Tecnologia social: contribuições conceituais e metodológicas
Referências
BRAVERMAN, H. Trabalho e capital monopolista. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara, 1987.
BURAWOY, M. Manufacturing consent. Chicago: University of Chicago Press, 1979.
CORIAT, B. Ciencia, técnica y capital. Madrid: H. Blume, 1976.
DAGNINO, R. Em direção a uma Estratégia para a redução da pobreza: a Economia Solidária e a Adequação Sociotécnica. 2002. In: ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS IBERO-AMERICANOS PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA. Sala de Lectura CTS+I de
la OEI, 2002. Disponível em: <http://www.campus-
oei.org/salactsi/index.html>. Acesso em: 05 out. 2002.
DAGNINO, R. Neutralidade da ciência e determinismo tecnológico. Campinas: Ed. da Unicamp, 2008.
DAGNINO, R. Tecnologia Apropriada: uma alternativa?. 1978. Dissertação (Mestrado em Economia). Brasília: UNB, 1978.
DAGNINO, R.; BRANDÃO, F.C.; NOVAES, H.T. Sobre o marco analítico conceitual da tecnologia social. In: LASSANCE Jr...et al. Tecnologia Social – uma estratégia para o desenvolvimento. Rio de Janeiro: Fundação Banco do Brasil, 2004, p.15 a 64.
DAGNINO, R.; NOVAES, H.T. As forças produtivas e a transição ao socialismo: contrastando as concepções de Paul Singer e István Mészáros. Revista Organizações & Democracia, Unesp, Marília, v. 7, p. 30-48, 2007.
EDWARDS, P.K. Understanding Conflict in the Labour Process:The Logic and Autonomy of strugle. In: KNIGHTS, D.;WILLMOTT, H. (Org.). Labour Process Theory. London: Macmillan, 1990.
FEENBERG, A. Transforming technology. Oxford: Oxford University Press, 2002. GORZ, A. Divisão do trabalho, hierarquia e luta de classes. In: MARGLIN, S...et al. Divisão social do trabalho, ciência, técnica e modo de produção capitalista. Porto: Publicações Escorpião, 1974.
HIRSCHORN, L. Beyond Mechanization: work and technology in a postindustrial age. Massachussets: MIT Press, 1984.
LACEY, H. Is science value-free?. In:VALUES and Scientific Understanding. Londres, Routledge, 1999.
MARGLIN, S. Para que servem os patrões? In: GORZ, A...et al. A divisão do trabalho. Porto: Escorpião, 1974.
MERTON, R. La ciencia y la estructura social democrática, In:TEORIA y estructura social. México: Fondo de Cultura Econômica, 1992.
NOBLE, D. Social Choice in Machine Design. In: ZIMBALIST, A. (Org). Case Studies on the labor process. Nova Iorque: Monthly Review Press, 1979.
NOVAES, H.T. O Fetiche da Tecnologia – a experiência das Fábricas Recuperadas. São Paulo: Expressão Popular – Fapesp, 2007.
OLIVEIRA, Marcos B. de. Fórum Social busca caminhos para uma nova ciência. Reportagem de Rafael Evangelista. In: SEMINÁRIO “TECNOCIÊNCIA, ECOLOGIA E CAPITALISMO” FÓRUM SOCIAL MUNDIAL, 1, janeiro de 2002. Disponível em
<http://www.comciencia.br/especial/fsm2/fsmII01.htm> Acesso em: Jul. 2002.
RAMALHO, J. R. Controle, Conflito e Consentimento na Teoria do Processo de Trabalho: Um Balanço do Debate. Boletim Informativo e Bibliográfico de Ciências Sociais, ANPOCS, Rio de Janeiro, n. 32, 2º semestre, p. 31-48, 1991.
THOMPSON, P. The nature of work. London: Macmillan, 1983.
VEBLEN,Thorsten.The instinct of workmanship and the irksomeness of labor. American Journal of Sociology, v. 4, n. 2, p. 187-201, set. 1898.
ZIMBALIST, A. (Org). Case Studies on the labor process. Nova Iorque: Monthly Review Press, 1979.
17 Para exemplificar, e citando uma contribuição minha, é possível destacar uma das primeiras realizadas no Brasil (DAGNINO, 1978) e aqueles que seguem a Dagnino (2002), onde temos desenvolvido a proposta de Adequação Sociotécnica.
18 Ou o que tem sido chamado no Brasil, inclusive por nós, de Tecnologia Social. Embora esse termo tenha adquirido uma conotação histórica e espacialmente determinada que tem envolvido a sua definição e emprego, e deva ser interpretado como sendo mais uma “marca registrada” útil para designar e comunicar uma ideia do que um conceito adequado para chegar a conceber o conjunto de indicações de caráter sociotécnico capaz de orientar as ações de desenvolvimento tecnocientífico, ele é usado também neste trabalho.
19 Não é nossa intenção dar a entender que a busca de uma estratégia desse tipo seja algo original.Vários autores têm procurado, por exemplo, deslocar o foco de preocupação do marxismo das implicações da tecnologia no emprego e na distribuição da renda e da riqueza destacando a importância da dominação e da alienação que se manifestam no “chão de fábrica” (ou no processo de trabalho), por muito tempo, negligenciada. Entre eles, Burawoy (1979) Braverman (1987), Feenberg (2002), Noble (1979), Thompson (1983), Zimbalist (1979).
20 Embora a acepção mais comum seja aquela registrada pelo Aurélio: ato, efeito ou poder de controlar; domínio, governo. Encontramos, na Enciclopédia Britânica, uma definição mais coerente com aquilo que nos interessa aludir: skill in the use of a tool, instrument, technique, or artistic médium.
21 Tomamos o tempo de trabalho como conceito básico para desenvolver nossa visão. É em relação a ele que iremos definir grande parte dos conceitos que a integram.
22 Nossa ênfase na mudança do modo de produzir tem a ver com o próprio sentido que se irá conferir ao conceito de tecnologia. O qual se encontra ligado a uma ideia de algo em permanente mutação, em tudo semelhante ao conceito de inovação.
23 Não trataremos por enquanto de mudanças qualitativas no produto, isto é, de uma mudança nas características do produto determinada pela alteração na forma como se realiza o trabalho.
24 Privilegiamos o tempo de trabalho e não a quantidade de produto produzido como elemento variável porque parece ser, o primeiro, aquele que o ator que controla o processo de trabalho, seja ele o trabalhador direto ou o capitalista, está interessado em modificar. Como iremos abordar mais adiante, é sobre o primeiro elemento que o capitalista possui governabilidade. E só depois que ele se mostra capaz de, através do controle que exerce sobre o processo de trabalho, diminuir o tempo de trabalho, é que ele poderá decidir se existem condições propícias para o aumento de produção.
25 Veblen (1898) desenvolve um interessante argumento a respeito das diferenças do comportamento humano frente às atividades que desempenha segundo elas estejam orientadas à produção de algum bem, ao esporte ou à guerra. Embora essas diferenças invalidem boa parte da racionalidade da Economia Neoclássica, seu argumento não contradiz as afirmações realizadas neste trabalho.
26 Segundo Burawoy, a possibilidade que é facultada aos trabalhadores (pelo capitalista e pelo Estado) para organizarem a produção é o que gera o consentimento – este elemento essencial para permitir que uma ideia da classe dominante se transforme em ideologia intrínseca ao modo de produção – tornando menos necessária a coerção. A qual, como se sabe, é o recurso mais custoso para o establishment: ao ser ativada, quando fracassa o controle ideológico, ela desnuda o caráter contraditório e de dominação do capitalismo. De fato, como ressaltam Burawoy e Tragtenberg, por exemplo, a característica do capitalismo, de mesclar conflito e consentimento, também se manifesta no ambiente produtivo. A fábrica deve ser um lugar “dócil e pacífico”, mas quando isso corre o risco de não acontecer, a coerção é utilizada.
27 Nossa visão, de que existiria um transdutor entre o que ocorre no ambiente produtivo e no seu contexto introduz uma nuance na de outros pesquisadores. Claudio Dedecca, por exemplo, ressalta que “os trabalhadores trabalham com a arma do desemprego na cabeça”, ressaltando que o tipo de coerção utilizado hoje em dia é o desemprego. Márcia Leite aponta que a rotatividade da mão de obra facultada pela legislação trabalhista que limita os direitos do trabalhador acaba se tornando uma forma de coerção.
28 Concordamos com Marcos Oliveira (2002, p.109) quando escreve que, por estar o desenvolvimento da ciência e da tecnologia modernas intimamente ligado ao surgimento e à consolidação do capitalismo, é possível afirmar que “a ciência e a tecnologia que conhecemos são uma ciência e uma tecnologia capitalistas”. E que o que hoje é conhecido como ciência representa apenas uma abordagem possível, motivada por valores atribuídos às práticas de controle da natureza características do capitalismo.
29 Parece possível argumentar que a separação estrita, generalizada, “sacramentada”, naturalizada e “sem retorno” entre trabalho intelectual e manual esteja relacionada com a secessão imposta pelo capitalismo, de territórios, hoje separados ainda que fronteiriços, que vão da arte à ciência, passando pelo artesanato, pela técnica e pela tecnologia.
30 Embora não seja o momento de fazê-lo aqui, seria interessante pesquisar a relação que pode existir entre as frentes interna e externa e os conceitos de tecnologia de processo e tecnologia de produto. E, também, aos conceitos de inovação incremental e inovação radical.
31 A ideia em voga de que “temos que produzir empresários schumpeterianos (...)” soaria para Schumpeter como uma heresia. Para ele, o empresário (“schumpeteriano”) seria a materialização de um processo social que ocorre concomitantemente à (e por meio da) geração de inovações. Ou seja, nenhum empresário poderá ser, em sua própria essência, schumpeteriano. É a empresa, não o indivíduo, que pode “estar schumpeteriana” quando introduz no mercado uma inovação radical; e deixará de sê-lo quando os efeitos dessa inovação se dissiparem.