Origem

Dan Brown · Capítulo 37 de 107

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Capítulo 38

Garza se virou para a porta, ansioso para voltar ao príncipe e a Valdespino.

– Senhor, espere! – Mónica segurou o braço dele.

Garza parou, olhando em choque a mão da jovem funcionária.

Ela recuou imediatamente.

– Desculpe, senhor, mas o ConspiracyNet também mandou a gravação de uma conversa telefônica que acaba de acontecer em Budapeste. – Ela piscou nervosa por trás dos óculos grossos. – O senhor também não vai gostar disso.

C A P Í T U L O 3 8

Meu patrão foi assassinado.

O comandante Josh Siegel sentia as mãos tremendo no manche enquanto taxiava o Gulfstream G550 de Edmond Kirsch em direção à pista principal do Aeroporto de Bilbao.

Não estou em condições de voar, pensou, sabendo que seu copiloto estava tão abalado quanto ele.

Siegel vinha pilotando jatos particulares para Edmond havia muitos anos, e o horrível assassinato do patrão esta noite fora um choque devastador. Uma hora atrás, ele e seu copiloto estavam sentados no salão do aeroporto assistindo à transmissão ao vivo do Museu Guggenheim.

– Típico do Edmond, bem dramático – tinha brincado Siegel, impressionado com a capacidade do chefe para atrair uma plateia enorme.

Enquanto via o programa, pegou-se inclinado à frente, assim como os outros espectadores no salão, todos morrendo de curiosidade, até que, num clarão, a noite deu terrivelmente errado.

Depois daquilo, Siegel e o copiloto ficaram sentados, assistindo à cobertura pela televisão e se perguntando, atordoados, o que fazer em seguida.

Seu telefone tocou dez minutos depois; quem ligava era o secretário particular de Edmond, Winston. Siegel não o conhecia, e ainda que o inglês tivesse um jeito meio peculiar, Siegel tinha se acostumado a coordenar os voos com ele.

– Se os senhores não assistiram à televisão – disse Winston –, deveriam ligá-la.

– Nós assistimos – respondeu Siegel. – Estamos arrasados.

– Precisamos que os senhores levem o avião de volta a Barcelona – declarou Winston, com o tom estranhamente profissional apesar do que tinha acabado de acontecer. – Preparem-se para decolar e eu voltarei a fazer contato em breve. Por favor, não decolem antes de nos falarmos.

Siegel não fazia ideia se as instruções de Winston teriam a ver com os desejos de Edmond, mas no momento sentia-se grato por qualquer tipo de orientação.

Seguindo as ordens de Winston, Siegel e o copiloto preencheram o manifesto de voo para Barcelona com zero passageiros – um voo deadhead, “cabeça morta”, como era lamentavelmente conhecido no jargão do ramo – e depois tinham saído do hangar para começar a lista de checagem antes do voo.

Trinta minutos se passaram antes que Winston ligasse de novo.

– Estão preparados para decolar?

– Estamos.

– Bom. Presumo que vão usar a pista de sempre, em direção ao leste, não é?

– Isso mesmo.

Às vezes, Siegel achava Winston dolorosamente meticuloso e irritantemente bem informado.

– Por favor, contate a torre e peça autorização para decolar. Taxie até a extremidade do campo, mas não entre na pista.

– Devo parar na pista de acesso?

– É, só um minuto. Por favor, me avise quando chegar lá.

Siegel e o copiloto se entreolharam, surpresos. O pedido de Winston não fazia nenhum sentido.

A torre provavelmente vai questionar isso.

Mesmo assim, Siegel tinha conduzido o jato por várias rampas e caminhos em direção à cabeceira da pista na extremidade oeste do aeroporto. Agora estava taxiando pelos últimos 100 metros da via de acesso, onde o pavimento virava 90

graus à direita e se fundia com a cabeceira da pista voltada para o leste.

– Winston? – disse Siegel, olhando a alta cerca de tela de arame que envolvia o perímetro do aeroporto. – Chegamos ao fim da rampa de acesso.

– Por favor, esperem aí. Já faço contato de volta.

Não posso ficar parado aqui! , pensou Siegel, imaginando que diabo Winston estaria fazendo. Felizmente a câmera de ré do Gulfstream não mostrava nenhum avião atrás, de modo que pelo menos não estava bloqueando o tráfego. As únicas luzes eram as da torre de controle – uma claridade fraca na outra extremidade da pista, a cerca de três quilômetros de distância.

Sessenta segundos se passaram.