Tecnologia social: contribuições conceituais e metodológicas
Keynesianismo e economia formal
O que, aliás, está muito de acordo com nossa condição de barbárie “ornitorrinquica” (ver Francisco de Oliveira em Crítica à razão dualista/O ornitorrinco), onde uma elite travestida de “burguesia nacional”, que não é nem burguesia, porque não rompeu com a oligarquia rural e não tem sido sequer capaz de explorar a “sua” classe trabalhadora, como o faz sua congênere dos países avançados, nem nacional, uma vez que se alia com o imperialismo. O que faz com que dela não se pudesse (nem se possa) esperar a revolução democrático-burguesa, processo fundante do capitalismo.
Incluir os excluídos (os situados na economia informal ou pré-capitalista) na economia formal, o que sempre foi declarado como o sonho dos desenvolvimentistas, e dos neodesenvolvimentistas de hoje, mantendo a ideia tradicional e cada vez menos exequível, de absorver o setor informal, não é, definitivamente, o meu ideal nem a minha proposta.
Parece-me mais social, política, e ambientalmente sustentável incluí-los na ES. Há que enfatizar, então, que entendo a ES como o “antônimo” – a imagem especular – do setor informal. Considero que os movimentos da Economia Solidária e da Tecnologia Social, que atualmente começam a convergir, devem adotar a ideia de que a oposição não deve ser entre os setores formal e informal, como pensavam os desenvolvimentistas e dão a entender os neodesenvolvimentistas, mas sim entre o setor formal e a Economia Solidária.
Keynesianismo e economia formal O remédio de Keynes contra a recessão e o desemprego gerados pela crise de 1929 e que depois garantiu o binômio welfare-warfare (bem-estar e guerra) que originou o sustentado crescimento do capitalismo estadunidense, era simples. Bastava “dar” um subsídio público – o que hoje chamamos “bolsa” – para os primeiros dois da fila de excluídos. O primeiro cavava um buraco, o segundo tapava o buraco. Com o que ganhavam, esses dois faziam compras no armazém, que aumentam suas encomendas à indústria, que produzia mais para atender esta demanda e empregava aqueles dois.
Tinha-se, assim, uma cadeia consumo–produção–emprego, que resultava em crescimento econômico e na eliminação do desemprego e da exclusão.Tinha-se, mais do que crescimento econômico, desenvolvimento, uma vez que outros dois poderiam ser empregados e assim sucessivamente.
Atualmente essa cadeia consumo-produção-emprego não funciona mais. Como ela depende da empresa e da sua tecnologia, crescentemente poupadora de mão de obra, a produção aumenta, mas sem que aumente o emprego. Levando ao que os estadunidenses popularizaram como sendo uma situação que reúne duas características. A de ser uma economia em que a produção aumenta reduzindo empregos (jobless growth economy) e eliminando postos de trabalho (jobloss growth economy) à medida em que “qualificações” e “empregabilidades” vão sendo obsoletizadas.
O quadro que segue mostra como desde 1991, no Brasil, tem havido uma diminuição do emprego industrial.