Tecnologia social: contribuições conceituais e metodológicas
Instrumentalização Primária
Esses atributos reflexivos só se explicitam (ou, analiticamente, incorporam-se) quando da “instrumentalização secundária”. O que faz com que passem a mostrar configurações associadas a distintas eras da história da racionalidade técnica.
Para mostrar que as características da tecnologia (capitalista, agrego eu) não são anteriores à historia, mas são combinações de construtos “primários” (abstrações) com atributos cuja existência se configura a partir de estágios historicamente concretos de uma trajetória, Feenberg dissocia analiticamente o processo de construção sociotécnica.
São eles: a INSTRUMENTALIZAÇÃO PRIMÁRIA, que explica a constituição dos objetos e sujeitos da ação técnica abstraindo-os de seu ambiente sociotécnico; e a INSTRUMENTALIZAÇÃO SECUNDÁRIA, que explica como, na prática (e ao longo de uma trajetória qualquer), realizam-se as ações entre sujeitos e objetos da ação técnica em diferentes ambientes sociotécnicos.
O quadro a seguir permite a comparação dos dois processos pela via dos seus quatro momentos, tendo em vista a forma como se processa a ação técnica entre os entre sujeitos e objetos com ela envolvidos.
Instrumentalização Primária
Descontextualização
A (re)construção de objetos naturais como objetos técnicos demanda “desmundializá-los”, separando-os artificialmente do contexto no qual se encontram e são observados. Isolados, podem ser analisados em termos da utilidade de suas partes.As inovações aproveitarão qualidades de coisas naturais (faca: o agudo de pedra; roda: o redondo de fatia de árvore).Tais propriedades (agudeza, redondeza) são separadas de suas formas de ocorrência na natureza e vistas como propriedades técnicas.
A tecnologia é constituída a partir destes fragmentos de natureza que, após serem abstraídos de todos os seus contextos específicos, aparecem com uma forma útil.
Reducionismo
Processos mediante o qual as coisas “desmundializadas” são simplificadas e reduzidas aos aspectos que permitem sua incorporação a redes técnicas que faz com que uma fatia de árvore possa se tornar uma roda. Os aspectos tecnicamente úteis dos objetos, suas “qualidades primárias”, podem ser reorganizados em torno de um interesse externo.