Origem

Dan Brown · Capítulo 87 de 107

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Origem

Capítulo 89

– Majestade, entreguei seu filho ao senhor, como pediu. Devo deixar os dois para conversarem em particular?

– Não, Antonio. Isso será uma confissão. E preciso do meu sacerdote ao meu lado.

Valdespino balançou a cabeça.

– Não creio que o seu filho espere que o senhor explique seus atos e seu comportamento desta noite. Tenho certeza de que ele…

– Esta noite? – O rei gargalhou. – Não, Antonio, vou confessar o segredo que escondi de Julián durante toda a vida dele.

 

C A P Í T U L O 8 9

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IGREJA SOB ATAQUE!

Não, não por parte de Edmond Kirsch, mas da polícia espanhola!

A Capela Torre Girona, em Barcelona, está sob ataque das autoridades locais.

Dentro, Robert Langdon e Ambra Vidal seriam os responsáveis pela divulgação ansiosamente esperada da descoberta de Edmond Kirsch, para a qual faltam apenas alguns minutos.

A contagem regressiva começou!

C A P Í T U L O 9 0

Ambra Vidal sentiu uma onda de empolgação quando o computador antigo soltou um ping feliz depois da segunda tentativa de Langdon digitar o verso de Blake.

SENHA CORRETA.

Graças a Deus, pensou enquanto Langdon se levantava e se virava para ela.

Ambra o envolveu com os braços e o apertou num abraço sincero. Edmond ficaria grato demais.

– Dois minutos e trinta e três segundos – entoou Winston.

Ambra soltou Langdon e os dois se viraram para as telas de LCD no alto. A do centro mostrava um relógio em contagem regressiva que ela vira pela última vez no Guggenheim.

O programa começa em 2 minutos e 33 segundos

Número de espectadores remotos: 227.257.914

Mais de duzentos milhões de pessoas? Ambra estava pasma. Aparentemente, enquanto ela e Langdon estavam fugindo por Barcelona, o mundo inteiro ficara sabendo. A audiência de Edmond se tornou astronômica.

Ao lado da tela com a contagem regressiva, as imagens das câmeras de segurança continuavam a passar. E Ambra notou uma mudança súbita na atividade da polícia do lado de fora. Um a um, os policiais que antes estavam batendo em portas e falando nos rádios pararam o que vinham fazendo, pegaram seus smartphones e ficaram olhando para a tela. O pátio do lado de fora da igreja aos poucos se tornou um mar de rostos pálidos, ansiosos, iluminados pela claridade dos aparelhos.

Edmond fez o mundo parar, pensou Ambra, com um estranho sentimento de responsabilidade ao imaginar que pessoas em todo o globo estavam se preparando para assistir a uma apresentação que sairia daquela sala. Imagino se Julián está vendo, pensou e, em seguida, o afastou rapidamente do pensamento.

– O programa está no ponto – avisou Winston. – Acho que vocês vão ficar mais

 

confortáveis assistindo na área de estar, do outro lado do laboratório.

– Obrigado, Winston – disse Langdon, levando Ambra descalça pelo piso de vidro liso, passando pelo cubo metálico azul-acinzentado e chegando à área de estar.

Ali, um tapete oriental tinha sido posto no piso de vidro, junto com um conjunto de móveis elegantes e uma bicicleta ergométrica.

Enquanto passava do vidro para o tapete macio, Ambra sentiu que estava começando a relaxar. Sentou-se no sofá e dobrou as pernas embaixo do corpo, olhando em volta à procura da TV de Edmond.

– Onde vamos assistir?

Aparentemente Langdon não escutou, tendo ido até o canto da sala olhar alguma coisa, mas Ambra teve a resposta um instante depois, quando toda a parede dos fundos da câmara começou a se iluminar por dentro. Uma imagem familiar apareceu, projetada de dentro do vidro.

O programa começa em 1 minuto e 39 segundos

Número de espectadores remotos: 227.501.173

A parede inteira é uma tela?

Ambra olhou para a imagem de 2,5 metros de altura enquanto as luzes na igreja diminuíam lentamente. Parecia que Winston estava deixando-os à vontade para o grande show de Edmond.

A três metros dali, no canto da sala, Langdon ficou hipnotizado – não pela enorme tela de TV, e sim por um objeto pequeno que tinha acabado de ver: estava num pedestal elegante como se fizesse parte de uma mostra de museu.

Era um tubo de ensaio abrigado dentro de uma caixa de metal com frente de vidro. O tubo estava tampado e rotulado, e continha um líquido meio marrom. Por um momento, Langdon se perguntou se seria algum tipo de remédio que Edmond estivera tomando. Então, leu o nome no rótulo.

Impossível, disse a si mesmo. Por que isso está aqui?

Havia poucos tubos de ensaio “famosos” no mundo, mas o professor sabia que aquele sem dúvida tinha o direito a ser chamado assim. Não acredito que Edmond tenha um! Ele provavelmente havia comprado o artefato científico em segredo, por um preço exorbitante. Assim como fez com o quadro de Gauguin que estava na Casa Milà.

Langdon se agachou e olhou o tubo de vidro de 70 anos. O rótulo estava desbotado e gasto, mas os dois nomes ainda eram legíveis: MILLER-UREY.

O professor sentiu um arrepio na nuca ao ler os nomes novamente.

MILLER-UREY.

Meu Deus… De onde viemos?

Os químicos Stanley Miller e Harold Urey tinham realizado um lendário trabalho científico na década de 1950, tentando responder a essa mesma pergunta. O

ousado experimento havia fracassado, mas seus esforços foram saudados em todo o mundo e, desde então, o estudo ficou conhecido como Experimento de Miller e Urey.

Langdon se lembrou do fascínio na aula de biologia do ensino médio ao ficar sabendo como esses dois cientistas tinham tentado recriar as condições do início da vida na Terra: um planeta quente coberto por um oceano agitado, sem vida, cheio de substâncias químicas em ebulição.

A sopa primordial.

Miller e Urey usaram as mesmas substâncias químicas que existiam nos oceanos e na atmosfera primitivos – água, metano, amônia e hidrogênio – e aqueceram a mistura para simular os mares ferventes. Então, fizeram passar cargas elétricas para imitar os relâmpagos. E, finalmente, deixaram a mistura esfriar, assim como havia acontecido com os oceanos do planeta.

O objetivo dos dois era simples e audacioso: fazer brotar a vida a partir de um mar primitivo e estéril. Simular a “Criação” , pensou Langdon, usando apenas a ciência.

Miller e Urey estudaram a mistura com a esperança de que micro-organismos primitivos pudessem ter se formado na mistura rica em substâncias químicas – um processo sem precedentes conhecido como abiogênese. Infelizmente, as tentativas de criar a “vida” a partir de matéria inanimada não tiveram sucesso. Em vez de vida, eles ficaram apenas com um conjunto de frascos de vidro inertes que agora permaneciam num armário fechado na Universidade da Califórnia, em San Diego.

Até hoje os criacionistas ainda citavam o fracasso do experimento de Miller e Urey como prova científica de que a vida não poderia ter surgido na Terra sem a ajuda da mão de Deus.

– Trinta segundos – trovejou a voz de Winston.

Os pensamentos de Langdon giraram enquanto ele permanecia de pé olhando a igreja escura ao redor. Apenas alguns minutos antes, Winston tinha declarado que as maiores revoluções da ciência eram as que criavam novos “modelos” do Universo.

Também dissera que o MareNostrum era especializado em modelagem computacional – simulando sistemas complexos e olhando-os rodar.

O experimento de Miller e Urey é um exemplo de modelagem antiga…

simulando as complexas interações químicas que ocorriam na Terra primitiva.

– Robert! – chamou Ambra do outro lado da sala. – Está começando.

– Estou indo.

Ele foi para o sofá com uma forte suspeita de que podia ter acabado de vislumbrar parte daquilo em que Edmond estivera trabalhando.

Lembrou a dramática introdução que Edmond fizera na campina gramada do Guggenheim. Esta noite sejamos como os primeiros exploradores, os que deixaram tudo para trás e partiram por vastos oceanos. A era da religião está chegando ao fim e a era da ciência está começando. Imaginem só o que aconteceria se descobríssemos milagrosamente as respostas para as grandes perguntas da vida.

Langdon se sentou ao lado de Ambra, e a enorme tela de parede começou a transmitir o final da contagem regressiva.

Ambra o observava.

– Você está bem, Robert?

Ele fez que sim enquanto uma trilha sonora retumbante enchia a sala e o rosto de Edmond se materializava na parede diante deles, com 1,5 metro de altura. O

célebre futurólogo parecia magro e cansado, mas dava um sorriso largo para a câmera.

– De onde viemos? – perguntou ele, com a empolgação crescendo na voz enquanto a música diminuía. – E para onde vamos?