao seu lado.

– Estão chamando você de heroína – disse ele, empolgado. – Todos saúdam monte@iglesia.org, portadora da verdade e discípula de Edmond Kirsch!

– Suresh, eu não sou Monte – insistiu ela, revirando os olhos. – Garanto.

– Ah, sei que você não é Monte. Quem quer que seja, é muito mais ardiloso do que você. Andei tentando rastrear as comunicações dele. Impossível. É como se ele nem existisse.

– Bom, continue fazendo isso. Quero ter certeza de que não existe nenhum vazamento no palácio. E, por favor, diga que o telefone que você roubou ontem à

 

noite…

– Está de volta no cofre do príncipe. Como prometi.

Mónica soltou o ar, sabendo que o príncipe tinha acabado de voltar ao palácio.

– Mais uma novidade – continuou Suresh. – Acabamos de pegar com a operadora o histórico telefônico do palácio. Não há nenhum registro de qualquer ligação do Palácio Real para o Guggenheim ontem à noite. Alguém deve ter clonado nosso número para dar o telefonema e colocar Ávila na lista de convidados. Estamos investigando.

Mónica ficou aliviada em saber que o telefonema incriminador não tinha partido do palácio.

– Por favor, me mantenha atualizada – disse chegando perto da porta.

Do lado de fora, o som dos repórteres reunidos ficou mais alto.

– Multidão grande aí – observou Suresh. – Aconteceu alguma coisa empolgante ontem à noite?

– Ah, só umas coisinhas que merecem ir para o noticiário.

– Não diga! Ambra Vidal usou um vestido de um novo estilista?

– Suresh! – Ela riu. – Você é ridículo. Preciso ir lá, agora.

– O que há na lista? – perguntou ele, indicando o maço de anotações na mão dela.

– Detalhes sem fim. Primeiro temos protocolos de mídia para a coroação, depois preciso rever o…

– Meu Deus, como você é chata! – disse ele bruscamente e partiu por outro corredor.

Mónica riu. Obrigada, Suresh. Também te amo.