Origem
Capítulo 11
Assim como acontecia com a proteção de sua alma, o corpo de Ávila também recebera a garantia de ser livrado do mal. Olhou a tatuagem na palma da mão.
Como o antigo crismón de Cristo, esse ícone era feito inteiramente de letras.
Ávila o havia gravado três dias antes com tinta ferrogálica e uma agulha, seguindo exatamente as instruções, e o local ainda estava sensível e vermelho. Se fosse capturado, garantira o Regente, só precisaria deixar a palma da mão visível aos captores, e em horas seria solto.
Nós ocupamos os níveis mais altos do governo, tinha dito o Regente.
Ávila já havia testemunhado a espantosa influência deles, que parecia um manto de proteção à sua volta. Ainda existe quem respeite os costumes antigos. Um dia esperava se juntar a essa elite, mas por enquanto sentia-se honrado por representar qualquer papel.
Na solidão do banheiro pegou o telefone e digitou o número seguro que tinha recebido.
A ligação foi atendida ao primeiro toque.
– ¿Sí?
– Estoy em posición – respondeu Ávila, esperando as instruções finais.
– Bien – disse o Regente. – Tendrás una sola oportunidad. Aprovecharla será crucial. – Você só terá uma chance. Será crucial aproveitá-la.
C A P Í T U L O 1 1
Subindo o litoral, a 30 quilômetros de Dubai e seus reluzentes arranha-céus, ilhas artificiais e mansões festivas de celebridades, fica a ultraconservadora cidade de Sharjah – capital cultural dos Emirados Árabes Unidos.