Tecnologia social: contribuições conceituais e metodológicas

Considerações finais

Posturas;

Discurso Proposição Ação;

Modalidade AST;

Uso;

Apropriação;

Ajuste do processo de trabalho;

Alternativas Tecnológicas;

Incorporação de conhecimento existente;

Incorporação de conhecimento novo.

 

Considerações finais

A situação de tensão a que se fez referência ao longo deste texto, entre o conhecimento praticado pelas equipes envolvidas com a Estratégia que aqui se discute e as demandas que ela coloca, tende a se resolver como usual. Isto é, seguindo a tendência que faz com que mesmo os organismos novos criados para promover a mudança sejam “contaminados” pela cultura institucional tecnocrática, paternalista e reprodutora da exclusão, ainda fortemente arraigada no aparelho de Estado. Para que isso seja evitado, é necessário ação específica e sistematicamente desenvolvida.

Um processo interno às organizações e equipes, no início tão indispensável quanto aquele similar, que no âmbito da sociedade difunde novos valores e institucionaliza procedimentos focados num outro estilo de desenvolvimento etc, deve ser promovido. Na verdade, esse processo voltado para dentro, necessário para criar a sinergia responsável pela evolução satisfatória da Estratégia, deve ser entendido como uma de suas partes, sem a qual o impulso inovador inicial tenderá a se esgotar.

Esse processo terá como função principal a construção de um conjunto de conhecimentos à altura do conteúdo radicalmente inovador da Estratégia e do desafio de transformá-la num eixo de política pública capaz de mobilizar ações de governo cada vez mais abrangentes, de atrair parceiros do setor privado e de granjear a participação da sociedade, promovendo um novo estilo de desenvolvimento econômico e social.

A situação de insuficiência cognitiva que aqui se descreve não deve surpreender. É frequente, em conjunturas em que a realidade obriga a ações radicais para seu enfrentamento, que elas decorram da percepção aguçada de alguns tomadores de decisão forçando a que mudanças cognitivas de natureza paradigmática tenham que ser posteriormente promovidas de modo a dotá-las de viabilidade e sustentabilidade. Processos desse tipo costumam alternar fases de intensa inovação, às vezes protagonizadas por um único indivíduo, em que questões nucleares relacionadas àquelas ações são provisoriamente interconectadas mediante um marco explicativo esboçado de modo subjetivo e ad hoc, com fases de caráter mais sistemático, envolvendo uma equipe maior, quando se dá a absorção de conhecimentos provenientes de outras áreas etc, e as ações são programadas em detalhe. É com essa pretensão que este texto foi escrito: servir como uma instância de reflexão à margem, mas conectada com as práticas de governo em curso.

Muitas das ações que a Estratégia contempla, como a expansão das Redes de Economia Solidária ao longo de cadeias produtivas onde a empresa convencional é hegemônica, dependem para sua efetivação de um processo de paulatina generalização e difusão dos conceitos, relações e modelos que utiliza.

À medida que essa generalização e difusão se verifiquem, será possível fazer com que estratégias como a que se discute se tornem referência para conduzir ações de governo e para informar práticas semelhantes por parte de instituições supranacionais. Nesse sentido, elas poderiam ser consideradas como uma “experiência de laboratório” cujo scale up depende do esforço que se faça para bem elucidar as condições imperfeitas que serão levadas a cabo.

É claro que o que fazem os funcionários públicos para a sociedade tem que ser bem feito, e é evidente que uma Estratégia como a que aqui se discute tem que ser continuamente avaliada. Mas também é claro que a situação em que vive a população-alvo não admite atrasos causados por intermináveis discussões e desvios academicistas e assembleístas que protelam decisões que devem ser urgentes e eficazes.