Tecnologia social: contribuições conceituais e metodológicas

A matriz TS e as dimensões de análise

O resultado buscado pode ser visualizado como uma matriz de dupla entrada em que, na primeira coluna, estejam listadas as dimensões e, na primeira linha, as tecnologias sociais escolhidas para colocar em marcha o Projeto (as demais alternativas tecnológicas porventura existentes – convencionais ou sociais – embora não apareçam na matriz, serão também analisadas a partir de procedimentos a serem indicados).

São duas as entradas possíveis na matriz que se idealiza como resultado da análise proposta por este documento.

1. A entrada na coluna correspondente a uma TS qualquer

(TSi) proporciona a sua “posição” relativa a cada uma das

dimensões (Di) e pode indicar, na última linha, um

agregado indicativo de sua “posição” referente às demais

TS.

2. A entrada na linha correspondente a uma dimensão

qualquer (Di) proporciona a “posição” relativa de cada uma

das TS e pode indicar, na última coluna, um agregado

indicativo da “aderência” ou “pertinência” do conjunto das

TS a esta dimensão.

Essas duas entradas podem ser entendidas (e ao que tudo indica, serão) como insumos para as duas “leituras” que serão realizadas e organizadas sob a forma de documentos do Projeto. Sem pretender superestimar a importância da proposta que se faz neste documento, chamo a atenção que o número de documentos passíveis de serem elaborados é de t + d, sendo t o número de tecnologias e d o de dimensões.

As dimensões e seus conjuntos Nesta seção, sem a pretensão de esgotar o assunto e sim de iniciar um processo necessariamente iterativo e interativo, submeto aos colegas algumas dimensões classificadas em oito conjuntos.

Ressalto que sua consideração deve dar-se lembrando que a América do Sul continua sendo a região mais desigual do mundo e que a exclusão social, numa situação em que mais da metade da População Economicamente Ativa (PEA) se encontra na informalidade e em que o setor formal tenderá a seguir sendo incapaz de absorver os que buscam emprego, demanda ações direta e especificamente voltadas à inclusão social. Elas deverão transcender àquelas de tipo compensatório e, também, as relacionadas à mera qualificação dos excluídos para uma cada vez menos provável absorção pela economia formal.

A inclusão social, entendida não como a “inclusão” na economia formal, e sim na ES, supõe criar as condições para que algumas das atividades de produção de bens e serviços, usualmente realizadas por empresas e que crescentemente são “transferidas” de modo precarizado para o setor informal, possam ser levadas a cabo por EESs. Para tanto, será necessário completar e adensar cadeias produtivas hoje situadas na economia informal de modo a transformá-la na ES, que cresce rapidamente e está cada vez mais apoiada pelos governos da região, ES. Mas satisfazer as necessidades materiais dos hoje excluídos, que nela serão incluídos, dos trabalhadores que passarão a integrar os EESs, é apenas a “ponta do iceberg”. Abaixo dela, do tecido produtivo, são levadas a cabo atividades hoje realizadas por outros agentes econômicos, em geral empresas privadas, que produzem bens e serviços que poderão ter sua produção absorvida pela ES. E, mais importante, submergida, encontra-se uma parte do iceberg correspondente a uma grande e variada demanda por bens públicos que o Estado deve proporcionar a todos os cidadãos e que atualmente o faz utilizando do seu poder de compra em benefício das empresas.