Origem

Dan Brown · Capítulo 7 de 107

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Origem

Capítulo 7

– Chama-se A Matéria do Tempo. – A voz animada de Winston reverberou pelo fone de Langdon. – É a peça de arte mais pesada do museu. Mais de 900 mil quilos.

Langdon ainda estava tentando se orientar.

– E por que estou aqui sozinho?

– Como eu disse, o Sr. Kirsch pediu que eu lhe mostrasse esses objetos incríveis.

As luzes chegaram ao brilho máximo, inundando o grande espaço numa claridade suave, e Langdon só podia olhar perplexo a cena diante dele.

Entrei num universo paralelo.

 

C A P Í T U L O 7

O almirante Luis Ávila chegou ao posto de controle da segurança do museu e olhou seu relógio, para garantir que estava na hora certa.

Perfeito.

Apresentou seu Documento Nacional de Identidad aos funcionários que cuidavam da lista de convidados. Por um momento sentiu a pulsação acelerar quando seu nome não foi localizado. Até que o encontraram no final da lista – um acréscimo de última hora – e Ávila teve permissão de entrar.

Como o Regente prometeu. Ávila não tinha ideia de como ele havia conseguido.

Supostamente a lista desta noite era inflexível.

Continuou até o detector de metal, tirou seu celular e o colocou no prato. Então, com extremo cuidado, sacou do bolso do paletó um rosário de contas pesadíssimas e o colocou sobre o telefone.

Com cuidado, disse a si mesmo. Com muito cuidado.

O segurança o fez passar pelo detector de metal e levou o prato com itens pessoais para o lado oposto.

– Que rosario tan bonito – disse o guarda, admirando o objeto de metal, que consistia num cordão espesso com contas e uma grossa cruz arredondada.

– Gracias – respondeu Ávila. Eu mesmo fiz.

Passou sem incidentes pelo detector. Do outro lado pegou o telefone e o rosário, colocando-os cautelosamente no bolso antes de seguir até um segundo posto de controle, onde recebeu um fone de tipo incomum.

Não preciso de visita guiada por áudio, pensou. Tenho trabalho a fazer.

Enquanto seguia pelo átrio, largou discretamente o fone numa lixeira.

Seu coração estava martelando enquanto examinava o prédio em busca de um local privado para contatar o Regente e avisar que tinha entrado em segurança.

Por Deus, pelo país e pelo rei, pensou. Mas principalmente por Deus.

Nesse momento, nos recessos mais profundos do deserto enluarado nos arredores de Dubai, o amado allamah de 78 anos, Syed al-Fadl, arrastava-se em agonia pela areia. Não conseguia ir mais longe.

Sua pele estava queimada e cheia de bolhas, a garganta tão seca que ele mal conseguia respirar. Os ventos carregados de areia o haviam cegado horas antes e ele continuava se arrastando. Num determinado ponto, pensou ter ouvido o ruído longínquo de bugres nas dunas, mas provavelmente era só o vento uivando. A fé de al-Fadl de que Deus iria salvá-lo havia se exaurido muito antes. Os abutres não estavam mais voando em círculos; estavam andando ao seu lado.

O espanhol alto que tinha sequestrado al-Fadl na noite anterior mal dissera uma palavra enquanto levava o carro do allamah para o meio daquele deserto imenso.

Depois de uma hora de viagem, parou e ordenou que al-Fadl saísse, deixando-o na escuridão sem comida nem água.

O sequestrador de al-Fadl não dera nenhuma indicação de sua identidade nem explicação para seus atos. A única pista possível que al-Fadl vislumbrou foi uma marca estranha na palma da mão direita do sujeito: um símbolo que ele não reconheceu.

Durante horas al-Fadl tinha andado pelo deserto, gritando em vão por socorro.

Agora, enquanto desmoronava na areia sufocante e sentia o coração ceder, o clérigo seriamente desidratado repetiu a pergunta que vinha se fazendo havia horas.

Quem poderia desejar minha morte?

De modo assustador, só conseguia pensar numa resposta plausível.