Exame Neurológico Simplificado

Geraint Fuller · Capítulo 64 de 89

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Exame Neurológico Simplificado

Capítulo 22: Sensibilidade: O que você encontra e o que significa

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Sensibilidade: O que você encontra e o que

significa

 

O que você encontra

Padrões de déficit sensitivo

Os déficits sensitivos (Fig. 22.1) podem ser classificados em oito níveis do sistema

nervoso:

FIGURA 22.1 Abordagem simplificada do déficit sensitivo

1. Nervo único: déficit sensitivo na distribuição de um único nervo, mais comumente

mediano, ulnar, fibular, cutâneo lateral da coxa. As distribuições estão ilustradas no

Capítulo 21.

2. Raiz ou raízes: déficit sensitivo confinado a uma única raiz ou a várias raízes

próximas – raízes comuns no braço são C5, C6 e C7, e na perna são L4, L5 e S1. As

distribuições estão ilustradas no Capítulo 21. Quando múltiplas raízes estão envolvidas na medula lombossacra (geralmente S1-S5 bilateralmente), isso resulta em uma síndrome da cauda equina com déficit sensitivo na região perianal e nádegas (anestesia em sela) e na face posterior de ambas as coxas.

3. Nervo periférico: déficit distal em botas e luvas (Fig. 22.2).

FIGURA 22.2 Déficit em botas e luvas

 

4. Medula espinhal: cinco padrões de déficit podem ser reconhecidos (Fig. 22.3):

FIGURA 22.3 Déficits sensitivos associados a lesões da medula espinhal. A. Lesão transversa completaB. Hemissecção da medula. C. Lesão centromedular. D. Déficit cordonal posterior. E. Síndrome medular anteriorF. Lesão do tronco cerebral. G. Déficit sensitivo talâmico

 

• Lesão transversa completa: hiperestesia (sensibilidade aumentada ao tato/dor) no

nível superior, com déficit de todas as modalidades em alguns segmentos abaixo

da lesão (Fig. 22.3A).

• Hemissecção medular (síndrome de Brown-Séquard): perda da noção de posição

segmentar e da sensibilidade vibratória do mesmo lado da lesão e da dor e

temperatura do lado oposto, alguns níveis abaixo da lesão (Fig. 22.3B).

• Centro-medular: perda da sensibilidade térmica e dolorosa no nível da lesão, em

que as fibras do trato espinotalâmico cruzam com as outras modalidades preservadas na medula, (déficit sensitivo dissociado) – padrão visto na

siringomielia (Fig. 22.3C).

• Cordonal posterior: perda da noção de posição segmentar e da sensibilidade

vibratória com sensibilidades dolorosa e térmica intactas (Fig. 22.3D).

• Síndrome medular anterior: perda da sensibilidade dolorosa e térmica abaixo do

nível, com noção de posição segmentar e sensibilidade vibratória preservadas

(Fig. 22.3E).

5. Tronco cerebral: perda da sensibilidade dolorosa e térmica na face e no lado oposto

do corpo. Causa comum: síndrome bulbar lateral (Fig. 22.3F).

6. Déficit sensitivo talâmico: déficit sensorial no hemicorpo para todas as

modalidades.

7. Déficit cortical: lobo parietal – o paciente é capaz de reconhecer todas as sensações,

mas as localiza mal – perda da discriminação de dois pontos, astereognosia, extinção sensitiva.

8. Déficit funcional: o diagnóstico é sugerido por uma distribuição não anatômica do

déficit sensitivo, frequentemente com achados inconsistentes.