Tecnologia social: contribuições conceituais e metodológicas
Sobre a necessidade de uma abordagem não capitalista ao conceito de tecnologia
Sobre a necessidade de uma abordagem não
capitalista ao conceito de tecnologia
Esta seção se inicia explorando um desses obstáculos que hoje se colocam ao movimento da Tecnologia Social (TS), relacionado à, ainda, escassa compreensão por parte dos atores envolvidos com a Economia Solidária (ES), ou mais amplamente, com a construção de uma “Outra Economia”, sobre o papel que pode assumir a TS nesse processo. Papel que, num primeiro nível mais concreto e imediato, situa a TS como elemento viabilizador das “sustentabilidades” (econômica, social, política e cultura) dos Empreendimentos Solidários (ESs). Num segundo nível, situando a TS como um elemento articulador, pela via do fortalecimento da ES, de formas de produção e organização da sociedade pervasivas, alternativas àquelas engendradas pelo capital. E, num terceiro nível, mais abrangente e de longo prazo, situa a TS como o núcleo do substrato cognitivo que deverá tomar o lugar da tecnociência, que hoje amalgama e galvaniza a infraestrutura econômico-produtiva e a superestrutura político-ideológica do capitalismo, no cenário em construção da “Outra Economia”.
Em favor da brevidade, será tratado apenas o fato de que nem aquele primeiro nível foi alcançado. O que pode ser avaliado pela quase completa ausência do tema na produção bibliográfica dos autores do campo da ES. E pelo fato de eles interromperem sua preocupação com a órbita da produção no momento em que abordam questões relativas à gestão dos empreendimentos e à organização do processo de trabalho, não percebem a inadequação do conjunto de aspectos da TC (inclusive a sua dimensão de hardware) como um obstáculo à sustentabilidade dos ESs. O que parece resultar de uma não assimilação da crítica contemporânea à visão neutra e determinista do marxismo ortodoxo acima aludida (Dagnino; Novaes, 2007).