Origem

Dan Brown · Capítulo 79 de 107

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Origem

Capítulo 81

– Barcelona tem um centro de supercomputação dentro de uma igreja católica?

– Tem. – Langdon sorriu. – Às vezes a realidade é mais estranha do que a ficção.

C A P Í T U L O 8 1

A cruz mais alta do mundo fica na Espanha.

Localizada numa montanha, 12 quilômetros ao norte do mosteiro de El Escorial, a enorme cruz de cimento se ergue por espantosos 150 metros acima de um vale estéril e pode ser vista de mais de 150 quilômetros de distância.

O desfiladeiro rochoso embaixo da cruz – que tem o adequado nome de Vale dos Caídos – é o local de descanso definitivo de mais de 30 mil almas, vítimas de ambos os lados da sangrenta Guerra Civil Espanhola.

O que estamos fazendo aqui? , pensou Julián enquanto seguia os homens da Guardia para a esplanada do mirante na base da montanha abaixo da cruz. É aqui que meu pai quer se encontrar comigo?

Andando ao seu lado, Valdespino estava igualmente confuso.

– Não faz sentido – sussurrou ele. – Seu pai sempre desdenhou este lugar.

Milhões desprezam este lugar, pensou Julián.

Concebido em 1940 pelo próprio Franco, o Vale dos Caídos foi chamado de

“ato de expiação nacional”: uma tentativa de reconciliar vitoriosos e derrotados.

Apesar da “aspiração nobre”, o monumento provoca controvérsias até hoje porque foi construído por uma força de trabalho que incluía prisioneiros políticos que tinham se oposto a Franco – muitos dos quais morreram de maus-tratos e fome durante a construção.

No passado alguns membros do Parlamento tinham chegado ao ponto de comparar o lugar a um campo de concentração nazista. Julián suspeitava que seu pai sentia secretamente a mesma coisa, mesmo que não pudesse dizer isso às claras. Para a maioria dos espanhóis, o lugar era considerado um monumento a Franco, construído por Franco – um templo colossal para homenagear a si mesmo. E o fato de Franco estar enterrado nele só colocava lenha na fogueira dos críticos.

Julián se lembrou da única vez que estivera ali – outro passeio de infância com o pai para aprender sobre o país. Depois de ter lhe mostrado o lugar, o rei havia sussurrado baixinho: “Olhe com atenção, filho. Um dia você vai demolir tudo isso.”

Agora, enquanto acompanhava os homens da Guardia, subindo a escada até a fachada austera escavada na montanha, Julián percebeu aonde iam. Uma porta de bronze esculpido se erguia diante deles – uma entrada na face da própria montanha.

O príncipe se lembrou de ter passado por ali quando era menino, absolutamente hipnotizado pelo que havia lá dentro.

Afinal de contas, o verdadeiro milagre daquela montanha não era a cruz enorme em cima; o verdadeiro milagre era o espaço secreto dentro dela.

Escavada no pico de granito havia uma caverna artificial de proporções imensuráveis. A caverna feita à mão penetrava quase 300 metros na montanha e lá se abria numa câmara enorme, com acabamento meticuloso e elegante, piso de ladrilho lustroso e uma cúpula pintada em afresco, com cerca de 45 metros de um lado ao outro. Estou dentro de uma montanha, tinha pensado o pequeno Julián. Devo estar sonhando!