Exame Neurológico Simplificado
4 Testes dos músculos respiratórios e do tronco
M úsculos respiratórios
Os músculos intercostais e o diafragma podem estar especialmente envolvidos nos
transtornos neuromusculares. O exame clínico pode ser útil na avaliação da fraqueza da musculatura respiratória, mas é de valor limitado. Se houver fraqueza da musculatura respiratória, ou estiver sendo seriamente considerada, então as medidas fisiológicas, particularmente a capacidade vital (que pode necessitar de avaliação nas posições deitada e de pé) e as pressões inspiratórias bucais são importantes, bem como uma monitorização regular.
O exame geralmente será realizado se:
• O paciente tem, ou supõe-se que tenha, um transtorno neuromuscular que
sabidamente envolva os músculos respiratórios – exemplos incluem síndrome de Guillain-Barré, miastenia gravis, doença do neurônio motor, distrofia muscular.
• O paciente tem dispneia ou insuficiência respiratória potencialmente devida à
fraqueza da musculatura respiratória.
Testes à beira do leito
O paciente fica dispneico quando sentado? Ou apenas quando deitado – quando os movimentos do diafragma são limitados pela pressão do conteúdo abdominal?
Eles podem falar normalmente ou estão limitados a frases únicas ou a apenas
algumas palavras?
Peça-lhes que contem – até onde eles conseguem contar com uma única inspiração? Qual é a frequência respiratória?
A expansão do tórax é normal?
Observe o abdome – normalmente a contração do diafragma na inspiração força o
abdome para fora. Se o diafragma está fraco, isso é invertido e o abdome é retraído durante a inspiração – é a respiração paradoxal. Isso pode ocorrer unilateralmente na paralisia do nervo frênico.
Músculos da axila e do tronco
Esses músculos raramente serão testados formalmente, mas são testados indiretamente durante outras fases do exame – por exemplo, quando o paciente se senta sem apoio ou caminha.
Raramente os pacientes podem apresentar fraqueza dos músculos axiais; por
exemplo, queda da cabeça (head drop), quando a cabeça se inclina para a frente como resultado da fraqueza do eretor da espinha cervical, ou camptocormia, quando o paciente flexiona o tronco na cintura devido à fraqueza do eretor espinhal tóraco-lombar.
O eretor espinhal pode ser testado: peça ao paciente que deite de bruços e levante a
cabeça (eretor espinhal cervical), e depois que levante os ombros (eretor da espinhal torácico). Peça-lhe, então, que relaxe novamente e, depois, levante os pés do colchão (eretor espinhal lombar).