Tecnologia social: contribuições conceituais e metodológicas

A Tecnologia Social como “plataforma de lançamento” da Economia Solidária

A Tecnologia Social como “plataforma de

lançamento” da Economia Solidária

Para satisfazer essa demanda cognitiva, nós, nas escolas e universidades, que são as únicas organizações no Brasil capacitadas a atacar este desafio, vamos ter que nos esforçar muito. E de forma multidisciplinar, interdisciplinar, transdisciplinar, sei lá! Coisa que, lamentavelmente, estamos longe de saber fazer. E que a forma como o capitalismo tem produzido ou adquirido (ou expropriado dos trabalhadores diretos desde quando eles viviam em “sociedades primitivas” feudais ou indígenas) o conhecimento que necessita para a acumulação de capital tende, sistematicamente, a impedir que ocorra.

Mas, voltando ao nosso exemplo das casas, poderíamos começar nos perguntando: e se conseguíssemos transformar de forma razoável latinhas em esquadrias de alumínio, para equipar as casas? E caixinhas de Tetrapak em telhas, e papelão em divisórias? E PET em painéis para paredes? E se houvesse TS para construir obras públicas – estradas, escolas, parques – e bem conservá-las? Lembram como é que a China, lá no começo dos anos 1960, fez as barragens que fez? Na mão! Nem enxada, os chineses tinham! Não estou propondo isso. Não estou querendo ser miserabilista. Nem voltar para as cavernas. Estou consciente de que, em muitos casos, satisfazer necessidades básicas implicará explorar a fronteira mundial do conhecimento.

Mesmo porque ES e TS já não são (nem serão, crescentemente) só para pobres ou para melhorar o serviço proporcionado pelo Estado para todos os cidadãos. Como já disse, entendo a ES como um “foguete em fase de projeto”. E a TS como sua “plataforma cognitiva de lançamento”. Essa é uma das ideias-força que eu gostaria que ficasse da leitura deste trabalho.

O resultado da dobradinha ES-TS conferirá maior eficiência,eficácia e efetividade aos processos que dizem respeito à interface Estado-sociedade. Justamente os três conceitos que a gente usa para avaliar as políticas públicas. E como transformar os desejos que se têm enunciado neste trabalho em política pública? A resposta é, a esta altura, óbvia. Começando por sensibilizar a comunidade de pesquisa e os gestores públicos.