Tecnologia social: contribuições conceituais e metodológicas
Concebendo uma nova abordagem
O fato de que essa situação possa ser atribuída a uma não assimilação da crítica formulada, nos anos de 1970, por maoístas e trotskistas (Gorz, 1974; Coriat, 1976) à forma como o marxismo ortodoxo e o socialismo real entendiam a tecnologia capitalista (a qual ficou soterrada pelo avanço do neoliberalismo e os escombros do muro de Berlim), chama a atenção para a necessidade de um aprofundamento teórico sobre o tema.
Evidência disso é o descompasso entre a reflexão teórica, e a radicalidade com que o tema vem sendo discutido e a atuação concreta dos atores com ele envolvidos na busca de soluções para os problemas que se colocam no âmbito dos ESs.
Orientar de modo eficaz as ações atinentes à promoção da TS, no plano das políticas públicas, e no plano cognitivo do seu desenvolvimento, supõe alterar a estratégia que tem sido adotada até agora. A qual parte das implicações sociais, econômicas, políticas, ambientais etc. negativas da TC buscando, por exclusão ou negação, o desenvolvimento da TS; uma tecnologia que não determine essas implicações. Ou seja, buscando o desenvolvimento de algo-que-não é aquilo que não queremos.
Concebendo uma nova abordagem
Tem-se procurado, nesse sentido, e ainda que sem abandonar a ideia de construção de uma utopia que caracteriza o movimento da TS, adotar uma estratégia que vá no sentido inverso. Para tanto se está formulando ad hoc uma abordagem que é ao mesmo tempo genérica, dado que permite o entendimento de qualquer tecnologia, e específica, na medida em que está alinhada com os princípios da TS. Por isso, ela não se preocupa em explicar a dinâmica da inovação (ou tecnologia) de produto, e o conceito que proporciona se limita ao caso da inovação de processo, que mais interessa ao campo da TS.
Ela parte da consideração do processo de trabalho em que se envolvem os seres humanos, no ambiente da produção de bens e serviços, que permita derivar as características que deve assumir a forma de produzir para tornar-se funcional a um contexto socioeconômico particular e ao acordo social que ele engendra.