Exame Neurológico Simplificado
O que fazer
FIGURA 9.2 Músculos envolvidos nos movimentos oculares
• VI: apenas o reto lateral.
• IV: apenas o oblíquo superior (SO4).
• III: os demais músculos.
As anormalidades podem ocorrer em qualquer nível (Fig. 9.1): Sem visão dupla (geralmente):
• Supranuclear (acima dos núcleos).
• Internuclear (conexões entre núcleos; FLM).
• Nuclear.
Com visão dupla:
• Nervo.
• Junção neuromuscular.
• Músculo.
Lesões internucleares e supranucleares raramente causam visão dupla.
Regras da visão dupla
• A visão dupla é máxima na direção do olhar para o músculo afetado. • A imagem falsa é a imagem mais externa.
• A imagem falsa se origina no olho afetado.
O que fazer
Observe a posição da cabeça.
• A cabeça é inclinada para o lado oposto ao lado afetado por uma lesão do quarto
nervo.
Observe os olhos.
• Verifique se há ptose (Cap. 6).
• Observe a posição de repouso dos olhos e a posição primária do olhar.
Observe a posição dos olhos na posição primária do olhar.
• Eles divergem ou convergem?
• O paciente parece estar olhando para cima ou para baixo — desvio oblíquo (skew
deviation)?
Realize o teste de oclusão ocular (cover test ) (Fig. 9.3).
FIGURA 9.3 O cover test. Para explicações, veja o texto.
O cover test
O que fazer
Este é um teste para estrabismo latente.
Peça ao paciente que olhe para o seu olho direito com ambos os olhos, então cubra o
olho esquerdo dele. Agora descubra o olho esquerdo rapidamente e cubra o olho direito do paciente. Observe para ver se o olho esquerdo precisa fazer correções para voltar a olhar para o olho direito do examinador. Repita, cobrindo o olho esquerdo após o direito e observando possíveis correções do olho direito.
O que você encontra Se um dos olhos do paciente necessita fazer correções após ser descoberto, isso indica que o paciente tem um estrabismo latente, que pode ser classificado como divergente ou convergente.
O que significa
• Estrabismo latente: desvio congênito, geralmente do olho mais fraco (e miopia na
infância) — comum.
Teste os movimentos oculares de perseguição
• Segure uma caneta verticalmente a aproximadamente 50 cm do paciente, no centro
do seu olhar. Peça a ele que siga a caneta com os olhos, sem movimentar a cabeça, e que informe se por acaso enxergar duplo. Você pode segurar a mandíbula suavemente para evitar movimentos da cabeça.
• Movimente a caneta lentamente. Peça ao paciente que lhe diga se tiver visão dupla:
– De lado a lado.
– Para cima e para baixo a partir do centro.
– Para cima e para baixo no extremo do olhar lateral.
• Assegure-se de que o nariz do paciente não impeça a visão da caneta no extremo do
olhar lateral.
Erros com uns
• Objeto próximo demais.
• Objeto movido muito rapidamente.
• Permitir que o paciente mova a cabeça.
• Num paciente com hemianopsia o objeto pode desaparecer do campo de visão se
for movido muito rapidamente em direção à hemianopsia. Por isso, na presença de hemianopsia o objeto deve ser movido muito lentamente.
Enquanto você faz isso, observe os movimentos dos olhos.
• Ambos os olhos se movem ao longo de toda a extensão da mirada? Estime a
porcentagem de redução do movimento em cada direção.
• Os olhos se movem suavemente?
• Os olhos se movem juntos?
• Procure nistagmo (Cap. 10).
Se o paciente relata ter visão dupla em qualquer etapa:
• Determine se as imagens ficam lado a lado, acima e abaixo, ou formando um
ângulo.
• Determine a direção na qual as imagens estão mais afastadas uma da outra. • Nessa posição, cubra rapidamente um olho e pergunte qual imagem desaparece: a
externa ou a interna. Repita isso cobrindo o outro olho (Fig. 9.4).
FIGURA 9.4 Fluxograma: visão dupla
Examine os movimentos oculares sacádicos
• Fique de frente para o paciente. Mantenha as suas mãos à sua frente,
aproximadamente 30 cm afastadas uma da outra e também 30 cm à frente do paciente.
• Peça ao paciente que olhe de uma mão para a outra. • Observe os movimentos oculares: eles são completos, suaves e os olhos se movem
em conjunto?
• Observe de modo especial a velocidade da adução. • Agora posicione as suas mãos verticalmente uma sobre a outra, afastadas por uma
distância de aproximadamente 30 cm, e peça ao paciente que olhe de uma à outra.