Exame Neurológico Simplificado

Geraint Fuller · Capítulo 28 de 89

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Exame Neurológico Simplificado

O que fazer

FIGURA 9.2 Músculos envolvidos nos movimentos oculares

 

• VI: apenas o reto lateral.

• IV: apenas o oblíquo superior (SO4).

• III: os demais músculos.

As anormalidades podem ocorrer em qualquer nível (Fig. 9.1): Sem visão dupla (geralmente):

• Supranuclear (acima dos núcleos).

• Internuclear (conexões entre núcleos; FLM).

• Nuclear.

Com visão dupla:

• Nervo.

• Junção neuromuscular.

• Músculo.

Lesões internucleares e supranucleares raramente causam visão dupla.

Regras da visão dupla

• A visão dupla é máxima na direção do olhar para o músculo afetado. • A imagem falsa é a imagem mais externa.

• A imagem falsa se origina no olho afetado.

 

O que fazer

Observe a posição da cabeça.

• A cabeça é inclinada para o lado oposto ao lado afetado por uma lesão do quarto

nervo.

Observe os olhos.

• Verifique se há ptose (Cap. 6).

• Observe a posição de repouso dos olhos e a posição primária do olhar.

Observe a posição dos olhos na posição primária do olhar.

• Eles divergem ou convergem?

• O paciente parece estar olhando para cima ou para baixo — desvio oblíquo (skew

deviation)?

Realize o teste de oclusão ocular (cover test ) (Fig. 9.3).

 

FIGURA 9.3 O cover test. Para explicações, veja o texto.

 

O cover test

O que fazer

Este é um teste para estrabismo latente.

Peça ao paciente que olhe para o seu olho direito com ambos os olhos, então cubra o

olho esquerdo dele. Agora descubra o olho esquerdo rapidamente e cubra o olho direito do paciente. Observe para ver se o olho esquerdo precisa fazer correções para voltar a olhar para o olho direito do examinador. Repita, cobrindo o olho esquerdo após o direito e observando possíveis correções do olho direito.

O que você encontra Se um dos olhos do paciente necessita fazer correções após ser descoberto, isso indica que o paciente tem um estrabismo latente, que pode ser classificado como divergente ou convergente.

O que significa

• Estrabismo latente: desvio congênito, geralmente do olho mais fraco (e miopia na

infância) — comum.

 

Teste os movimentos oculares de perseguição

• Segure uma caneta verticalmente a aproximadamente 50 cm do paciente, no centro

do seu olhar. Peça a ele que siga a caneta com os olhos, sem movimentar a cabeça, e que informe se por acaso enxergar duplo. Você pode segurar a mandíbula suavemente para evitar movimentos da cabeça.

• Movimente a caneta lentamente. Peça ao paciente que lhe diga se tiver visão dupla:

– De lado a lado.

– Para cima e para baixo a partir do centro.

– Para cima e para baixo no extremo do olhar lateral.

• Assegure-se de que o nariz do paciente não impeça a visão da caneta no extremo do

olhar lateral.

Erros com uns

• Objeto próximo demais.

• Objeto movido muito rapidamente.

• Permitir que o paciente mova a cabeça.

• Num paciente com hemianopsia o objeto pode desaparecer do campo de visão se

for movido muito rapidamente em direção à hemianopsia. Por isso, na presença de hemianopsia o objeto deve ser movido muito lentamente.

 

Enquanto você faz isso, observe os movimentos dos olhos.

• Ambos os olhos se movem ao longo de toda a extensão da mirada? Estime a

porcentagem de redução do movimento em cada direção.

• Os olhos se movem suavemente?

• Os olhos se movem juntos?

• Procure nistagmo (Cap. 10).

Se o paciente relata ter visão dupla em qualquer etapa:

• Determine se as imagens ficam lado a lado, acima e abaixo, ou formando um

ângulo.

• Determine a direção na qual as imagens estão mais afastadas uma da outra. • Nessa posição, cubra rapidamente um olho e pergunte qual imagem desaparece: a

externa ou a interna. Repita isso cobrindo o outro olho (Fig. 9.4).

FIGURA 9.4 Fluxograma: visão dupla

 

 

Examine os movimentos oculares sacádicos

• Fique de frente para o paciente. Mantenha as suas mãos à sua frente,

aproximadamente 30 cm afastadas uma da outra e também 30 cm à frente do paciente.

• Peça ao paciente que olhe de uma mão para a outra. • Observe os movimentos oculares: eles são completos, suaves e os olhos se movem

em conjunto?

• Observe de modo especial a velocidade da adução. • Agora posicione as suas mãos verticalmente uma sobre a outra, afastadas por uma

distância de aproximadamente 30 cm, e peça ao paciente que olhe de uma à outra.