Tecnologia social: contribuições conceituais e metodológicas
Uma agenda de trabalho
7 – A rede dos IFETs como um possível vetor de C&T para o Desenvolvimento Social
A Rede dos centros de ensino que deram origem aos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia foi criada no bojo de um projeto nacional-desenvolvimentista com vistas a satisfazer as suas demandas tecnológicas, em especial, aquelas referentes a pessoal qualificado, originadas pelo processo de industrialização via substituição de importações. A demanda tecnológica atual e potencial dos empreendimentos da Economia Solidária (ES), reflexo paradoxal do processo de precarização do mundo do trabalho e de um provável ciclo de crescimento baseado num novo projeto político, representa uma oportunidade a ser aproveitada pela Rede. Ela parece ser o local mais apropriado para nuclear atividades de ensino, pesquisa e extensão orientadas na direção da C&T para o desenvolvimento social.
Uma agenda de trabalho
É possível identificar no âmbito da extensa rede de atores e instituições interessados na produção de conhecimento socialmente inclusivo a existência de três grandes blocos de atividades: pesquisa, formação de recursos humanos e transferência de conhecimento (para a sociedade e para o governo).
Elas visam a:
I. Desenvolver pesquisas sobre o tema da inovação para
inclusão social. Essas pesquisas serão de dois tipos:
teórico-metodológicas, visando ao aperfeiçoamento do
marco analítico-conceitual da inovação social, a discussão
de estratégias de pesquisa científica e tecnológica, a
elaboração de políticas públicas na área de CT&I, análise
de experiências nacionais e internacionais a respeito do
tema; e aplicadas, orientadas para a construção de
soluções sociotécnicas para problemas identificados na
interface do trabalho com os movimentos sociais, ONGs,
empresas e governo, e conduzidas com o apoio de
laboratórios parceiros e de consultores;
II. Realizar ações de capacitação, por meio de oficinas,
cursos presenciais e semipresenciais (inclusive nas
modalidades extensão e especialização), para
pesquisadores, integrantes de movimentos sociais, de
empresas, do governo e de ONGs, sobre temas
relacionados à inovação social, tais como os adstritos ao
campo da Ciência, Tecnologia e Sociedade, Tecnologia
Social, Economia Solidária etc.;
III. Assegurar que o conhecimento desenvolvido chegue de
fato aos seus usuários – movimentos sociais, ONGs,
governo e empresas – mediante a utilização e o
aperfeiçoamento de metodologias de trabalho coletivo e
interativo e, inclusive, através da realização de seminários,
da publicação de documentos, artigos e livros.
A agenda que se apresenta a seguir decorre das considerações feitas até aqui e das características das atividades em curso no interior da rede mencionada. Ela é uma proposta formulada visando a servir como um possível balizamento para futuras iniciativas e consta de cinco ações principais:
1. Política Científica e Tecnológica para Inclusão Social – Esta
ação envolverá pesquisa, análise e avaliação de Políticas
de Ciência e Tecnologia orientadas para Inclusão Social, bem como capacitação de gestores públicos sobre políticas desta área, publicação de textos para discussão, artigos e livros que tratem dessa temática e realização de eventos a fim de discutir conceitos, debater propostas e socializar resultados;
2. Tecnologia e Inovação para políticas públicas de inclusão
social – A proposta desta ação é identificar e mapear experiências de desenvolvimento tecnológico e de inovação, que possam servir como insumos para políticas de inclusão social. Essa identificação ocorrerá em parceria com gestores dessa política, com o público-alvo da mesma e com os movimentos sociais que atuam nesta área;
3. Desenvolvimento tecnológico em conjunto com os
movimentos sociais – Esta ação tem como objetivo fomentar o desenvolvimento conjunto de Inovações Sociais a partir de, por um lado, a demanda de movimentos sociais por tecnologias adequadas às suas realidades e, por outro, os laboratórios, professores e grupos de pesquisa potencialmente capacitados e interessados em participar do desenvolvimento dessas inovações. Para isso, porém, será necessário em um primeiro momento mapear tanto as demandas quanto as potencialidades.
4. Educação CTS – Esta ação tem como objetivo dar
sustentação para as demais ações assim como ampliar o debate acerca da necessidade de inovações para a inclusão social. As ações de capacitação são imprescindíveis, pois, se por um lado, há a demanda premente por soluções tecnológicas para inclusão social, por outro, há uma evidente escassez de conhecimento acerca de como desenvolvê-las. Por isso, o eixo central das ações de capacitação é o desenvolvimento das habilidades necessárias aos engenheiros, cientistas, gestores, movimentos sociais e outros atores envolvidos para a concepção dessas inovações sociais tendo como fundamento as relações existentes entre Ciência, Tecnologia e Sociedade.