Tecnologia social: contribuições conceituais e metodológicas
8 - Elementos para uma avaliação das Incubadoras Universitárias de Cooperativas
8 – Elementos para uma avaliação das
Incubadoras Universitárias de
Cooperativas
Introdução
Uma das iniciativas mais importantes – e inovadoras em nível mundial – que vêm sendo implementadas na América Latina no campo da extensão universitária é a das incubadoras (tecnológicas) de cooperativas (populares) em universidades (na sua maioria, públicas) brasileiras. Os estudantes e, em menor medida, os professores, que por privilegiarem o potencial de contribuição da universidade à justiça social estão dispostos a colocar, em xeque, a sua ordem institucional (e este é o melhor conceito de esquerda que conheço), são os atores centrais desse processo.
Numa conversa que tive com o amigo Pinguelli, há bastante tempo, perguntando sobre como tinha ocorrido a criação da primeira Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares, durante a sua gestão na COPPE, ele me respondeu que como havia incubadoras para empresas privadas nas universidades – “para os ricos” – ele achou que era justo que houvesse também incubadoras “para os pobres”.“Então, em 1998, eu sugeri a criação de uma incubadora tecnológica de cooperativas e o Gonçalo topou...”
O resto da história, os leitores já sabem. Fruto dessa iniciativa precursora, e do apoio que a proposta de aproximar a comunidade universitária dos problemas que afligem as maiorias tem recebido, hoje existem mais de 100 arranjos institucionais que, organizando-se de forma variada, se situam no campo das incubadoras de cooperativas em universidades.
Passados 13 anos do início dessa trajetória, cujos êxitos também são conhecidos dos que me leem, parece conveniente aproveitar a efeméride para uma avaliação que permita orientar de maneira cada vez mais eficaz a energia que os estudantes e professores da universidade brasileira (e também dos companheiros latino-americanos que nos acompanham nessa trajetória) têm despendido na materialização dos nossos objetivos.
A intenção deste texto é provocar uma reflexão no âmbito desses colegas que, mais além das organizações e arranjos institucionais que criam, estão (e continuarão caminhando) juntos porque se agrupam em torno de ideias e ideais como as que ele aborda.
Seu foco se restringe a uma das muitas direções que devem ser seguidas para realizar essa avaliação: a análise da adequação das incubadoras tecnológicas de cooperativas para alcançar os objetivos daqueles que com elas estão envolvidas. Há algum tempo, em função da crítica que, como analista da política de C&T latino-americana, venho fazendo às incubadoras de empresas, mostrando o quanto esses arranjos institucionais (assim como o dos parques e polos tecnológicos) são ineficazes para atingir seu “propósito declarado” – incubar empresas – eu vinha pensando acerca da adequação das incubadoras para a materialização dos objetivos de natureza política e ideológica dos seus partidários.
Provocou a elaboração deste texto a constatação que fiz num seminário sobre a economia solidária e as incubadoras em que participei junto com colegas latino-americanos do que poderia ser entendido como um paradoxo. Os países em que menos se avançou na sua criação são os que apresentam a maior quantidade de cursos de extensão e especialização, e de disciplinas regulares oferecidas nas universidades sobre o amplo espectro de temas relacionados à Economia Solidária e Tecnologia Social que os preocupam. Ficou patente, em particular, que no Brasil, onde mais se avançou em relação às incubadoras, eram proporcionalmente muito escassas as iniciativas levadas a cabo pelas universidades visando ao oferecimento de oportunidades de capacitação nesses temas para seus alunos e para o público em geral.