Origem

Dan Brown · Capítulo 72 de 107

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Origem

Capítulo 74

Pelo menos acho que sei, pensou ele, esperando estar certo.

Enquanto Langdon imaginava a vista aérea de Barcelona, refletindo sobre o enigma incomum que tinha pela frente, o silêncio da cripta foi quebrado por um som forte ecoando na escada.

Lá em cima, o padre Beña estava gritando e chamando os dois.

C A P Í T U L O 7 4

– Rápido! Srta. Vidal… professor Langdon… depressa!

Langdon e Ambra subiram correndo a escada da cripta enquanto os gritos desesperados do padre Beña continuavam. Quando chegaram ao último degrau e entraram no santuário, Langdon se perdeu numa cortina de breu.

Não consigo ver nada!

Passou a avançar a passos lentos na escuridão, seus olhos se esforçando para se ajustar depois da claridade das lamparinas a óleo, lá embaixo. Ambra o alcançou, também com dificuldade para enxergar.

– Aqui! – gritou Beña em desespero.

Foram na direção do som, finalmente vendo o padre nas bordas da luz que se derramava da escada. Ele estava de joelhos, curvado sobre a silhueta escura de um corpo.

Ao chegarem ao lado de Beña, Langdon se encolheu ao ver o corpo do agente Díaz no chão, a cabeça torcida de modo grotesco. Díaz estava de bruços, mas a cabeça tinha sido virada 180 graus para trás, de modo que os olhos sem vida apontavam para o teto da catedral. Langdon se contraiu horrorizado, entendendo o pânico nos gritos do padre.

Um medo gelado o atravessou e ele se levantou abruptamente, sondando a escuridão em busca de qualquer sinal de movimento na igreja enorme.

– A arma dele – sussurrou Ambra, apontando para o coldre vazio de Díaz. –

Sumiu. – Ela olhou a escuridão ao redor e gritou: – Agente Fonseca?

Ali perto, houve um ruído repentino de passos nos ladrilhos e o som de corpos colidindo numa luta feroz. Então, de súbito, a explosão ensurdecedora de um tiro ressoou. Langdon, Ambra e Beña saltaram para trás e, enquanto o tiro ecoava pelo santuário, eles escutaram uma voz cheia de dor alertando:

– ¡Corre!

Um segundo tiro explodiu, seguido por uma pancada forte: o ruído inconfundível de um corpo batendo no chão.

Langdon já havia agarrado a mão de Ambra e a estava puxando para as sombras profundas perto da parede lateral do santuário. O padre Beña vinha logo atrás deles, os três agachando-se num silêncio rígido, encostados na pedra fria.

O olhar de Langdon sondou a escuridão enquanto ele tentava entender o que acontecia.

Alguém acaba de matar Díaz e Fonseca! Quem está aqui conosco? E o que essa pessoa quer?

Só havia uma resposta lógica: o matador que espreitava no escuro da Sagrada Família não tinha vindo assassinar dois agentes da Guardia… tinha ido atrás de Ambra e dele.

Alguém ainda está tentando silenciar a descoberta de Edmond.

De repente, a luz forte de uma lanterna se acendeu no meio da igreja, o facho girando para um lado e para outro num arco amplo, movendo-se na direção deles.

Langdon sabia que tinham apenas alguns segundos antes que a luz os encontrasse.

– Por aqui – sussurrou Beña, puxando Ambra na direção oposta.

Langdon foi atrás enquanto a luz se aproximava. Beña e Ambra viraram subitamente à direita, desaparecendo numa abertura na pedra, e Langdon os seguiu –

tropeçando numa escada que não conseguia enxergar. Ambra e Beña começaram a subir enquanto Langdon recuperava o equilíbrio e continuava seguindo-os, olhando para trás e vendo o facho de luz apontado na direção da entrada da escada, iluminando os degraus de baixo.

Ficou imóvel na escuridão, esperando.

A luz permaneceu ali por um longo momento, depois começou a ficar mais forte.

Ele está vindo para cá!

Dava para ouvir Ambra e Beña subindo acima dele o mais silenciosamente possível. Langdon girou e correu atrás dos dois, mas tropeçou de novo, colidindo com uma parede e percebendo que a escada não era reta, e sim curva. Encostando a mão na parede para se orientar, começou a subir numa espiral apertada, entendendo rapidamente onde estava.

A famosa e traiçoeira escada em espiral da Sagrada Família.

Levantou os olhos e viu uma claridade muito fraca descendo pelas aberturas de iluminação, apenas o suficiente para revelar o fosso estreito ao seu lado. Sentiu as pernas se retesarem e parou, dominado pela claustrofobia naquela passagem esmagadoramente pequena.

Continue subindo! , instigava sua mente racional, mas os músculos estavam contraídos de medo.

Em algum lugar embaixo, Langdon podia ouvir o som de passos pesados se aproximando, vindos do santuário. Obrigou-se a continuar em movimento, seguindo o mais rápido possível pelos degraus que espiralavam para o alto. Acima, a luz fraca ficou mais forte quando ele passou diante de uma abertura na parede – uma fenda larga pela qual vislumbrou as luzes da cidade. Um sopro de ar frio o atingiu e ele mergulhou de volta na escuridão, subindo mais ainda.

Passos soaram na escada embaixo e a lanterna sondava em movimentos irregulares pelo fosso central. Langdon passou por outra entrada de luz enquanto os passos em perseguição ficavam mais altos. Agora o agressor subia mais depressa,

atrás dele.

Langdon alcançou Ambra e o padre Beña, que estava ofegante. O professor olhou pela borda interna do poço da escada, para o abismo no centro. A visão era estonteante – um buraco estreito e circular que mergulhava pelo centro do que parecia um náutilo gigantesco. Praticamente não havia barreira, só uma borda da altura do tornozelo, que não fornecia nenhuma proteção. Langdon precisou lutar contra uma onda de náusea.

Virou os olhos de volta para a escuridão do poço, acima. Tinha ouvido dizer que havia mais de 400 degraus nessa estrutura; nesse caso, seria impossível chegarem ao topo antes que o homem armado os alcançasse.

– Vocês dois… vão! – ofegou Beña, ficando de lado e insistindo para que Langdon e Ambra passassem por ele.

– De jeito nenhum, padre – disse Ambra, estendendo a mão para baixo e ajudando o velho sacerdote.

Langdon admirou o instinto protetor dela, mas também sabia que subir aquela escada era suicídio – provavelmente terminariam com balas nas costas. Dos dois instintos de sobrevivência animal – lutar ou fugir –, fugir não era mais opção.

Nunca vamos conseguir.

Deixando Ambra e o padre Beña ir em frente, Langdon se virou na direção contrária e firmou os pés. Abaixo dele o facho da lanterna ia chegando mais perto.

Encostou-se na parede e se agachou nas sombras, esperando até que a luz batesse nos degraus embaixo. De repente, o assassino virou a curva e surgiu – uma forma escura correndo com as duas mãos estendidas, uma segurando a lanterna e a outra uma pistola.

Langdon reagiu por instinto, aproveitando sua localização mais elevada e levantando da posição agachada num salto, lançando-se pelo ar com os pés à frente.

O homem o viu e começou a erguer a arma justo quando os calcanhares de Langdon acertavam seu peito com um golpe violento, empurrando-o de volta contra a parede da escada.

Os próximos segundos foram um borrão.

Langdon caiu de lado, batendo com força, e a dor irrompeu no quadril enquanto o atacante tombava para trás, rolava por vários degraus e parava gemendo, esparramado. A lanterna quicou pelos degraus e rolou até parar, lançando um facho de luz oblíquo pela parede lateral e iluminando um objeto de metal na escada, a meio caminho entre Langdon e o agressor.

A arma.

Os dois saltaram para ela no mesmo instante, mas Langdon estava na posição mais alta e chegou primeiro, agarrando o cabo da arma e a apontando para o atacante, que parou mais embaixo, olhando em desafio para o cano.