Tecnologia social: contribuições conceituais e metodológicas
Será que é possível gerar a TS a partir da TC?
Como se dá o desenvolvimento de C&T?
Reflete os padrões sociais, políticos, econômicos e
ecológicos da sociedade em que é desenvolvida;
É desbalanceado e enviesado por esses padrões;
Só faz perguntas que consegue resolver dentro dos limites
desta sociedade;
Reforça “sua” sociedade e inibe a mudança social.
Como a comunidade de pesquisa percebe esse desenvolvimento?
Como tendo um “motor de crescimento” endógeno, guiando
a C&T num caminho; linear, contínuo, universal,
“darwinista” e inexorável;
Vamos ver o que pode ser feito
Como começar? Acho que é fazendo isso que estamos fazendo aqui. Questionar essa maneira de organizar a pesquisa na universidade é um primeiro e necessário passo. Claro que não
podemos parar aí. Não se pode só criticar7.
Temos de gerar uma nova cultura institucional que seja favorável à TS. Uma cultura institucional que viabilize uma agenda, de pesquisa e de formação de recursos humanos, coerente com a IS, a economia solidária, coerente com a TS, alargando seu nicho, no interior do conjunto de projetos que diferentes atores sociais impulsionam de forma aderente à TC.
Dado que nossa política de pesquisa, nossa agenda de pesquisa, é, de fato, uma lista de projetos – aquele conjunto de projetos amorfo a que me referi – não parece tão difícil introduzir ali uma cunha de
racionalidade8. Ao criticar a maneira como essa agenda é conformada, será possível explicitar a conveniência de que ela contemple o interesse de outros atores sociais, daqueles que podem alavancar a mudança social que interessa às cooperativas, aos excluídos.
Hoje, o movimento docente de esquerda denuncia que o neoliberalismo está desmantelando a universidade. Mas continua fazendo tudo aquilo que o neoliberalismo quer que a gente faça. Parece que não existe esquerda nem direita, porque o professor de ultraesquerda e o professor de ultradireita fazem a mesma pesquisa,
dão a mesma aula 9. Então, que diabos! Espera-se que milagres aconteçam?
As universidades federais ficaram paradas dois meses. A Unam, no México, ficou em greve por um ano. Quem na sociedade, que força social, levantou-se para dizer: “Ô, governo, dá um jeito nisso! Precisamos da universidade!”?
Imagine nos EUA, se Berkeley ou Stanford ficassem paradas uma semana. No outro dia, estariam as multinacionais, as grandes empresas, a sociedade em geral, batendo na porta, “Ô, governo, precisamos desse laboratório. Os pesquisadores que estão adquirindo conhecimento aqui são importantes para nós!”.
Nossa universidade é disfuncional. Ela não serve nem para a classe dominante nem para a classe dominada – é uma universidade que está no limbo. E a esquerda universitária continua sem buscar alianças, no interior da sociedade, que possam defender a universidade. Até por uma questão bem corporativa e pragmática, seria bom perguntar: quem vai nos defender do neoliberalismo? Vai ser o grande capital multinacional? Vai ser o grande capital nacional em processo de extinção? Ou será que vão ser outros os aliados? Se vão ser outros, quem são? Onde estão?
E aí voltam as questões que estamos aqui discutindo: a economia solidária, os empreendimentos autogestionários. Parece-me que essa coisa que estamos tentando fazer é muito mais importante do que vislumbramos à primeira vista. Os desafios que esses conceitos apresentam à nossa relação com o conhecimento (que é a coisa mais preciosa e mais humana que o Homem possui) são muito grandes, muito significativos. Cabe a nós recolher esses desafios e tentar fazer com que façam parte do dia a dia, da pesquisa, do ensino, enfim, daquilo que fazemos aqui.