Origem
Capítulo 13
– Ele disse a verdade – respondeu Winston rapidamente. – Agora, professor, o programa já vai começar. Espero que goste da apresentação do Sr. Kirsch e estou ansioso para ajudá-lo depois.
Com um estalo abrupto, Winston se foi.
Langdon se aproximou da porta, tirou o fone e colocou o aparelho minúsculo no bolso da casaca. Depois passou correndo pela entrada junto com os últimos convidados, justo quando a porta se fechava atrás dele.
De novo viu-se num espaço inesperado.
Vamos assistir à apresentação de pé?
Tinha imaginado o público se reunindo num confortável auditório com poltronas para ouvir o anúncio de Edmond, mas em vez disso centenas de convidados estavam de pé numa galeria apertada, pintada de branco. A sala não continha nenhuma obra de arte visível e nenhum assento – só um pódio na parede mais distante, flanqueado por uma grande tela de cristal líquido onde estava escrito: O programa ao vivo começa em 2 minutos e 7 segundos
Sentindo uma onda crescente de expectativa, Langdon desceu o olhar pela tela de LCD até uma segunda linha de texto, que ele precisou ler duas vezes: Número de espectadores remotos: 1.953.694
Dois milhões de pessoas?
Kirsch tinha dito que transmitiria seu anúncio ao vivo pela internet, mas esse número parecia incomensurável, e aumentava a cada instante.
Um sorriso atravessou o rosto de Langdon. Seu ex-aluno certamente havia se dado bem na vida. Agora a questão era: o que, afinal de contas, Edmond iria dizer?
C A P Í T U L O 1 3
Num deserto enluarado a leste de Dubai, um bugre Sand Viper 1100 fez uma curva brusca à esquerda e parou derrapando, lançando um véu de areia na frente dos faróis acesos.
O adolescente atrás do volante tirou os óculos e olhou para o objeto que quase havia atropelado. Apreensivo, desceu do veículo e se aproximou da forma escura na areia.
Sem dúvida era exatamente o que parecia.
Ali, à luz dos faróis, esparramado de rosto para baixo na areia, estava um corpo humano imóvel.
– Marhaba? – gritou o rapaz. – Olá?
Não houve resposta.
O rapaz soube que a pessoa caída era um homem devido à roupa: um tradicional chapéu chechia e um thawb largo – e o homem parecia bem alimentado e atarracado. Suas pegadas tinham sido sopradas muito antes pelo vento, assim como qualquer marca de pneus ou outro indicativo de como chegara tão longe no deserto.
– Marhaba? – repetiu o jovem.
Nada.
Sem saber direito o que fazer, estendeu o pé e cutucou de leve a cintura do homem. Apesar de o corpo ser gordo, a carne parecia retesada e dura, já ressecada pelo vento e pelo sol.
Definitivamente morto.
O rapaz se abaixou, segurou o ombro do homem e o virou de costas. Os olhos sem vida espiaram o céu. O rosto e a barba estavam cobertos de areia, mas mesmo sujo ele parecia amigável, até familiar, como um tio ou avô predileto.